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Faisal Shahzad: do sonho americano ao carro bomba

Um diploma, um emprego, uma família e uma casa: a vida do americano Faisal Shahzad não deixava transparecer que um dia o jovem analista financeiro pudesse tentar cometer um atentado com um carro bomba em Nova York.

Nascido no Paquistão e educado em escolas privadas de Peshawar reservadas à elite, Faisal Shahzad chegou aos Estados Unidos no fim dos anos 90, com o visto de estudante para se inscrever em uma universidade da capital federal Washington. Segundo a imprensa local de Connecticut, ele, no entanto, ingressou na universidade de Bridgeport, a partir de 2000, no estado do nordeste dos Estados Unidos, onde obteve seu diploma em ciências da computação.

O seu pai Baharul-Haq, ex-integrante da Força Aérea paquistanesa, “participou junto com a mãe da colação de grau do filho”, assegura o jornal Stamford Advocate. Estudante comum, não deixou qualquer recordação marcante para os seus professores. Com outro visto de mais três anos, Faisal Shahzad se inscreveu em um MBA na mesma universidade e encontrou, paralelamente, um emprego de contador no grupo cosmético Elizabeth Arden. Ele se demitiu em junho de 2006, segundo um porta-voz citado pela imprensa local, para virar analista financeiro do grupo Affinion, uma empresa americana de consultoria em marketing.

Enquanto isso, Faisal Shahzad casou-se no Paquistão com Huma Mian, uma bela jovem sorridente que tem sua foto estampada em todos os jornais americanos. Inúmeras pessoas que o reencontraram durante esse período no Paquistão confirmaram à AFP que ele deixou a barba crescer, tornou-se “muito liberal” e não frequentou mais a mesquita. O jovem comprou um apartamento e, depois em 2004, comprou uma casa em Shelton, pequena cidade a 120 quilômetros ao nordeste de Nova York, financiando a maior parte.

O casal descrito como tranquilo pelos vizinhos teve dois filhos. No diário local, The Hartford Courant, um vizinho descreveu a mulher de Shahzad como “portadora de hábitos tradicionais do Oriente Médio, cobrindo maior parte do seu corpo exceto seu rosto”. Outra pessoa que morava ao lado comentou que sua filha costumava brincar com a do jovem casal. “Huma Mian dizia que não falava inglês e as duas vizinhas se comunicavam através de gestos”.

No entanto, a mulher de Shahzad obteve seu diploma de contabilidade, em 2004, pela Universidade do Colorado, segundo o porta-voz da instituição de ensino. A informação foi publicada no Boulder Daily Camera, um jornal do estado sudoeste americano, acrescentando que Huma falava perfeitamente inglês. Mas, no verão de 2009, por razões ainda desconhecidas, as coisas mudaram. Logo após ter conseguido sua naturalização americana, em abril de 2009, Faisal Shahzad “partiu”. “Ele disse que alguém de sua família estava no hospital, nem comunicou à empresa, simplesmente partiu e não voltou mais”, contou seu colega de trabalho ao Stamford Advocate.

Ao mesmo tempo, o organismo de crédito parou de receber as mensalidades da hipoteca. “Depois da sua partida no início do verão, sua mulher começou a tentar vender a casa e os outros objetos”, segundo a mesma vizinha citada pelo Hartford Courant. O New York Times assegurou, por sua vez, que o jovem se demitiu e se endividou, não conseguindo mais pagar pela casa.

A sequência já é conhecida: segundo as autoridades americanas, Faisal Shahzad reapareceu em Bridgeport no último mês de fevereiro e assegurou aos investigares ter recebido, nesse meio tempo, treinamento para fabricação de bombas no Paquistão.

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