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Participação forçada na cerimónia da mulher

Na província de Nampula, a participação dos funcionários públicos nas datas comemorativas está a ser feita de forma forçada e, nalguns casos, mediante a apresentação de senhas de presença que são, depois, entregues às autoridades políticas e governamentais locais.

Esta questão ocorre particularmente no sector da Educação que, conforme as estatísticas actuais, absorve maior número de funcionários do sexo feminino, cuja presença nestas cerimónias é obrigatória e o seu registo é feito sem qualquer discrição.

A reportagem do Wamphula Fax que tem acompanhado este processo há, sensivelmente, dois anos, teve a oportunidade de constatar, ontem, vários grupos de professoras de diversas escolas da cidade de Nampula envolvidas neste tipo de procedimento.

Toda professora ou formanda dos Institutos de Formação de Professores de Marrére e de Nampula, que participou na cerimónia alusiva ao Dia Internacional da Mulher, teve que se apresentar no seu grupo para se inscrever, com medo de ser penalizada Algumas professoras das Escolas de Napipine e Carrupeia, que falaram ao nosso matutino, sob condição de anominato, confirmaram terem sido obrigadas a marcar presença física no acto como forma de, segundo suas palavras, salvaguardar os seus interesses profissionais.

A medida visa, igualmente, cumprir as orientações da Frelimo que preconizam a criação de células do Partido nas instituições públicas, facto que a oposição rotula de partidarização do Estado.

Na capital provincial de Nampula, a efeméride, que foi antecedida da tradicional cerimónia de deposição de flores, contou com a presença de destacadas personalidades, para além do “universo feminino” que acorreu em massa à Praça do Destacamento Feminino.

Em declarações à imprensa, Maria Amisse Rodrigues, secretária provincial da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), enalteceu os feitos daquela camada no período pós independência, sobretudo a sua particicipação nos órgãos de tomada de decisão.

Esta ideia viria a ser secundada pelo director provincial da Mulher e Acção Social, Lourenço Mesa Buene, que reiteira a necessidade da mulher continuar a luta pela conquista dos seus direitos e equidade em relação ao seu parceiro.

Para aquele dirigente, a pobreza e a problemática do HIV/SIDA constitui, neste momento, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do país e, em particular, daquela camada social.

Outra nota de realce foi a participação activa, na Praça, da Liga Feminina do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que, segundo afirmação da respectiva representante, defende o estudo e o trabalho como “armas fundamentais” na luta contra o subdesenvolvimento.

Refira-se que, este ano, a efeméride foi comemorada sob o lema “Igualdade no Acesso e Participação das Mulheres e Raparigas na Educação, Formação, Ciência e Tecnologia: Caminho Para o Alcance do Trabalho Digno pelas Mulheres”.

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