Os escritores Sangare Okapi e Eduardo Quive são os vencedores da 4.ª edição do Prémio Literário Mia Couto (PLMC), promovido pela Cornelder de Moçambique, gestora do Porto da Beira, em parceria com a Associação Literária Kulemba. Sangare Okapi e Eduardo Quive concorreram com as obras “Utse” e “Mutiladas”, respectivamente, nas categorias de Poesia e Conto, que mereceram uma apreciação positiva por parte do júri.
O anúncio dos vencedores e a entrega dos cheques gigantes, no valor de 400 mil meticais a cada um dos galardoados, tiveram lugar na quinta-feira, 8 de Outubro, na cidade da Beira. A cerimónia contou com a presença do escritor moçambicano Mia Couto, patrono do Prémio, e do secretário de Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, entre outras personalidades.
Na categoria de Poesia, Sangare Okapi, com “Utsi”, venceu a concorrência dos restantes quatro finalistas, nomeadamente Julius Kazembe, com “A Rapsódia das Luzes”, Lino Mukurruza, com “Deus na Ponta dos Dedos”, Angelina Neves, com “Nós Todos em Nós”, e Ben Jone, com “Para Espantar o Horror do Tempo”.
Na categoria de Conto, Eduardo Quive, com “Mutiladas”, superou Luís Nhambungué, com “A Gota que Fez Transbordar o Copo”, Bruno M. Areno, com “Diário de um Inútil”, Victorino Ubisse, com “Mataram o Nosso Chefe”, e Ernestino Maute, com “O Epitáfio do Josemar Araújo e Outros Contos do Criador”.
O júri foi constituído pelos escritores moçambicanos Fátima Mendonça, na qualidade de presidente, Adelino Timóteo, José dos Remédios e Teresa Noronha, incluindo a escritora brasileira e estudiosa da literatura moçambicana Vanessa Riambau Pinheiro. Nesta edição, foram registadas 63 candidaturas, sendo 34 para a categoria de Poesia e 29 para a de Conto.
As obras concorrentes foram publicadas por 22 editoras moçambicanas. José dos Remédios, que representou o júri na cerimónia, considerou o Prémio Literário Mia Couto “o prémio literário mais importante de Moçambique”, tendo agradecido aos organizadores pela realização da iniciativa, que é promovida desde 2023.
Por sua vez, o director executivo adjunto da Cornelder de Moçambique, António Libombo, referiu que a empresa espera uma maior adesão do público as próximas cerimónias de entrega dos prémios. Na ocasião, António Libombo agradeceu à Associação Literária Kulemba, parceira do Prémio, e ao patrono, Mia Couto, destacando a importância do seu contributo para a literatura moçambicana e mundial.
“Associar o nome de Mia Couto a este Prémio é também uma forma de reconhecer o seu importante contributo para a literatura mundial. A sua obra leva Moçambique além-fronteiras e inspira-nos a valorizar as nossas histórias e a nossa cultura”, afirmou.
Os vencedores, Sangare Okapi e Eduardo Quive, mostraram-se satisfeitos pelo reconhecimento e louvavam a Cornelder de Moçambique e a Associação Literária Kulemba pela iniciativa. Instituído em Junho de 2023, na cidade da Beira, na presença de Mia Couto, o Prémio Literário Mia Couto foi criado no âmbito das celebrações dos 25 anos da Cornelder de Moçambique, assinalados em Outubro daquele ano.
O PLMC visa homenagear e promover a literatura moçambicana, estimulando a produção literária de qualidade no País e distinguindo anualmente as melhores obras nas categorias de Poesia e Conto. Além do Prémio Literário Mia Couto, a Cornelder de Moçambique promove igualmente outras iniciativas de carácter cultural e desportivo, entre as quais a Légua da Beira, uma prova que reúne anualmente milhares de participantes na cidade da Beira.