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Ovo gel anti-HIV não funciona

A Tenofovir, um gel microbicida, desenvolvido na África do Sul para os programas de prevenção do HIV, e recebida mundialmente como “a melhor notícia sobre SIDA nos últimos anos, não é efectivo para impedir a transmissão do vírus, segundo conclusões de um recente estudo.

Os resultados do estudo chocaram os cientistas quando ficou provado que o gel, desenvolvido por investigadores na Universidade do KwaZulu-Natal, afinal é inefectivo a milhões de vidas.

O Centro para o Programa de pesquisa sobre SIDA na África do Sul tinha concluído, ano passado, que o gel era 39 por cento eficaz na prevenção da transmissão do vírus.

O desenvolvimento deste produto foi saudado como um grande passo na redução do risco de contaminação pelo HIV entre as mulheres.

Mas os pesquisadores que encabeçaram o estudo “Intervenções Vaginais e Orais para Controlar a Epidemia” em 15 laboratórios na África do Sul, Uganda e Zimbabwe, recomendaram, esta Segunda-feira, que todas as cinco mil mulheres que participaram no estudo devem parar de usar o gel porque é ineficaz.

E noutra má notícia em vésperas do dia Mundial da SIDA, 1 de Dezembro, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), a Campanha para Acção de Tratamento (TAC) e outros grupos que trabalham na área do combate ao HIV/SIDA mostraram-se seriamente preocupados com a drástica redução do financiamento global para a luta contra esta doença.

Enquanto a UNAids exige que a África do Sul duplique a sua cobertura de tratamento antiretroviral até 2015, a crise financeira global levou muitos países a voltarem atrás nas suas promessas, o que preludia um desastre para o países cujos programas de HIV dependem quase inteiramente do apoio dos doadores.

O Ministro sul-africano da Saúde, Aaron Motsoa-ledi, vai publicar esta terça-feira as mais recentes estatísticas sobre prevalência de HIV.

A prevalência de HIV na África do Sul era de 29,4 por cento em 2009, contra 29,3 por cento em 2008. O professor Salim Abdool Karim, director do centro de pesquisa sobre SIDA, disse que ficou “chocado” com os resultados do novo estudo.

“Isto era totalmente inesperado porque havia boa evidência em pesquisa laboratorial, teste em animais e seres humanos, que mostraram que o gel Tenofovir prevenia infecção pelo HIV.”

Karim e a sua esposa, Quarraisha Abdool Karim, foram efusivamente aplaudidos depois de apresentarem o gel, ano passado, durante a Conferência Internacional sobre SIDA, à UNAids e ao Programa Conjunto das nações Unidas sobre HIV/SIDA, em Viena.

Foi então que se decidiu que deveria haver um segundo estudo pela comunidade global sobre o microbicida para confirmar o efeito protector do gel.

Os Karim esperavam poder ter o gel Nas clínicas já próximo ano, mas as novas conclusões obrigaram-nos a voltar ao laboratório.

“ O novo desenvolvimento é um retrocesso e uma grande desilusão. Mas nós vamos continuar com a nossa investigação para descobrir o que é andou mal,” disse Karim. “O último estudo não estava a tentar confirmar ou desfazer o resultado da Caprisa 004. Mas é na verdade um grande retrocesso.”

Ele disse que não se sabia se o inesperado resultado do novo estudo foi devido ao uso inadequado do gel pelas mulheres que participaram no estudo, insuficientes níveis da droga nas mulheres na hora de exporem ao HIV, ou se foi por qualquer outra razão.

“Como já foi mencionado em anteriores estudos de microbicidas, para se ser capaz de demonstrar a eficácia do gel microbicida, as mulheres devem usar consistentemente a medida correcta da droga para ter os níveis adequados da droga nas células correctas no correcto tempo,” disse.

Karim disse que havia muita esperança que o gel seria um significativo desenvolvimento em travar a propagação do vírus, mas a ciência nem sempre “produz os resultados que toda a gente espera.”

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