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Obras de arte que falam de África

Imagens que lembram a história do colonialismo e as formas de libertação do povo africano estão retratadas em obras de escultura, e o @VERDADE foi até um dos “palcos” de venda desses trabalhos – a avenida Julius Nyerere. Os objectos expostos são muitos, a escolha é variada, e neles estão os usos, costumes e a nossa História. Numa das avenidas mais cosmopolitas da cidade, é possível apreciar um conjunto de obras de escultura e bijutarias com símbolos e imagens do povo africano. São batuques, máscaras, esculturas, brincos, pulseiras, colares e outros objectos feitos com material local, tais como madeira sândalo, rosa, chanfuta, umbila, umbáua, que são adquiridos na província de Maputo, e o pau-preto que provém da Beira.

Samito Munguambe é um jovem natural da província de Maputo, que começou a esculpir aos 17 anos de idade. Expõe naquele espaço há 13 anos, e esta poderá ser também a sua própria história. O seu trabalho é feito numa ofi cina, em casa, e, segundo conta, tem recebido encomendas de clientes moçambicanos, sul-africanos, portugueses e brasileiros. No entanto, ao contrário do que acontece na compra do pano tradicional, a capulana, que já abordámos nas edições passadas, as obras de esculturas são mais requisitadas pelos moçambicanos. “Fazemos diversos tipos de obras mediante os pedidos dos nossos clientes.

Os consumidores nacionais têm requisitado objectos para fazer brindes de casamentos, tais como chaveiros e caixas para jóias. Nessas peças esculpimos os nomes dos convidados da cerimónia de casamento”, explicou Samito Munguambe. Entretanto, os turistas que vêm a Moçambique, quando regressam aos seus países, também adquirem obras com os nomes dos seus familiares e amigos lá gravados. Os restaurantes e hotéis são outros potenciais consumidores destes objectos, pois o que atrai é o facto de se poder “pictografar” os nomes das respectivas estâncias turísticas nas obras adquiridas.

“Djaman” e outras histórias africanas

Samito Munguambe contou a saga da escultura denominada “Djaman”, que demonstra a união das famílias moçambicanas nas décadas ´60-´70, uma história que culminou com a libertação do povo no processo de colonização. As histórias dos grandes chefes tradicionais tais como Ngungunhana, Maguiguana Cossa e outros, também são retratadas. Estes contos tradicionais atraem os moçambicanos e estrangeiros que acabam adquirindo as obras pelo seu atractivo cariz tradicional. Pela beleza deste mosaico cultural tradicional, pode-se dizer que na avenida Julius Nyerere as obras de arte “falam por si”.

O negócio da madeira e pau-preto

Para a execução destes trabalhos, é importante a matéria- prima, uma vez que é sempre ela que determina o preço após a obra realizada. É por isso que os diversos objectos não têm um preço específi co e, por essa razão, o processo de compra e venda é efectuado mediante uma negociação entre o vendedor e o cliente. Segundo Samito Munguambe, o negócio é rentável, embora neste período de campanha eleitoral haja poucos clientes, porque a maioria dos turistas já regressou aos seus países. Não obstante, a partir do próximo mês de Novembro, época em que muitos estrangeiros vêm passar as férias, prevê-se que o negócio volte a ser mais lucrativo.

Dez mil meticais é o valor amealhado por Samito de segunda a sexta-feira, mas o negócio é melhor aos fi – nais de semana quando a venda é efectuada na Feira do Pau, localizada na baixa da cidade. Neste local, o escultor factura 75 mil meticais, que totaliza uma receita mensal de 300 mil. Ainda quanto à compra da matéria-prima, Samito revelou que o pau-preto é mais caro. Um tronco com 25 centímetros de diâmetro e dois metros de altura é comprado por dois mil e quinhentos meticais. A outra madeira está a um preço razoável que varia de mil a mil e quinhentos meticais.

Quanto à valorização dessa arte, pode-se afi rmar que as obras africanas são, realmente, apreciadas pelos moçambicanos e isto é notável fazendo-se uma análise aos preços a que as obras são compradas. Por exemplo, uma escultura “Djaman” é vendida a um turista pelo preço de três mil meticais, enquanto que uma instituição nacional ou um cidadão moçambicano chegam a pagar o dobro desse valor. Afi nal, a arte, mesmo a que refl ecte a nossa História, nem sempre tem um preço justo.

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