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O papel de Luisa Diogo

O nome de Luísa Dias Diogo, enquanto primeira-ministra de Moçambique, é referido nos telegramas da embaixada norteamericana em Maputo, divulgados pela WikiLeaks, como um dos “actores-chave” na aceitação de subornos para a FRELIMO. Enquanto primeira-ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo “estava altamente envolvida na aceitação de subornos para a FRELIMO”, refere uma fonte não identificada, citada num telegrama confidencial do encarregado de negócios da embaixada dos EUA em Maputo, Todd Chapman, divulgado pelo WikiLeaks.

 

 

No telegrama, datado de 28 de Janeiro de 2010, a antiga chefe do Executivo moçambicano e actual deputada, bem como o director- geral das Alfândegas, Domingos Tivane, são também referidos como sendo “actores-chave” nas pressões que no país são dirigidas contra a comunidade empresarial para obtenção de subornos e participações percentuais.

O correio diplomático norte- americano precisa que o chefe das Alfândegas de Moçambique é conhecido por “pedir e receber abertamente luvas dos importadores”.

Momad Bachir Suleman (MBS), empresário moçambicano muito referido em telegramas da embaixada dos Estados Unidos em Maputo, divulgados pelo portal Wiki- Leaks, como tendo ligações directas com o Presidente da República, foi em Junho acusado pelos EUA de narcotráfico.

Em Moçambique Momad Bachir é conhecido pela sua generosidade para com o partido FRELIMO, ao qual já ofereceu dinheiro publicamente em iniciativas de angariação de fundos.

Precisamente em Maputo, onde tem o seu império empresarial, incluindo o mais moderno centro comercial do país, o Maputo Shopping Center, avaliado em cerca de 28 milhões de euros, Momad Bachir Suleman é considerado o maior mecenas da FRELIMO.

Num leilão para angariação de fundos para o partido, o empresário arrematou pelo equivalente a 24 mil euros o cachimbo que Armando Guebuza, na altura candidato presidencial da FRELIMO, usou quando ainda fumava. E voltou a oferecer-lho.

Alguns anos depois, em mais um evento de angariação de fundos para a FRELIMO, o empresário deu à mulher do Presidente a caneta que Armando Guebuza usou na assinatura do Acordo Geral de Paz em Roma, a qual Momad Bachir também arrematou por 24 mil euros.

A afinidade com o partido no poder está patente no Maputo Shopping Center, que baptizou um dos seus pátios com o nome Guebuza´s Square.

Do empresário Ghulam Rassul Moti (Cm N 3464) não são conhecidas manifestações públicas de apoio à FRELIMO. Mas já há cinco anos o seu nome foi associado ao tráfico de droga na imprensa moçambicana.

Rassul Moti tem negócios na área dos transportes e comércio por grosso e retalho, importação e exportação, em Nacala, província de Nampula, Norte. Em 1995, surgiram notícias que o associaram ao tráfico de droga, nomeadamente para Portugal, e importação ilegal de viaturas.

Reacção de Tivane

Tivane mostrou-se “surpreendido” com as informações divulgadas pelo site WikiLeaks, afirmando ter “andado ´desligado` dos meios de comunicação social” nos últimos dias, pelo que remeteu os comentários aos serviços diplomáticos norte-americanos na capital moçambicana.

“É difícil fazer comentários de percepções”, disse a-propósito dos telegramas enviados aos Estados Unidos pelo então encarregado de negócios da embaixada em Maputo Todd Chapman.

“Se ele puder mostrar as tais empresas, então apresente os nomes”, contudo, “não vou responder a opiniões, com o devido respeito”, concluiu.

Reacção de Chissano

O antigo Presidente de Moçambique Joaquim Chissano negou também qualquer envolvimento com narcotráfico e classificou os documentos divulgados pelo portal WikiLeaks como “mentira grossa”.

“Gostaria de saber em que é que me ligam ao narcotráfico”, disse Joaquim Chissano, garantindo que é tudo mentira e que duvida que a embaixada dos Estados Unidos tenha alguma informação.

“Diz-se que o Manuel Tomé (antigo líder da bancada parlamentar da FRELIMO, partido no poder) recebia dinheiro e que era meu familiar. Nunca foi meu familiar. O que me parece que dão a entender é que estão a tentar meter o meu nome a todo o custo”, afirmou o antigo Chefe do Estado moçambicano.

Reacção da INSITEC

Também a INSITEC mandou um e-mail para a nossa redacção afirmando que “os alegados telegramas diplomáticos são infundados e não correspondem à verdade dos factos” pelo que as “desmente e repudia, de forma peremptória”.

Reacção da embaixada

Sem repudiar ou assumir os documentos, a embaixada norte-americana em Maputo simplesmente condena a divulgação de “informação confidencial e classificada”.

A representação do Governo dos EUA em Maputo diz estar em contacto com governantes de Moçambique para falar sobre o caso dos “telegramas classificados” tornados públicos.

“O que posso dizer é que o Governo americano está em contacto com o Governo moçambicano para falar desses assuntos.

Poscontacto e o diálogo vão continuar”, disse sexta-feira em Maputo o adido para a imprensa e cultura da embaixada norte-americana, Tobias Bradford.

Numa conferência de imprensa concedida semana passada em Maputo, Bradford disse que nem ele ou qualquer representante do Governo americano pode falar sobre detalhes de informações alegadamente secretas, acrescentando que os Estados Unidos continuam preocupados “com as actividades de narcotráfico que entram e passam por Moçambique”.

Questionado sobre se a divulgação da correspondência põe em causa as relações entre os dois países, Tobias Bradford disse: “Trabalhamos duramente para ter uma relação com Moçambique, e com outros países, que possa sobreviver em momentos difíceis.

Há muitos anos que temos uma relação muito construtiva e positiva com o Governo de Moçambique, e esperamos que essa relação vá continuar”.

Reacção da oposição

Os partidos da oposição parlamentar não ficaram indiferentes a estes episódios que sujam completamente a imagem de todos nós, verdadeiras ou não as alegações do portal WikiLeaks, porque doravante exibir o nosso passaporte pelo mundo fora será motivo de atenção redobrada, por parte dos agentes policiais do planeta.

Efectivamente, a RENAMO e o Movimento Democrático de Moçambique, principais partidos da oposição, mostraram- se “preocupados e chocados” com as informações da WikiLeaks.

O secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Ismael Mussá, disse que “a ser verdade é extremamente grave, preocupante e chocante” a denúncia do WikiLeaks, pelo que sugeriu o esclarecimento das autoridades moçambicanas.

“Isto é preocupante. Por isso, neste momento, o que convém e aconselhamos a todas as pessoas é analisarem e verificarem a veracidade desta informação”, disse Ismael Mussá, remetendo para mais tarde o comentário do partido “por falta de dados”.

“Mas as autoridades moçambicanas, refiro-me à Procuradoria-Geral da República e ao Governo, não devem levar muito tempo para reagir a esta informação”, apelou.

O deputado da RENAMO Simone Macuiane também se referiu ao caso como “preocupante”, sublinhando que, na eventualidade de se confirmar a veracidade das informações, “significa que o Estado é controlado por gangster”.

“Isto significará que a sociedade moçambicana vai viver num Estado em que as figuras proeminentes são do mundo de negócios perigosos”, por isso, “é necessário haver esclarecimento”, porque esta situação “não ajuda para o que se quer de Moçambique: que seja um Estado de Direito”, afirmou.

Simone Mucuiane assinalou que a RENAMO “vai seguir atentamente o caso, colher mais dados e dar a conhecer o seu posicionamento” de seguida.

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