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Parlamentares rebeldes franceses ameaçam abster-no no voto de confiança ao governo

Os parlamentares socialistas rebeldes do partido governista francês podem abster-se no voto de confiança, marcado para 16 de Setembro, sobre a reformulação do governo do presidente François Hollande, disse um dos políticos, esta terça-feira (9), numa medida que ameaçaria a maioria do seu partido no Parlamento.

A votação da próxima semana será realizada depois de duras semanas para Hollande, que demitiu ministros dissidentes, viu os seus índices de aprovação chegarem a recordes mínimos e teve que lidar com a publicação de um livro de memórias da sua ex-mulher, Valérie Trierweiler.

O primeiro-ministro de Hollande, Manuel Valls, está agora no seu segundo governo desde a sua indicação em Abril passado e enfrenta uma dura batalha para manter o apoio parlamentar necessário para aprovar o orçamento de 2015 e as reformas trabalhistas no país.

Um voto de não-confiança na próxima semana pode forçar Hollande a dissolver o Parlamento e convocar novas eleições – um cenário que os principais políticos socialistas ainda consideram improvável, apesar da crescente revolta dentro do partido com o comando centralizador do presidente.

“Estamos a orientarmo-nos para uma abstenção em grupo”, disse aos repórteres Christian Paul, um dos parlamentares rebeldes. “Acreditamos que seja impossível impor esta unanimidade superficial sobre o agrupamento socialista.”

Paul não disse quantos parlamentares rebeldes estavam preparados para abster-se. O número variou de 11, para o voto de confiança ao primeiro governo de Valls em Abril, até 41, para o voto no fim daquele mês sobre os cortes de gastos públicos até 2017. Com 289 assentos, o Partido Socialista tem a maioria no Parlamento por apenas 1 assento e pode contar com os votos do grupo pró-reformas Esquerda Radical, que tem 17.

“Estou certo de que haverá uma maioria muito, muito confortável de legisladores socialistas que apoiará Manuel Valls”, disse à rede de televisão France 2 Jean-Marie Le Guen, ministro responsável pelas relações com o Parlamento.

O índice de aprovação de Hollande caiu para 13 por cento, menor patamar para qualquer presidente da época moderna francesa, por conta do seu fracasso em promover crescimento e em gerar empregos.

No entanto, a Constituição da França dá ao presidente o poder de continuar até o fim do seu mandato de cinco anos, governando por decreto caso necessário. Além disso, os legisladores socialistas sabem que se eles forçarem uma dissolução provavelmente devem perder os seus assentos em novas eleições, o que poderia desmotivar a rebeldia.

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