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O legado de Woodstock está em debate passados 40 anos

Os hippies de Woodstock queriam mudar o mundo com flores, drogas, paz e amor, mas acabaram sendo mudados pelo mundo. Para as pessoas que participaram do festival de rock em Bethel, ao norte de Nova York, de 15 a 16 de agosto de 1969, o espetáculo anunciava o advento de uma nova era, definida como a fundação da “Nação Woodstock”. Mas a euforia de ontem transformou-se hoje em ressaca porque passados 40 anos não ficou claro se o Woodstock conseguiu mudar alguma coisa.

O professor de jornalismo da Universidade Quinnipiac Rich Hanley explica que o festival marcou, na realidade, o fim – e não o início – da revolução dos anos 60 e da contracultura. “Em 1971, tudo já havia terminado.

As manifestações acabaram. A geração Woodstock saiu em busca de trabalho e o trabalho acabou com a diversão”. Segundo Hanley, “os hippies agora se transformaram em republicanos, perderam o cabelo e mudaram o consumo de LSD pelo Viagra”. No museu de Woodstock de Bethel, o diretor Wade Lawrence disse que a geração das flores não teve de esperar muito antes de voltar à realidade.

Menos de quatro meses depois de Woodstock, em dezembro de 1969, um show parecido organizado no autódromo de Altamont (Califórnia) terminou em uma violenta e alucinada batalha campal. Apesar dos protestos pacifistas, as tropas americanas continuaram lutando no Vietnã até 1973, e um ano mais tarde o escândalo Watergate acabava com a presidência de Richard Nixon.

“Acredito que as pessoas perderam as ilusões”, disse Lawrence. “O tema da paz e amor passou a ser algo pitoresco”, continuou. Muito da lenda de Woodstock – a maconha, o nudismo e o pacifismo – faz rir hoje uma sociedade menos ingênua. Alguns ex-hippies como o fotógrafo Michael Murphree, agora com 56 anos, não se arrependem de sua juventude.

“Paz, amor, felicidade: realmente queríamos isso”, comenta, com um sorriso, enquanto caminha pelo museu. Woodstock deixou, em todo caso, um legado que vai além da música e da vestimenta, além das calças boca-de-sino, que, por sinal, voltaram à moda.

Ironicamente, o resultado mais palpável foi a apropriação da música rock pelas empresas como fonte de renda. Os shows passaram de encontros improvisados a operações que geram grandes somas de dinheiro. “Woodstock mudou a indústria da música”, afirma Stan Goldstein, um dos organizadores originais. “Pela primeira vez, pudemos ver o poder que tinham os artistas para atrair multidões”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, o elemento mais característico e poderoso, uma mistura de mezcla de hedonismo, pacifismo e ativismo político, o que Goldstein chama de “conciência hippy”, se evaporou quase que por completo. A jovem Sarah Duncan, de 26 anos, visitou o museu vestida de hippie, mas admitiu que as pessoas da idade dela não podem compreender o que foi a onda de Woodstock. “Naquela época as pessoas conseguiam ser livres e ter a mente aberta”, disse Duncan.

“Mas não imagino, nem eu nem meus amigos, fazendo isso de novo. No máximo, vão ficar bêbados ou doidões, mas nada de paz e amor”, comparou. Apesar de as tropas americanas estarem combatendo novamente em guerras impopulares, Duncan não consegue imaginar sua geração indo às ruas para se manifestar ou cantar em protesto.

“Agora tudo é mais simples; as pessoas dizem o que pensam, mas não querem manifestar nem fazer com isso obras de arte”, explica Duncan. “Mandam um e-mail coletivo”, resumiu

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