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Ouattara, da Costa do Marfim: Todas as opções devem ficar em aberto

Falando, dia 14 de janeiro, com o Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) em Washington, ao telefone da sua sede no Hotel Golf em Abidjan, Alassane Ouattara, o presidente da Costa do Marfim, disse que, como presidente de todos os marfinenses, não quer guerra civil no seu país.

“Não me refiro só aos 54% que votaram em mim, mas também sou presidente dos 45% que não votaram em mim. Então, obviamente, eu não quero derramamento de sangue”.

Ao ser perguntado se o corte de fundos ajudaria a reduzir o controlo de Laurent Gbagbo sobre país, Ouattara disse que sua preferência seria pela continuação de sanções pessoais e financeiras contra Gbagbo, sua família e colaboradores mais próximos.

Ele disse que as decisões tomadas pelo Banco Central regional deveriam ser implementadas completamente. “A partir de hoje, esse não é o caso”, acrescentou.

Ouattara alegou que, há apenas alguns dias, o controlador financeiro de Gbagbo retirou $10 milhões do Banco Central. Ouattara disse que esta é uma área onde deve haver um controlo mais rígido e ele pediu que fossem consideradas sanções contra o Banco Central. Bancos locais na Costa do Marfim, disse ele, deveriam ser direccionados para reconhecer somente o governo Ouattara.

“Nem todos os bancos locais … estão fazendo isso porque alguns dos bancos locais pertencem a marfinenses que estão ligados a pessoas do regime de Gbagbo e continuam a fornecer fundos ao Sr. Gbagbo e seu grupo”. Ele pediu que os Estados Unidos e países europeus instruíssem seus bancos a reconhecer somente o governo Ouattara.

Ouattara disse que o seu governo está a tentar cortar o fluxo de fundos dos rendimentos do café e do cacau para o regime Gbagbo, mas reconheceu que é difícil porque Gbagbo está a usar forças de segurança para intimidar empresas e forçá-las a continuar a fazer pagamentos a seu governo.

Ele disse que é importante privar o regime de Gbagbo, de fundos para que ele não consiga pagar os mercenários ou lobistas internacionais que podem pressionar governos extrangeiros em seu favor.

No tema de sancções económicas globais, Ouattara disse que ele não favorece tal iniciativa porque “vai prejudicar o povo marfinense. Claramente meu dever é proteger o povo marfinense. Eu fui eleito com base em um programa económico que visa ajudar e promover o bem-estar do povo marfinense”.

Ouattara disse que seu povo está considerando o uso de greves de transporte e outros meios como esse para fazer mais pressão no regime de Gbagbo. Ele disse que o fim do mês é uma “referência importante” para pressão económica contra o regime de Gbagbo porque os salários do governo são pagos por volta do dia 20 de cada mês.

Durante a sua campanha, Ouattara disse que ele colocou muita ênfase na necessidade de reconciliação em todo o país porque “estamos saindo de um tipo de era de apartheid”, como a África do Sul experimentou antes da eleição de Nelson Mandela.

“Apesar de todas essas atrocidades, apesar do comportamento do Sr. Gbagbo e algumas pessoas em sua volta, eu penso que a maioria das pessoas que votaram nele estão agora cansados com o jeito que ele está a agir”, Ouattara disse.

Ele acrescentou que ele ainda quer formar um governo que inclua pessoas do partido de Gbagbo porque “eu quero governar com todos os marfinenses. E não quero excluir um grupo de marfinenses porque o cerne dessa crise foi a questão da exclusão”.

“Agora que eu triunfei nas eleições democráticas chegando a ser eleito como presidente, minha primeira prioridade é banir exclusões e também proteger minorias”, disse.

Ele disse que seu pessoal instalou uma estação de rádio de 24 horas a transmitir de sua sede no Hotel Golf e espera ter a transmissão televisiva emitida em breve. Ele acusou o serviço televisivo estatal de transmitir “ódio”.

Encerrando, Ouattara lembrou a todos que ele é democrata. “Eu conheço o sistema da democracia, de freios e contrapesos e realmente quero que a Costa do Marfim se beneficie da minha experiência. Eu farei todo o necessário para sair dessa crise pacificamente e mostrar que a democracia pode ser implementada em África e que isso leve a um crescimento económico, crescimento social e que os africanos se orgulhem de um país e um continente que é importante para o resto do mundo”.

Ouattara destacou que já se passaram seis semanas desde as eleições presidenciais de 28 de novembro de 2010. “O sofrimento do povo marfinense é grande demais e o número de pessoas a serem mortas é inaceitável. Creio que está mais que na hora de destituir o Sr. Gbagbo”, afirmou.

Ouattara, que venceu a eleição presidencial com 54 porcento dos votos, disse que haverá uma reunião em 18 de janeiro em Bamako, Mali, e outra reunião com os chefes de estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental no final de janeiro para determinar uma futura linha de acção.

Ao expandir seus comentários sobre o uso de força, Ouattara disse que – como um “homem de paz” – ele acredita que é só através da paz que pode-se ter desenvolvimento.

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