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Paquistão nega ter dado abrigo a Bin Laden

O presidente do Paquistão negou esta terça-feira as insinuações de que o seu governo teria abrigado Osama bin Laden, mas admitiu que suas forças de segurança não participaram da incursão dos Estados Unidos que matou o chefe da Al Qaeda. Autoridades dos EUA não informaram as autoridades paquistanesas por preocupação de que pudessem “alertar os alvos” e pôr em risco o ataque de segunda-feira das forças especiais que encerrou a longa caçada a Bin Laden, disse o diretor da CIA, Leon Panetta, à revista Time.

A revelação de que Bin Laden estava escondido em um complexo fortificado na cidade de Abbottabad, possivelmente por cinco ou seis anos, levou muitos parlamentares dos EUA a exigirem uma revisão dos bilhões de dólares em ajuda que Washington dá ao Paquistão, país detentor de armas nucleares. O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, – na sua primeira resposta às questões que o mundo tem expressado sobre um militante procurado vivendo despercebido durante tanto tempo tão perto de Islamabad – pouco fez para dissipar as suspeitas.

“Parte da imprensa dos EUA sugeriu que o Paquistão não tinha sido energético na perseguição ao terrorismo, ou ainda pior, que estava sendo dissimulado e na verdade protegia os terroristas que alega estar perseguindo”, escreveu Zardari em uma coluna de opinião no Washington Post. “Essas especulações infundadas podem gerar notícias atraentes, mas não refletem a realidade.” Foi o primeiro comentário público substancial de um líder paquistanês sobre o ataque aéreo que matou o líder da Al Qaeda, que se tornou a cara da militância islâmica desde os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos.

A atenção internacional está voltada para o Paquistão desde que Bin Laden foi morto, com dúvidas sobre a competência de suas forças armadas e agências de inteligência ou eventual cumplicidade. Refletindo a desconfiança com o Paquistão, Islamabad não foi informada sobre o ataque até que todos os aviões dos EUA já tinham saído do espaço aéreo paquistanês.

Ao mesmo tempo, o assassinato de Bin Laden – que se tornou a personificação do mal para muitos norte-americanos desde que arquitetou os ataques de 2001 contra Nova York e Washington – deu ao presidente dos EUA, Barack Obama, um impulso de popularidade, que tinha sido reduzida pela crise econômica e pelos preços elevados da gasolina.

Trinta e nove por cento dos norte-americanos afirmaram em uma pesquisa online da Reuters/Ipsos que a sua opinião sobre a capacidade de liderança do presidente melhorou e 42 por cento disseram que tinham uma opinião melhor sobre a atuação de Obama na guerra contra o terrorismo. Mas ele também deverá enfrentar mais pressão para acelerar a retirada planejada em julho de algumas forças dos EUA da guerra no Afeganistão.

PAQUISTÃO EXPRESSA PREOCUPAÇÃO

O Paquistão, que há anos afirma desconhecer o paradeiro de Bin Laden, negou qualquer conhecimento prévio da incursão dos EUA, mas disse que vinha cedendo informações sobre o complexo alvo para a CIA desde 2009.

Enquanto Islamabad saudou a morte de Bin Laden como um marco importante na luta contra o terrorismo, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão expressou “profunda preocupação” de que a operação tenha sido realizada sem um aviso prévio. “Ele não estava em um lugar que havíamos previsto que ele estaria, mas agora ele se foi”, escreveu Zardari, sem oferecer defesa contra as acusações de que seus serviços de segurança deveriam saber onde Bin Laden estava escondido. “Embora os acontecimentos não tenham sido uma operação conjunta, uma década de cooperação e parceria entre os Estados Unidos e o Paquistão levaram à eliminação de Osama bin Laden como uma ameaça permanente ao mundo civilizado.”

Diante da pressão para produzir a confirmação visual da morte de Bin Laden, o chefe de contraterrorismo da Casa Branca, John Brennan, disse que os Estados Unidos estavam considerando liberar fotos e vídeos feitos durante a incursão como prova da morte de Bin Laden, mas iria fazê-lo de forma “cuidadosa”. O Taliban afegão não acredita na morte de Bin Laden, dizendo que Washington não tinha apresentado “provas aceitáveis para confirmar suas alegações” de que ele tinha sido morto.

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