Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Parlamento egípcio marca sessão e desafia militares

O presidente do Parlamento do Egito, Saad al-Katatni, disse que a Casa vai voltar a reunir-se, Terça-feira (10), arriscando uma desavença com o Exército, depois de o recém-eleito presidente do país, Mohamed Mursi, ter desafiado os militares e revogado a ordem que dissolvera a legislatura, mês passado.

Segundo a agência estatal de notícias, Katatni disse, esta Segunda-feira, que a Câmara dos Deputados vai reunir-se a partir do meio-dia, Terça-feira (100, derrubando assim uma ordem militar e uma decisão judicial do mês passado, antes de Mursi ser eleito presidente.

Katatni e Mursi são membros do partido da Irmandade Muçulmana, movimento perseguido por décadas no país.

A decisão de Katatni, amparada num decreto divulgado por Mursi, Domingo, praticamente uma semana depois de ter tomado posse, ameaça mergulhar o Egito numa nova fase de instabilidade política, que provavelmente poderia ter reflexos para uma economia frágil e ainda minar as esperanças da população desesperada por um período de calma, depois de 17 meses turbulentos desde que o líder Hosni Mubarak foi deposto.

No entanto, num sinal de que as relações entre Mursi e o Exército estão longe de terem sido rompidas, o presidente e o comandante do Conselho Militar, marechal Hussein Tantawi, apareceram juntos, demonstrando conversar com tranquilidade, durante um evento televisivo, na manhã desta Segunda-feira (9).

O Conselho Militar, que governou o Egito desde a derrubada de Mubarak em 11 de Fevereiro de 2011, após manifestações populares, entregou os poderes a Mursi em Junho, mas procurou reduzir a sua autoridade pouco antes de ser eleito.

O Conselho dissolveu o Parlamento, no qual o partido da Irmandade tem maioria, e assumiu os poderes legislativos.

Mas, Domingo, Mursi disse que estava a reconvocar o Parlamento e iria realizar umas eleições logo que uma nova Constituição entrar em vigor, indicando que o actual Parlamento não iria cumprir os quatro anos de mandato.

A atitude de Mursi pareceu ter pego os militares de surpresa. A disputa é parte duma luta mais ampla de poder, que poderá levar anos para consolidar-se, e que opõe os islâmicos reprimidos por muito tempo sob o regime Mubarak aos generais que governaram o Egito por seis décadas ao lado do ex-presidente.

O impacto imediato, no entanto, pode ser a dificuldade maior para o novo presidente estabilizar a economia, que se encaminha para uma crise orçamental e no balanço de pagamentos.

Domingo, dia normal de trabalho no Egito, o mercado de acções reagiu com a queda de mais de 5 por cento na abertura.

Num possível indício de que os generais não vão confrontar Mursi abertamente, a agência estatal de notícias informou que os guardas do Parlamento permitiram que alguns deputados entrassem no edifício, que havia sido isolado quando o Exército ordenou a sua dissolução.

Alguns analistas dizem que a decisão de Mursi de ordenar a antecipação das eleições é uma oferta de concessão, ao reconhecer a afirmação da Corte de Justiça de que as eleições parlamentares não cumpriram algumas normas legais.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!