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O Instituto de Cartografia da Machava é impuro

Os estudantes internos do Instituto de Formação em Administração e Cartografia (INFATEC), sito no bairro da Machava, na cidade da Matola, vivem em precárias condições de alojamento, em consequência da degradação daquele estabelecimento de ensino, que há anos não beneficia de obras de restauro. Os instruendos queixam-se das dificuldades de acomodação, da falta de água e luz, há mais de três meses, da alimentação inadequada e da precariedade da higiene, facto que faz com que haja fecalismo a céu aberto. Contudo, a direcção da instituição tem estado a agravar as propinas sem nenhuma comunicação prévia, e os alunos afirmam que não estão a ver nenhum ganho dessa medida.

Os educandos do INFATEC, oriundos de várias províncias do território moçambicano, asseguraram ao @Verdade que estão deveras insatisfeitos com as condições desumanas a que são submetidos enquanto mensalmente desembolsam quantias elevadas para ter um acolhimento digno de seres humanos.

Segundo os nossos interlocutores, que nos falaram sob anonimato, supostamente porque temem represálias, o instituto que frequentam está desguarnecido e nele acontece um pouco de tudo. Para além de que no período nocturno é impossível estudar ou rever as matérias devido à ausência de iluminação, os balneários, os refeitórios e o pátio são uma lástima, facto agudizado pela falta água.

Os estudantes dirigem-se às famílias que vivem nas proximidades da sua escola para ter acesso ao precioso líquido. Os dormitórios são os únicos compartimentos em condições razoáveis, porém, ao invés das casas de banho, os educandos fazem necessidades biológicas num arbusto local quando não é possível recorrer aos vizinhos.

“Há mais de três meses que não temos energia eléctrica e água. Este problema faz com que os estudantes internos vivam de esmola porque o pouco dinheiro que os seus pais e encarregados de educação desembolsam é despendido com as propinas. No presente ano a direcção da escola agravou a taxa mensal, de oito mil para 14 mil meticais, mas não temos uma alimentação equilibrada e com qualidade. Acredito que a comida que é preparada nos nossos refeitórios nem os cães domésticos iriam consumir”, desabafou um dos formandos interpelados pela nossa Reportagem.

Neste momento, as condições bastante deploráveis por que passam os cidadãos que deixaram as suas províncias de origem para vir para Maputo aprender a desenhar, a elaborar e a utilizar os mapas, bem como obter conhecimentos sobre um conjunto de normas e funções que visam o alcance de determinados fins, tais como uma adequada prestação de serviços públicos, atentam contra a sua saúde e concorrem para a falta de motivação para os estudos.

De acordo com os alunos que temos vindo a citar, os 14 mil meticais incluem, dentre outras coisas, o seguro do educando e a acomodação mas nada melhorou desde a altura em que se aumentou a taxa.

“É crítica a realidade vivida pelos estudantes e está a afectar a qualidade de ensino. Eu penso que nos enganámos quando nos inscrevemos neste instituto (INFATEC). Quando reclamamos, a direcção ameaça alguns alunos alegadamente porque são agitadores, mas estamos a exigir a observância dos nossos direitos”, disse-nos um estudante do terceiro, para quem na sua instituição não se faz nenhum trabalho prático recomendado pelos docentes devido à falta de corrente eléctrica.

“A greve foi a única forma que encontrámos para pressionar a direcção a dar-nos alguma explicação face às actuais condições desumanas a que estamos sujeitos. Não faz sentido aumentar o valor das propinas sem que haja melhorias na maneira como os alunos vivem. Nós sentimos que somos desvalorizados e presta-se mais atenção ao dinheiro em detrimento de seres humanos”, afirmou um dos instruendos.

Na passada quinta-feira, 15 de Maio, os educandos observaram uma greve em protesto contra a alegada inoperância da liderança do estabelecimento de ensino que frequentam. A fúria das pessoas que se queixam de estar a receber instrução em condições lamentáveis foi de tal sorte que exigiu a intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM).

Segundo os nossos interlocutores, no dia da greve houve pancadaria entre a Polícia e os alunos. As escaramuças aconteceram numa altura em que a corporação pretendia destrancar o portão que dá acesso ao recinto do INFATEC, isso depois de pedir insistentemente para que a entrada fosse desimpedida de modo a permitir o decurso normal das actividades escolares.

Rejeitado o pedido, os agentes da Lei e Ordem recorreram à força para garantir a passagem do lado de fora para dentro do estabelecimento e vice-versa. De seguida, ouviram-se disparos cuja finalidade era dispersar os formandos que ofereciam resistência.

Entretanto, a par do que tem acontecido em situações similares, alguns estudantes foram agredidos pela Polícia. A nossa Reportagem contactou a direcção do INFATEC para que esta se pronunciasse sobre as queixas dos seus instruendos, mas não foi possível ouvir a directora, Laurinda Guiamba, alegadamente porque não estava disponível.

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