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Obama usa cúpula do G20 para pressionar a Rússia sobre a Síria

O presidente dos EUA, Barack Obama, vai pressionar o seu colega russo, Vladimir Putin, acerca da crise na Síria num encontro, esta Segunda-feira, embora dificilmente irá convencê-lo a apoiar uma acção mais incisiva da ONU contra o governo sírio.

Os diplomatas trocaram, última semana, recriminações que evocavam a Guerra Fria, e a cúpula do G20 no México será um teste para as relações entre os dois líderes e para a busca de pontos em comum a respeito da Síria e de outras divergências.

Obama e Putin terão no balneário de Los Cabos o seu primeiro encontro desde que o russo reassumiu a presidência russa, e num momento de tensão agravada na Síria, depois de a ONU retirar, no fim-de-semana, os observadores que deveriam monitorar um fracassado cessar-fogo.

A Rússia é a mais importante aliada externa do presidente sírio, Bashar al Assad, e, junto com a China, usa o seu poder de veto para impedir qualquer acção do Conselho de Segurança da ONU com vistas a interromper a violenta repressão dos últimos 15 meses a um movimento por democracia.

Os esforços diplomáticos ficam ainda mais complicados por causa da disputa eleitoral em curso nos EUA, Mitt Romney, adversário de Obama na luta pela reeleição, recentemente qualificou a Rússia como “nosso inimigo geopolítico número 1”, e da retórica antiocidental adoptada nos últimos meses por Putin.

Esse é um cenário muito diferente do “relançamento” das relações bilaterais com a Rússia que Obama prometeu ao tomar posse, em 2009.

A gravidade das divergências ficou mais clara, semana passada, quando a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, acusou a Rússia de fornecer helicópteros militares de ataque para Assad.

A Rússia reagiu indignada, dizendo que estava apenas a devolver helicópteros enviados para reparos.

“Algumas pessoas estão a tentar estragar a atmosfera dessas discussões”, disse Yuri Ushakov, assessor de política externa de Putin, que queixou-se também de um projecto de lei que tramita no Congresso dos EUA que abriria caminho a punições à Rússia por violações de direitos humanos.

Quinta-feira, Putin citou outro ponto de atrito bilateral, alertando para uma “reacção apropriada” ao escudo anti-mísseis que os EUA pretendem instalar na Europa, e que Moscovo vê como uma ameaça.

Obama pode tentar resfriar a crise, mas também quer ser suficientemente assertivo para não dar munição à oposição republicana que o acusa de ser brando demais com Moscovo.

Já Putin não deve se mostrar disposto a fazer concessões que sejam vistas como sinais de fraqueza, ainda mais para um presidente norte-americano que não tem a reeleição assegurada no pleito de 6 de Novembro.

Ben Rhodes, assessor-adjunto de segurança nacional de Obama, disse aos jornalistas que a intenção dos EUA não é “eliminar a influência russa” sobre a Síria.

A Rússia, por sua vez, deve propor a criação de um “grupo de contacto” que incluiria o Irão, único aliado regional da Síria.

Os EUA são contra qualquer envolvimento iraniano na crise. Ainda assim, Obama terá que agir com cuidado a respeito do Irão.

A Rússia é a anfitriã de uma nova rodada de negociações entre potências nucleares e a República Islâmica a respeito do seu programa nuclear, e Washington espera que Moscovo empenhe-se mais em restringir as actividades atómicas de Teerão.

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