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O impressionista santomense

O impressionista santomense

No passado sábado, dia 20, quatro artistas mostraram os seus trabalhos na casa/ateliê do escultor Gonçalo Mabunda. O convidado de honra foi o artista plástico santomense Eduardo Malé. @ VERDADE conversou com ele.

O convite surgiu através dos amigos Nuno Cunha e Gonçalo Mabunda. Do primeiro Eduardo Malé Fernandes ficou grande amigo quando este passou em serviço por São Tomé e Príncipe.

Em relação ao segundo o interesse pela arte aproximou-os. “O Gonçalo tinha visto uma peça minha e achou muito interessante ter uma exposição conjunta em Maputo”, explica Eduardo Malé Fernandes, artista plástico santomense que no passado sábado é um dos quatro artistas que possuem trabalhos expostos na “Dezoito Trinta e Quatro” da Karl Marx em Maputo, a casa/ateliê do escultor Gonçalo Mabunda.

Esta não é a primeira vez que Malé, nascido a 15 de Setembro de 1973 no arquipélago de São Tomé e Príncipe, mais propriamente na zona da Madre Deus, a um quilómetro da capital, a cidade de São Tomé, está em Maputo.

“A primeira vez que visitei Moçambique foi há 17 anos, na altura era ainda muito novo”, refere como quem lamenta não ter apreciado mais a viagem. E o interesse era bem diferente. “Vim integrado numa série de conferências ligadas ao associativismo e ao seu papel no combate ao HIV. Na altura estava mais virado para outras coisas, mais ligado à sociedade civil.”

O interesse pela pintura na vida de Malé surge aos 20 e poucos anos. “De então para cá, excepto a experiência como professor no ano passado, é o que faço diariamente e permanentemente.”

Hoje, Malé reside em Lisboa, cidade para onde foi há cerca de um ano. “O facto de São Tomé ser uma ilha pequena acabamos por ficar muito limitados sob vários pontos de vista, sobretudo o cultural. Damos a volta e parece que estamos sempre no mesmo sítio. Vim para Lisboa para ver coisas novas, diferentes culturas, alargar horizontes. Para um artista é muito importante sair dali. Costumo dizer que deixei São Tomé em lume brando para depois voltar com novas energias. Estou a fazer um mestrado, mas ao mesmo tempo a conhecer novas pessoas, novos mundos, novas realidades culturais. Tenho percorrido muito o norte de Europa”.

Cinzento Dominante

Para a exposição de Maputo Malé trouxe 13 trabalhos “um número que dá azar.” O santomense classifica-os como “reflexões pontuais sobre vários assuntos, uns que me preocupam mais dada a relevância do que está em causa, outros nem tanto, são coisas mais casuísticas, têm a ver até com o próprio quotidiano e a minha relação com o mundo, com este aspecto de introspecção.”

Com isto Malé quis contrariar um pouco a ideia de que o artista vive na lua, “muitas vezes não é bem assim.” Este aspecto é bem visível na sua obra “O celibatário”. “Foi uma necessidade de me encontrar comigo próprio. Fui casado durante muitos anos e muitas vezes o casamento, que sem dúvida tem aspectos muito positivos, quando não é bem gerido, acabamos por ficar como que prisioneiros. Daí o cinzento e o castanho.”

Malé tem alguma dificuldade em lidar com a pintura abstracta. “Esta aqui (aponta para a obra Saia Branca) é o mais abstracto que consigo realizar. Tentei fugir da forma como o ‘diabo da cruz’ mas ela está lá, na saia branca.” E explica o título: “Quando estou a pintar assaltam-me várias ideias. Depois a que fica mais visível, a que mais salta à vista, é elevada a título.”

E como classifica Malé a sua pintura? “Se estivermos a falar de correntes artísticas se calhar a minha forma de trabalhar tem mais a ver com o movimento modernista do século XIX, ligado ao impressionismo. A forma como a pincelada é trabalhada está muito perto de Manet, Monet, Gauguin.”

À despedida formulou um desejo: “Gostaria de fazer uma exposição aqui, com telas produzidas em Moçambique. Talvez para a próxima vez até porque é muito complicado transportar as peças para aqui.”

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