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EDITORIAL: O (péssimo) hábito presidencial

Durante muito tempo, o Presidente da República, Armando Guebuza, destacou-se por causa dos seus discursos vazios de combate à pobreza absoluta e sobre a auto-estima.

Porém, a escassos anos para o final do seu segundo mandato, o PR, como se sabe, tem vindo a ganhar notoriedade por um outro motivo: a alergia a qualquer tipo de crítica, seja da Imprensa, seja da sociedade no geral.

Diga-se em abono da verdade, tornou-se um (péssimo) hábito do Presidente lançar farpas para os críticos da sua governação. A juventude tem sido o principal alvo de Guebuza. Os mesmos jovens que, durante as campanhas eleitorais, são chamados para encher camiões e cantar “vivas”.

No mês passado, no encerramento do Comité Central da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), Guebuza disse que os jovens precisam de deixar de ser fofoqueiros e intriguistas e entregarem-se ao trabalho.

No último domingo, depois de ter acusado os jovens de pretenderem criar amnésia nos antigos combatentes para dar a entender que não era preciso lutar pela independência para libertar o país, voltou a atacar, afirmando que as redes sociais, como o Facebook e o Twitter, têm “o potencial de se transformar em espaços geradores de representações, fábricas de sonhos inalcançáveis e de infinitas miragens e expectativas que podem levar à secundarização da cultura de trabalho, promovendo o espírito de mão estendida”.

Na verdade, o que o PR sente é uma comichão no seu sistema sensorial ao aperceber-se de que a juventude moçambicana está a ganhar consciência dos seus direitos, deixando de ser simples besta de carga, passando a questionar as políticas públicas ou as acções do Governo de turno, além de indagar o destino para qual a nação é empurrada.

Aliás, os jovens já começaram a abandonar as caravanas de discursos falaciosos e cheios de parra e uva nenhuma proferidos por quem se aproveita dessa camada da população para continuar a levar a água para o seu moinho.

Os jovens ganharam a consciência de que durante anos vinham a abdicar da sua responsabilidade e da sua iniciativa política em relação à pátria amada.

Presentemente, deixaram de acreditar em tudo o que reluz como sinal de desenvolvimento, até porque se aperceberam de que o desenvolvimento de um país não se mede pelo sucesso de meia dúzia de empresários ligados ao poder, mas pelo desenvolvimento mental e cultural da população, e pela capacidade de se organizarem para serem protagonistas da luta pelo seu bem-estar.

Além disso, o que incomoda o Presidente é o facto de os jovens terem despertado para a situação dramática em que se encontra o seu país, tendo chegado à conclusão de que os políticos que têm não são exemplos para ninguém, são um verdadeiro perigo público que medram à custa do sofrimento dos moçambicanos.

Qual um político solitário e ferido no seu orgulho, Guebuza gasta a sua munição atirando para todos os lados sem acertar em alvo nenhum.

Ao invés de ministrar “palestras de motivação”, onde pudesse dar aos jovens dicas de como se edifica um património económico em tão pouco tempo, o Presidente da República prossegue indiferente ao eleitor, ao povo, aos jovens e à opinião pública, demonstrando o desprezo absoluto por alguns princípios básicos da democracia.

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