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O visível declínio da população de tubarões em Moçambique

A nível mundial os tubarões encontram-se sob uma pressão crescente por parte da indústria de pesca. Estima-se que sejam pescados pelo menos 100 milhões de tubarões todos os anos e algumas populações de tubarão tenham declinado em 90% devido à pressão causada pela pesca. Para além deste número que resulta da pesca dirigida, estima-se que cerca de 50 milhões de tubarões sejam acidentalmente capturados por ano.

 

A “sobrepesca”, o “finning” (remoção das barbatanas apenas) e a captura acidental representam as maiores ameaças para a população global de tubarões. A importância dos tubarões no ecossistema marinho tem sido largamente difundida numa tentativa de consciencializar a sociedade civil em geral para o problema sério e crescente que é a pesca de tubarão, com principal objectivo de retirar as barbatanas.

 

Os tubarões são considerados os predadores do topo da cadeia alimentar, com poucas ameaças naturais. Apesar da função dos tubarões no ecossistema não estar ainda totalmente esclarecida, acredita-se que estes sejam vitais na manutenção da biodiversidade, da estrutura dos ecossistemas marinhos e que a redução da sua população e até o seu possível desaparecimento irá afectar os ecossistemas de diversas espécies de peixe de modo imprevisível.

Em Moçambique a crescente procura e elevado preço pago por barbatanas de tubarão (cerca de 7000 meticais por kilo) tem levado a que muitos pescadores artesanais estejam a dedicar-se à pesca de tubarão. A carne geralmente é vendida e consumida localmente, e as barbatanas tem como principal destino a venda a intermediários para posterior exportação para países asiáticos.

A carne de tubarão pode até ser prejudicial, pois estes animais são bioacumuladores de metais pesados, e o consumo frequente pode levar a sérios problemas de saúde pública resultantes da exposição a elevados níveis de metais pesados.

As barbatanas de tubarão são exportadas, na maioria dos casos, para países asiáticos como a China e o Japão, onde servem para fazer sopa de barbatana e em muito menor escala medicamentos. A sopa de barbatana de tubarão é um prato sem sabor e pobre em termos nutritivos mas muito procurado nestes países por ser considerado um símbolo de status e prestígio, geralmente sempre presente em ocasiões especiais como grandes banquetes, casamentos, etc, para além das alegadas propriedades afrodisíacas.

Vários são os operadores turísticos ao longo da costa moçambicana que têm testemunhado a pesca de tubarão e o evidente declínio das populações de tubarões nas águas moçambicanas. A práctica de mergulho recreativo tem vindo a crescer a nível mundial, os tubarões constituem cada vez mais um enorme atractivo.

A indústria de mergulho com tubarões gera milhões de dólares anualmente para as economias locais. Os mergulhadores chegam a pagar 75 a 200 dólares americanos por um mergulho com tubarões e raias. Muitas espécies de tubarão e raias são residenciais em determinados locais e porque vivem por longos períodos, um único tubarão pode ser observado por uma série de mergulhadores ao longo do tempo. Em áreas onde o mergulho recreativo com tubarões é possível, esta actividade poderá ser mais rentável do que a exploração de tubarão através do mergulho recreativo, vários locais em Moçambique são publicitados como locais de excelência para a observação de espécies de tubarão.

A práctica de pesca desportiva e recreativa também tem vindo a aumentar a nível mundial e poderá também representar uma opção de exploração rentável, em particular se os pescadores forem incentivados a devolver os indivíduos capturados ao mar. O potencial existe é preciso dedicar esforços e fundos para que passe de potencial a realidade.

Uma breve pesquisa aos artigos publicados nos meios de comunicação, mostra que apesar da fraca capacidade de patrulha das autoridades governamentais, já foram feitas algumas consideráveis apreensões de grandes quantidades de barbatanas de tubarão prontas a ser exportadas, relembrando o caso de “Antilla Reef” em 2008, e agora a recente apreensão de um conjunto de produtos aquáticos desde barbatanas de tubarão a magajojos numa residência no bairro da Coop, em Julho do corrente ano.

É assustador quando se imagina então o que tem sido exportado de Moçambique, o que tem sido ilegalmente pescado sem qualquer controle. É de facto extremamente difícil, senão mesmo impossível falar na importância dos tubarões e na necessidade de conservação a comunidades pesqueiras com pouquissimos recursos, e sem opções de geração de renda. É urgente pensar nestas opções, é urgente criar estas opções ao mesmo tempo que se intensificam os esforços de patrulha e fiscalização nas águas territoriais.

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