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Pai da bomba nuclear paquistanesa anuncia suspensão da prisão domiciliar

O pai da bomba atômica paquistanesa, Abdul Qadeer Kahn, que confessou ter vendido segredos nucleares ao Irã, Coreia do Norte e Líbia, afirmou à AFP que o governo suspendeu todas as restrições impostas a seus deslocamentos.

O governo paquistanês, no entanto, ainda não confirmou a informação oficialmente. Em fevereiro, um tribunal de Islamabad ordenou a liberdade de Kahn, depois de cinco anos de prisão domiciliar. Mas a polícia e o Exército prosseguiram com a vigilância e limitavam os deslocamentos do cientista. Na semana passada, a Alta Corte de Justiça de Lahore pediu explicações sobre o caso às autoridades e programou uma nova audiência para sexta-feira.

Questionado pela AFP sobre informações de que as restrições haviam sido suspensas, “A.Q.” Khan respondeu: “Graças a Alá, é correto”. Os meios de comunicação paquistaneses também informaram que as restrições foram finalmente levantadas. O governo alegou que tentava proteger Khan de possíveis sequestros, principalmente por parte dos serviços secretos estrangeiros ou de milicianos islamitas.

Numa confissão pública televisionada em fevereiro de 2004, Khan reconheceu, depois de vários anos de acusações do Ocidente, ter dirigido uma rede de vendeu nos anos 1990 segredos e tecnologia nuclear militar ao Irã, Coreia do Norte e Líbia. O então presidente paquistanês Pervez Musharraf o perdoou, mas o manteve em residência vigiada. Desde então, os Estados Unidos sempre pediram para interrogá-lo, assim como os serviços secretos de outros país, em vão. Vários governos suspeitam de que sua rede não poderia funcionar sem o aval ou cumplicidade do Exército do Paquistão.

Abdul Qadeer Khan é considerado um herói nacional para seus seguidores e um perigoso artífice da proliferação nuclear para seus detratores. Ele alcançou o status de herói nacional em maio de 1998 quando a República Islâmica do Paquistão se converteu oficialmente em potência atômica militar graças a testes realizados alguns dias depois dos da Índia, seu eterno rival.

Khan nasceu em 1º de abril de 1936 na cidade indina de Bhopal, antes da sangrenta divisão do Império britânico das Índias, que criou, em 14 e 15 de agosto de 1947, os estados do Paquistão e da Índia. Imigrou para Karachi, onde obteve diploma científico e seguiu com seus estudos de metalurgia na Alemanha e uma formação científica na Bélgica e Holanda.

Nos anos 1970, trabalho num laboratório encarregado de elaborar centrífugas utilizadas para a indústria nuclear para o consórcio anglo-germano-holandês Urenco. De volta ao Paquistão, em 1976, o primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto o nomeou para a chefia do programa nuclear civil graças, em parte, aos documentos procedentes da Urenco. A justiça holandesa o condenou em 1983 por tê-los roubado, mas a setença foi cancelada em apelação.

A partir de 1978, o Paquistão já estava capacitado para produzir urânio enriquecido e em 1984 a explosão nuclear era possível, assegurou Khan em 1998. “O Paquistão jamais quis fabricar a arma atômica, só se viu forçado pela necessidade de dissuasão frente à Índia”, explicou. Em 1981, o principal laboratório de pesquisa atômica paquistanês, o Engineering Research Laboratories de Kahuta, foi rebatizado Khan Research Laboratories (KRL) em sua homenagem.

Mas a estrela de Khan começou a perder seu brilho em março de 2001: pressionado pelos Estados Unidos, Musharraf – que assumiu o poder com o golpe de Estado de outubro de 1999 – o afastou da direção do KRL. As autoridades paquistanesas iniciaram investigações em dezembro de 2003 para verificar as eventuais atividades de proliferação de informações nucleares para o exterior.

Em fevereiro de 2004, Khan foi colocado em residência vigiada, numa luxuosa mansão de Islamabad, onde foi protegido e bem tratado pelo regime paquistanês.

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