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Oposição da Venezuela toma ruas de Caracas em protesto contra Maduro

Opositores do presidente Nicolás Maduro tomaram as ruas da capital da Venezuela nesta quinta-feira num dos maiores protestos contra o Governo socialista em mais de uma década. Vestidos de branco e gritando “esse governo vai cair”, centenas de milhares marcharam em Caracas para pressionar por um referendo revogatório ainda neste ano contra Maduro e contra a grave crise económica que assola o país.

A coligação de oposição Unidade Democrática estimou que pelo menos um milhão de pessoas de várias partes do país participaram dos protestos. “Vamos derrubar Maduro!”, disse Naty Gutierrez, 53, que demorou três vezes mais tempo que o habitual para percorrer de carro os 120 km que separam Maracay de Caracas devido a bloqueios dos soldados.

“Vamos derrotar a fome, o crime, a inflação e a corrupção. Eles não fizeram nada em 17 anos. O tempo deles acabou”, disse ela, cercada por milhares de pessoas acenando com cartazes e bandeiras nacionais em um ponto de encontro. O Governo, que promoveu outra manifestação, não deu uma estimativa de participantes.

A oposição espera com os protestos mostrar que tem a maioria e pressionar Maduro e o conselho eleitoral nacional a permitir a realização do plebiscito, como previsto na Constituição. Mas com o conselho eleitoral arrastando o processo e o Governo jurando que o referendo não vai acontecer este ano, a oposição não tem como forçar a realização, não importando quantas pessoas coloque nas ruas.

O tempo é muito importante porque se o plebiscito for realizado em 2017 e Maduro perder, o vice-presidente do Partido Socialista, escolhido pelo próprio Maduro, vai assumir o comando do país, ao invés de ser realizada uma nova eleição.

Pronto para qualquer coisa

Maduro, de 53 anos, diz que a “Tomada de Caracas”, como foi apelidada por seus opositores, disfarça um plano de golpe de Estado fomentado pelos Estados Unidos semelhante à tentativa de deposição de seu mentor e antecessor Hugo Chávez, em 2002, que não prosperou.

“Nós paramos o golpe hoje, a violenta emboscada fascista”, disse Maduro para seus partidários, dizendo que as detenções de activistas nos últimos dias tinha impedido a violência. Pelo menos uma dúzia de activistas da oposição ainda estava sob custódia na quinta-feira, de acordo com grupos de direitos humanos e da oposição.

Polícias e soldados adicionais foram posicionados ao redor da capital, e barreiras nas mais importantes rotas de acesso à capital. Depois que os eventos principais tinham terminado pacificamente, um pequeno grupo de jovens, muitos cobrindo os seus rostos, atiraram pedras e coquetéis molotov contra as forças de segurança, que dispararam de volta gás lacrimogéneo, durante um impasse numa estrada em Caracas.

A coligação de oposição Unidade Democrática disse que os jovens estavam infiltrados e que tentam gerar problemas. Temendo a violência, especialmente levando em conta as 43 mortes vistas nos protestos anti-Maduro de 2014, muitos estabelecimentos comerciais fecharam as portas.

Prometendo lealdade ao legado de Chávez e classificando a oposição como uma elite abastada determinada a controlar o petróleo venezuelano, milhares de apoiantes do governo vestidos de vermelho também realizaram suas próprias passeatas. “A oposição quer derrubar o presidente, mas eles não vão conseguir” disse a advogada e funcionária pública Adriana Jimenez, 44, numa das manifestações pró-governo no centro de Caracas.

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