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“O projecto estético moçambicano não deve ser descuidado”

“O projecto estético moçambicano não deve ser descuidado”

“Há gente que vem a Moçambique unicamente prospectar carvão e gás natural” – sentenceia, seguramente, Filinto Elísio, contrariando a tendência: “Eu estou a prospectar a massa humana e intelectual local. Vim conhecê-los”. O escritor caboverdiano faz-se intelectual há muitos anos. Na sua efémera estada em Maputo, publicou, em primeiro instante, a sua nova obra poética, “Me_xendo no Baú. Vasculhando o U”. Admirável nacionalista da sua terra-mãe, o poeta possui ideias formais sobre a nação de Mondlane: “Moçambique é moderno não só porque pode fazer aeroportos e portos, nem porque pode exportar os seus produtos, mas porque se pode pensar modernamente”. Falando sobre assuntos essenciais, na cavaqueira que apresentamos ao estimado leitor, expomos extractos do seu intelecto.

@Verdade: Independentemente dos seus objectivos, a sua estada, pela primeira vez, tem o mérito de colocar a literatura cabo-verdiana na capital dos moçambicanos. Como é que está a ser a sua experiência aqui e como é que Maputo o acolheu?

Filinto Elísio: Esta é a minha primeira estada em Moçambique, por isso a minha experiência é complexa: quero perceber todos os sinais do país, as forças vivas dos intelectuais e de toda a sociedade. Não tenho a pretensão de trazer uma compreensão pré-feita sobre esta sociedade que é complexa porque, modestamente, sendo esta a minha primeira vez no país, eu sou virgem em relação ao mesmo.

Sendo virgem de Moçambique reduzo-me ao meu parco conhecimento da complexidade moçambicana, mas, ao mesmo tempo, tenho a grande curiosidade de saber mais e melhor sobre as áreas que me interessam: a cultura, no geral, e, particularmente, a literatura moçambicana na perspectiva livresca, por uma simples razão: Desde a minha infância, a literatura moçambicana – cujos textos acompanharam a minha vivência – entrou na minha vida. Vivi o Moçambique colonial através dos meus pais que eram muito ligados ao país. Eles chegaram a residir cá por causa da produção audiovisual e cinematográfica desse tempo. Sempre nos falavam sobre Moçambique, acerca da sua idiossincrasia, porque apesar do subdesenvolvimento e de um momento de atraso económico, em que a nação esteve, havia alguma dinâmica e um “tesão” cultural. Tudo isto era extremamente encantador para nós.

Por outro lado, por volta dos anos de 1970, tive alguns tios que viveram aqui. Também contavam-me histórias sobre um Moçambique exótico. Um Moçambique de um tempo em que os nacionalistas eram considerados terroristas. Diziam que eles apoiavam os terroristas, uma palavra que carecia da semântica que possui actualmente. E foi assim que a nação moçambicana se construiu na minha mente. Além do mais, eu tive amigos moçambicanos como, por exemplo, o Virgílio de Lemos, já falecido, com o qual me encontrava, de vez em quando, em Paris. Ele falava-me muito sobre este país. Por essa razão, cultivei uma grande admiração em relação aos ancestrais da escritura moçambicana. O meu pai, nacionalista, foi um grande apreciador de poetas da época colonial. Por essa razão, e parafraseando Pepetela, ele via nessa geração da utopia os escritores de Moçambique que tinham um texto desafiante.

Conheço a literatura de alguns escritores moçambicanos e aprecio muito as obras do Mia Couto, no seu labor de montagem linguística que realiza no processo criativo. Mas estimo, sobretudo, o Ungulane Ba Ka Khosa por causa da relação visceral que trava com a literatura. Acho que a moçambicanidade se explode em Ungulane porque ele traz uma moçambicanidade que desafia, em forma de um texto, e não como uma arma de arremesso que traz palavras e imagens endógenas que precisam de ser reincorporadas na sociedade. Ele fala sobre um Moçambique não urbano, neo-colonial, mas profundo, sem deixar de ser um tradicionalista. Ou seja, o Ungulane, sendo um escritor moderno, consegue trazer nos seus livros a tradicionalidade do seu país. Para mim, isso é muito importante.

Nos tempos actuais, tenho acompanhado este dinamismo do Movimento Literário Kuphaluxa, protagonizado pelos meus amigos, perante o qual, como disse, estou numa fase de compreensão. Quero perceber o texto desta geração que possui uma atitude que despoleta mudanças em Moçambique. Tenho estado a acompanhar que o país está a entrar numa fase de infra- estruturação, mas esse pessoal – que se empenha no trabalho artístico e literário – está numa etapa de super-estruturação, em que procura explorar o ideário e o novo pensamento nacional: Ninguém deve ir a uma sociedade infra-estruturada sem ter em conta o seu pensamento e a filosofia desse tempo.

Portanto, este atrevimento dos jovens moçambicanos enche-me de admiração, porque é algo bom e, por isso, gostava que fosse praticado pela juventude cabo-verdiana. Porque vejo nessa atitude – que não gostaria de considerá- la subversiva, para evitar complicações, mas “sub-versiva” – um bom projecto. É dessa dialéctica que vai nascer a nova estética, o novo manifesto, o contraponto que Moçambique precisa para crescer em pensamento. Afinal, o projecto estético moçambicano não deve ser descuidado. E esta juventude, nessa rebeldia, por trás disso, possui um cuidado em relação ao seu país – o que é extremamente importante.

Sem ser paternalista, mas assumindo-me como mais velho, e tendo em conta que há escritores moçambicanos da minha geração, já estabelecidos, convido-os a ver essa nova luz que está a nascer, porque pode ser boa, sobretudo se for incorporada neste novo Moçambique. Moçambique é moderno não só porque pode fazer aeroportos e portos, nem porque pode exportar os seus produtos, mas porque se pode pensar modernamente.

“A minha liberdade precede a arte”

@Verdade: A experiência que estou a ter nesta conversa habilita-me a inferir que estou diante de um poeta em acelerado estado de definição. Como é que define a poesia?

Filinto Elísio: A minha definição sobre a poesia é a própria indefinição. Acho que o poeta está em metamorfose permanente. Sou profundamente antropofágico. Não me assumo como um poeta desta nem daquela escola. O poeta define-se sempre numa procura canibalesca. Eu sou essa metamorfose de tal sorte que cada livro meu é um projecto próprio. Se vou replicar um livro, então, não publico. Cada obra é um momento diferente.

@Verdade: Há sempre um processo formativo do poeta. Como é que foi – ou está a ser – o seu?

Filinto Elísio: É um processo evolutivo porque eu não sou o mesmo de há alguns anos e nem serei o mesmo no futuro. Isso reflecte-se e irá reflectir-se continuamente. As circunstâncias e o meu entorno interagem e eu vou caminhando com os mesmos. Permanente e assumidamente, jamais entrarei em escolas estéticas. Não me enturmarei, porque eu posso estar a fazer uma arte pós-moderna, no entanto se me apetece gerar um soneto clássico – escrevo. A minha liberdade está antes da arte. Eu só me dedico a ela porque tenho a impressão de que potencia a minha liberdade. Se a arte me prende dou-lhe um pontapé. Não preciso dela!

@Verdade: O seu livro “Me_xendo no Baú. Vasculhando o U” cuja publicação ocorreu em Maputo possui um título simbólico. Cada palavra é um signo. Porque recuperou esta ideia de signo?

Filinto Elísio: Não vejo o baú no sentido arcaizante. Para mim, esta peça não representa o guardar algo no sentido de esconder, mas possui a ideia enigmática da criação de uma chave para se abrir alguma coisa. Não gosto de falar sobre o meu livro – isso é tarefa de críticos que devem ganhar algo a executar esta tarefa. De todos os modos, posso dizer que é constituído por alguns cadernos dentre os quais há um sobre Cabo-Verde: “Ó De Ceia Das Ilhas” que é um tributo ao Odisseia de Ulisses, embora no meu livro se tenha sublimado o sentido de cear, comer, jantar.

Num sentido antropofágico, no caderno em referência existe uma crença de que as ilhas devem ser “comidas”, inclusive sexualmente. Fazendo a glosa da odisseia, que é viagem, também quero sorvê-las. O livro tem uma segunda fase que é a produção de um vídeo, em que se declamam os textos que – ao mesmo tempo – são “dançados”. Trata-se de um projecto multimédia que já está feito.

“Sou profundamente crítico à realidade cabo-verdiana”

@Verdade: A sua perspectiva é interessante sobretudo porque, embora tenha uma relação com a vida política cabo-verdiana, como escritor, mantém viva a sua veia artística. Como explicar a sua vinda a Moçambique à luz destes pólos – a sua vida política e a artística. Estará a associar o útil ao agradável?

Filinto Elísio: Eu não desempenho nenhuma actividade política – é bom que isso fique bem claro. Tenho funções no Estado cabo-verdiano. Sou o conselheiro do Primeiro-Ministro. Mas um conselheiro na nossa perspectiva, desta geração que está a transformar Cabo Verde, não é um homem de poder. Os meus conselhos são profundamente críticos à realidade cabo-verdiana. Eu acho que os políticos cabo-verdianos – e, para o desenvolvimento do país, isto é importante – aceitam que os críticos digam o que pensam.

Eu sou conselheiro mas não sou capanga de ninguém. Na mesa do Primeiro-Ministro de Cabo-Verde – e é bom que se esclareça – ele aceita a minha posição de intelectual. Perfeitamente. Não podia ser de outra forma, porque até os anos de liceu, quando nos formámos, o actual Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria das Neves, era um intelectual mas desviou-se e foi para a política. Curiosamente, eu tenho resistido a enturmar-me ou a alistar-me no grupo dos políticos. Não estou matriculado na Política.

E se estou a aconselhar o dito governante é porque, até este momento, na sua maioria, as nossas ideias estão em harmonia. Há, no entanto, uma ressalva no sentido de que se não houver coincidência, não sou obrigado a continuar a fazer o referido trabalho. Neste momento, Cabo-Verde tem a necessidade de juntar as suas energias para produzir o seu desenvolvimento e, modéstia à parte, eu tenho dado o meu contributo para a materialização deste desiderato. De todos os modos, a minha viagem a Moçambique não é política. Há um projecto educativo, no qual acredito, que está a acontecer nos países da CPLP que consiste na criação de escolas voltadas para o multiculturalismo.

E eu desenhei todo o projecto de fundamentação dessa nova abordagem da Educação. É neste quadro que vim a fim de perceber como é que os vários parceiros, em Moçambique, compreendem esta abordagem da necessidade da criação de uma instituição de ensino multilingue e multicultural. É uma escola que vai dar aulas em inglês e em português e que – durante oito anos – terá como disciplinas o chinês e o russo. O objectivo do projecto é reconfigurar a actuação da juventude moçambicana segundo as responsabilidades da dinâmica global actual.

Porque constatámos que no curriculum educativo estamos a ficar atrasados. Sei que no sistema nacional de ensino moçambicano – o ensinamento do francês é obrigatório, mas os formados nessa área só precisam desse idioma para consumir literatura, enquanto os chineses estão a explorar o país, numa situação em que os moçambicanos não falam a língua chinesa: isso é um desafio porque os chineses também devem saber falar a língua portuguesa.

É nesta perspectiva que venho a Moçambique mas, ao mesmo tempo, aproveito para me encontrar com os meus confrades locais. É preciso que se esclareça que não me visto de duas peles – a minha única pele é a de intelectual. Agora, enquanto houver coincidência de pontos de vista, a minha responsabilidade como conselheiro é participar nos programas para o desenvolvimento de Cabo-Verde, sem ser membro do Governo. Não sou político por falta de oportunidade, mas por opção.

@Verdade: O tempo produziu uma herança cultural, com enfoque para esta área da informação, que nos habilita inferir – como se percebe na sua intervenção narrativa – que está a par da realidade moçambicana. Qual é a sua expectativa em relação a esta visita, tendo em conta o que já sabe sobre o país?

Filinto Elísio: Para mim, esta visita tem uma componente prospectiva. Há gente que vem a Moçambique unicamente para prospectar carvão e gás natural. Eu estou a prospectar a massa humana e intelectual local. Vim conhecê-los. E nesta vinda, posiciono-me de uma forma muito humilde consciente de que aprendo mais do que ensino. Venho dialogar e enriquecer-me de Moçambique, porque isso é fundamental para mim. Sinto que na minha trajectória existencial e intelectual me faltava Moçambique. Já andei por todos os lados, mas sentia a falta desta terra. E não é nesta viagem, apenas, que me preencho do Moçambique que preciso, mas é um começo. Estou muito contente de cá estar a ver este mosaico e a sua complexidade.

Moçambique se plantado dá…

@Verdade: O movimento que o Kuphaluxa e as outras organizações moçambicanas de especialidade fazem, no sentido de alavancar a literatura no contexto da CPLP, é interessante. Mas o Cabo-Verde artístico-cultural chega ao nosso país, abundantemente, através da música. Como é que Moçambique chega ao arquipélago cabo-verdiano?

Filinto Elísio: O Moçambique cultural podia chegar a Cabo-Verde de uma forma mais intensa, mas habitualmente chega-nos em três vertentes: a literatura, as artes plásticas e a música. Eu, particularmente, gosto muito da música e dos coros moçambicanos, incluindo essa experiência jovem ligada ao Neo-Jazz e ao Afro-Jazz, porque sou amante do Jazz. Costumo dizer que vivi nos Estados Unidos por causa do Jazz.

A América não me impressionou de outra forma diferente desta. Fiquei naquele país para satisfazer a curiosidade de estar na terra do Jazz. Moçambique tem alguma veia em relação ao Jazz – como acontece na África do Sul. Persegui a trajectória de Hugh Masekela, nos Estados Unidos, onde fui a vários festivais em que ele participou. Eu sou, por isso, um músico frustrado e reposiciono-me no meu irmão mais velho que é compositor.

Entretanto, Moçambique tem o prestígio de ser o país de grandes escritores que ultimamente se bifurcam um pouco em três ou quatro. Há um corredor que liberta apenas esta quantidade, a fim de vender o país só com os mesmos. Eles são grandes escribas – é preciso que se diga – mas o jogo de apresentar ao mundo um número muito limitado faz com que a terra perca um património. Então, algumas pessoas curiosas, como eu, querem vir ver e confirmar que os melhores escritores moçambicanos não são três nem quatro. São 30, 40 ou mais. Nesse sentido, esta minha vinda à nação moçambicana tem esta abelhudice prospectiva.

@Verdade: Como é que analisa o debate literário entre Moçambique e Cabo Verde na actualidade?

Filinto Elísio: É um debate que nós vamos construindo na nossa imagem e na nossa imaginação. Não é dinâmico. Mas, neste momento, a juventude moçambicana já está a cruzar com os escritores cabo-verdianos. Ainda ontem estivemos a falar sobre a Academia Cabo-verdiana de Letras que é a primeira na África Lusófona – é bom que se enfatize – que criámos sem nenhuma arrogância, mas para desafiar os nossos irmãos e os nossos parceiros a fim de possam gerar uma academia sem o sentido de Olimpo, mas como uma forma de exercício, de diálogo, inter-escrito entre escritores que se torna necessário para se dar um salto.

O que eu desejo – isto é uma expressão pura de vontade – é que as autoridades e “os escritores consagrados” deixem fluir esta energia, porque é neste caos energético que vão aparecer, efectivamente, os grandes valores que irão transcender Moçambique. O potencial que há é como a carta de Pero Vaz de Caminha quando chegou ao Brasil: “Se plantando dá”. Moçambique se plantado dá resultados. É precisar plantar na arte e na literatura. Essa sementeira que pode não estar a ser feita deve ser pensada para o bem de Moçambique, dos moçambicanos e para o bem-estar da humanidade.

@Verdade: O seu país possui uma experiência larga na difusão das suas artes no mundo. Existe algum segredo para esta atitude que gera o sucesso cabo-verdiano?

Folinto Elísio: É uma atitude do cabo-verdiano que, antropologicamente, é um cidadão extremamente arreigado ao saber. Em todo o lugar onde estejam, os cabo- verdianos andam com a sua bandeira. Nós vivemos dessa dualidade de estar fechados nas ilhas, estarmos rodeados de mato – o que nos cria um sentido do outro e de transposição. Por isso, sob o ponto de vista antropológico, o cabo-verdiano tem a necessidade de si próprio e do outro de uma forma obsessiva. Todo o cabo-verdiano finca-pé na sua permanência na terra-mãe, mas, ao mesmo tempo, tem uma febre de sair.

Isto obriga que a gente seja, simultaneamente, das ilhas e do mundo. Actualmente estamos a desenvolver o conceito de nação global. Ou seja, o arquipélago é apenas a pequena casa. A nação cabo-verdiana passa a ser o mundo – o que significa que estando na Ilha de Santiago ou em Maputo, na Ilha do Fogo ou nos Estados Unidos, na Ilha da Brava ou na Holanda o nosso cidadão está dentro do mesmo país, na medida em que a sua nação deve ser desenhada à base de um diálogo intercultural entre as comunidades cabo-verdianas no mundo.

Vivemos o que se chama hiper-insularidade: nós não somos ilhas porque possuímos várias comunidades no mundo, onde temos uma ilha maior. No fundo temos duas geografias – em Cabo Verde e no mundo – a partir das quais temos de pensar um Estado capaz de gerir o cabo-verdiano no mundo, a partir de um conceito que não existe e, por isso, inovador: a nação global. Ou seja, os cabo-verdianos devem votar onde quer que estejam. Eles devem investir nas suas várias comunidades.

Desta necessidade também surge um outro conceito: cabo-verdiano da França, cabo-verdiano de Moçambique, cabo-verdiano de São Tomé e Príncipe. Como temos pouca terra e muito pequena, a sobrevivência e o desenvolvimento de Cabo Verde está na sua projecção no mundo. Por essa razão, realizamos um esforço real de expansão comunitária – sem nenhuma conotação negativa – no sentido de que todo o cabo-verdiano que está na diáspora seja um contribuidor no desenvolvimento do país. Então, gostamos que os cabo-verdianos também estejam no estrangeiro. E mais: incentivamos que o cabo-verdiano tenha dupla ou tripla nacionalidade.

Ele vota em Cabo Verde, na Holanda e Portugal. Porquê? Isso influencia muitos processos no mundo a favor do nosso Estado. Os políticos dos países onde as nossas comunidades se encontram importam-se com os cabo-verdianos. Sabem que eles têm um valor acrescido. Esta nação global não tem nada a ver com o Estado caboverdiano, fundando em 1975, porque nasceu muito antes: no século XIX quando os cabo-verdianos começaram a espalhar-se pelo mundo. A nossa nação já existia a partir do momento em que os nossos cidadãos saem do país para outras parcelas da terra afirmando a sua cultura.

@Verdade: Há em resultado disso uma forte interacção entre Cabo Verde e o mundo, se bem que, se olharmos para a história nacionalista dos nossos países, percebemos que esse encontro foi muito forte nos primeiros anos. Como é que, actualmente, os políticos podem influenciar esta aproximação entre as suas nações?

Filinto Elísio: Esta aproximação deve ser feita em dois tabuleiros bilaterais. Temos que continuar a cooperar e a criar parcerias na vertente multilateral no quadro da União Africana, dos PALOP, do CPLP e em todas as plataformas existentes. Como não estou mandatado para falar sobre política, expresso uma opinião puramente pessoal: só nos fortalecemos quando procuramos as convergências. O mundo global é assim, mas é multi-sedimentado.

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