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Oposição conservadora obtém maioria de dois terços na Hungria

O partido conservador de oposição Fidesz obteve este domingo na Hungria a maioria histórica de dois terços no segundo turno das eleições legislativas, o que permitiu à extrema direita entrar pela primeira vez no Parlamento.

Depois de oito anos de poder socialista, marcados pela crise econômica e pela corrupção, a direita do ex-premiê Viktor Orban conseguiu 263 dos 386 lugares do Parlamento, ou seja, cinco a mais que a maioria de dois terços que é de 258, segundo dados publicados neste domingo pelo Escritório Nacional Eleitoral (OVI), com 95% dos votos apurados.

No primeiro turno, em 11 de abril, o Fidesz já havia conseguido a maioria absoluta de votos, com 52,73%. O resultado histórico de domingo, jamais alcançado na Hungria em eleições democráticas, tornará o país o único da antiga Europa comunista a ser governado por um partido que será capaz de realizar sozinho as reformas constitucionais anunciadas, sem precisar do apoio dos demais.

Durante a campanha, Orban anunciou que queria modificar as leis sobre a imprensa para “racionalizar” esse setor, um projeto muito criticado por outros partidos que consideram que ele se constitui em “uma ameaça para a liberdade de imprensa”. Também pretende reduzir o número de vereadores e de deputados. Além disso, o futuro governo poderá fazer emendas na lei sobre dupla cidadania.

Estas eleições legislativas também foram marcadas pela entrada histórica no Parlamento do partido Jobbik, da extrema direita, depois de uma campanha eleitoral centrada no antissemitismo, em estigmatizar os ciganos e na oposição à União Europeia.

O Jobbik, com seus 47 deputados, surge como a terceira força política do país, logo atrás dos socialistas do MSZP, que obtiveram apenas 59 cadeiras. No primeiro turno, o MSZP registrou 19,30% dos votos (contra 43,21% em 2006). Um quarto partido, o LMP, da esquerda ambientalista, fundado em 2009, será representado com 16 cadeiras.

A taxa de participação do segundo turno foi muito interior (44,17%) ao primeiro turno (64,29%). Muitos eleitores acharam, segundo os analistas, que as eleições já estavam decididas, com a maioria absoluta obtida pela direita há 15 dias. Mas em matéria de reformas econômicas e sociais, a margem de manobra do novo governo de direita será limitada pelas condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela UE em troca de um resgate de 20 bilhões de euros feito em 2008 para evitar que o país quebrasse. Viktor Orban terá de cumprir as promessas de cortes de impostos e da criação de 1 milhão de empregos.

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