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Oposição do Iêmen aceita plano internacional para transição

Oposição do Iêmen aceita plano internacional para transição

A oposição do Iêmen aceitou participar do governo de transição previsto num plano de paz que levará à renúncia do veterano presidente Ali Abdullah Saleh, disse uma fonte oposicionista na segunda-feira à Reuters. Nas ruas, os manifestantes ainda não se convenceram da conveniência do acordo proposto pelos ministros regionais, e convocaram novos protestos.

Aliados árabes e ocidentais do Iêmen vinham tentando mediar uma solução para a crise que já dura três meses, na qual manifestantes, inspirados pelas recentes rebeliões do Egito e da Tunísia, exigiam a renúncia de Saleh, há 32 anos no poder. Enquanto líderes oposicionistas se reuniram em Sanaa para discutir o plano, as forças de segurança matavam mais três manifestantes em diferentes protestos na capital, segundo testemunhas.

Pela proposta feita pelo Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Saleh pode permanecer no poder por mais 30 dias. A oposição inicialmente rejeitou participar de um governo de unidade nacional, mas na segunda-feira mudou de ideia, segundo a fonte que falou à Reuters em nome de uma coalizão que reúne oposicionistas islâmicos e de esquerda. “Depois de receber esclarecimento por parte do (Conselho de Cooperação do) Golfo, concordamos com a iniciativa e com participar de um governo de unidade nacional”, disse a fonte.

O plano ainda não foi formalmente aceito. Uma recusa da oposição em participar poderia frustrar a proposta, e fontes da oposição disseram à Reuters que, numa reunião no domingo, o embaixador dos EUA havia pressionado o grupo a aderir totalmente. Vendo-se abandonado por aliados políticos, o líder iemenita concordou em princípio com a proposta feita por chanceleres do CCG para que deixe o cargo em troca de imunidade contra processos, o que beneficiaria também sua família e assessores.

Mas analistas dizem que permitir a permanência de Saleh por mais um mês pode dar margem a mais turbulências no país, o mais pobre e instável da Península Arábica. O risco de caos no Iêmen causa grande preocupação para a Arábia Saudita e os Estados Unidos, que temem o fortalecimento de uma facção local da Al Qaeda.

PROTESTOS

Em Taiz, testemunhas disseram que as forças de segurança abriram fogo para impedir a passagem de manifestantes que passariam diante de um palácio pertencente a Saleh, dirigindo-se a um comício pró-democracia. “Havia milhares de pessoas em uma passeata que vinha de fora de Taiz, mas os policiais, militares e atiradores à paisana os confrontaram, abrindo fogo com balas e gás lacrimogêneo”, disse Jamil Abdullah, um dos organizadores do protesto. “Eles abriram fogo pesadamente em todas as direções.”

Uma mulher que assistia ao confronto de sua sacada foi morta, e fontes médicas disseram que 25 pessoas foram baleados na cidade, cenário de alguns dos maiores protestos contra Saleh nos últimos anos. Os confrontos duraram várias horas, com relatos de uso de artilharia pesada. Dezenas de manifestantes foram presos, segundo ativistas.

Pelo menos 32 soldados ficaram feridos após serem atacados por membros da oposição, informou o Ministério da Defesa em seu site. Houve confrontos também na cidade de Ibb e na província de Al Baida, com um morto em cada um dos incidentes.

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