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Papandréou adverte que futuro da Grécia está em jogo

O primeiro-ministro grego Georges Papandréou afirmou esta quinta-feira que o futuro do país está em jogo com seu plano de austeridade, enquanto a crise financeira continuava a desestabilizar a Europa, com a moeda única abaixo 1,27 dólar pela primeira vez desde março de 2009. O Parlamento de Atenas examinava um plano de austeridade rígido no dia seguinte à eclosão de episódios de violência que terminaram com a morte de três pessoas e com novas manifestações contra estas medidas previstas para o final da tarde. “É o futuro da Grécia que está em jogo. A economia, a democracia, a coesão social que são colocados à prova”, disse Papandréou.

Em Lisboa, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, descartou qualquer risco de contágio, admitindo que a retomada da economia na zona do euro seria moderada em 2010 e que as incertezas permanecem “elevadas”, ao final de uma reunião do Conselho de Governadores. “Portugal não é a Grécia, a Espanha não é a Grécia”, insistiu Trichet, assegurando que um ‘défaut’ da Grécia, para ele, está “fora de questão”.

O Conselho manteve a sua taxa básica – barômetro do crédito na zona do euro – inalterada a 1%, seu nível histórico mais baixo, que “permanece apropriado”, segundo Trichet. Logo depois dessa decisão, o euro se situou abaixo de 1,27 dólar pela primeira vez desde 11 de março de 2009. Mais cedo, a agência de classificação financeira Moody’s desferiu um novo golpe contra a credibilidade da Europa, ao considerar que a crise financeira grega representa um grande risco para os bancos de vários países, entre eles Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Reino Unido.

Os graves incidentes registrados na quarta-feira em Atenas, onde três pessoas morreram no incêndio de um banco durante uma grande manifestação, aumentam o temor do fracasso de um plano de austeridade imposto à Grécia pela Europa e pelo Fundo Monetário Internacional em troca de uma ajuda de 110 bilhões de euros em três anos. Os dois principais sindicatos gregos convocaram novas manifestações para esta quinta-feira às 18h00 (12h00 de Brasília) diante do Parlamento de Atenas, no momento da votação do plano. Os sindicatos pediram a todos os gregos que apaguem as luzes de suas casas durante dez minutos nesta quinta-feira à noite como forma de “protesto simbólico”.

A Espanha, que teve a nota de sua dívida de longo prazo degradada pela agência Standard and Poor’s, assim como a de seu vizinho português, passou por um teste importante nos mercados ao conseguir emitir nesta quinta-feira bônus do Tesouro a uma taxa satisfatória, levando-se em conta a situação financeira do país.

Os chefes de Estado e de governo da zona do euro se reunirão na sexta-feira de forma extraordinária em Bruxelas para tentar acalmar a situação. “O objetivo é formalizar o acordo sobre os empréstimos à Grécia” e “também refletir a respeito das lições que podemos tirar” para “o futuro da zona do euro”, explicou o secretário de Estado espanhol para Assuntos Europeus, Diego Lopez Garrido, cujo país preside a UE. Na véspera da reunião, França e Alemanha pediram “sanções mais eficazes” em caso de déficits excessivos.

Numa carta conjunta, a chanceler Angela Merkel e o presidente Nicolas Sarkozy pediram que a zona do euro seja dotada de um “quadro robusto” para administrar crises como a da Grécia. Eurocéticos alemães anunciaram a sua decisão de apresentar uma ação na sexta-feira à Corte Constitucional para tentar de bloquear a concessão por Berlim da ajuda financeira prometida à Grécia.

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