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O grito da ministra da Saúde não foi à toa, em Maputo houve mais violadores sexuais e maus condutores que o resto de Moçambique

O desassossego da ministra da Saúde, Nazira Abdula, em relação ao aumento das violações sexuais e dos acidentes de viação, entre a antepenúltima e última quadra, parece que não foi sem reflexão nem incauto. Para além dos 130 casos estupro a que ela se referiu, e que Polícia da República de Moçambique (PRM) diz não ter registado, pode-se aferir, numa informação fornecida ao @Verdade pelo Direcção Nacional de Assistência Medica (DNAM), que os maus condutores e prosélitos da violência doméstica abundaram, no período em analise, na capital moçambicana e noutros pontos do país.

Comparando os números de pacientes atendidos nas principais unidades sanitárias apenas da cidade de Maputo, nomeadamente os hospitais Central de Maputo (HCM), gerais de Mavalane e Geral José Macamo, constata-se que 64 pessoas, maioritariamente crianças, foram violentadas sexualmente, o que reforça a necessidade de tomada de medidas arrojadas para estancar o mal. O maior hospital registou 27 casos, seguido de Mavalane com 22 e José Macamo com 15.

Na Matola, capital industrial, o Hospital Provincial de Maputo (HPM) atendeu quatro vítimas abusadas sexualmente, o que eleva para 68 vitimas na província de Maputo, que atendeu um total de 1.412 situações entre agressões físicas e outros acidentes.

A informação fornecida por aquela instituição do Estado não só mostra que a ministra não estava com ressaca das festas quando disse que em duas semanas 130 pessoas foram estupradas no país, como também mostra o quão estes casos são preocupantes, mormente nos hospitais dos centros urbanos, onde se esperava menor incidência, uma vez que as pessoas têm supostamente maior acesso à informação.

Aliás, os acidentes de viação, outro mal que inquieta a sociedade e as autoridades governamentais, aconteceram também em maior número no província de Maputo, no período em análise, com um agregado de 817 casos, e Nampula, com 185. No HCM registou-se três mortes, um em Mavalane e três no Hospital Rural de Vilanculo, onde foram notificados 72 acidentes e 24 casos de violação doméstica.

Em Gaza, onde o Hospital Provincial de Xai-Xai atendeu seis vítimas de estupro, igual número registado no Hospital Central da Beira (HCB), houve 224 casos de sinistros rodoviários que resultaram em 15 mortes.

No Hospital Provincial de Tete deram entrada quatro vítimas de cópula forçada, nove pacientes de abuso sexual e 153 casos relacionados com os acidentes de viação, sem nenhuma morte.

Dos 179 doentes observados no HCB devido a sinistros rodoviários, um morreu devido ao estado grave em que se encontrava e igual número também perdeu a vida nos hospitais de provinciais de Chimoio e Quelimane, onde foram recebidos dois e três vítimas de cópula forçada. No Hospital Rural de Cuamba (Niassa), onde deram entrada cinco pacientes vítimas de violência doméstica, morreu ainda um indivíduos que se envolveu num acidente de viação, num total de 52 casos que chegaram ao conhecimento das autoridades sanitárias.

Muitos casos de estupro são resolvidos, erradamente, na família

Maputo, volta a bater recorde no tange à violência domestica, com 86 vítimas atendidas no HCM, 69 no Hospital Geral de Mavalane, 26 no Hospital Geral José Macamo e cinco HPM.

O Hospital Central de Nampula (HCN) recebeu 22 vítimas, contra seis vítimas no Hospital Provincial de Xai-Xai e igual número no Hospital Central da Beira (HCB).

Os hospitais provinciais de Inhambane e de Chimoio observaram cada duas vítimas de violação sexual, três em Quelimane três, quatro no Hospital Rural de Vilanculo e igual número no Hospital Provincial de Tete.

Outros casos de estupro foram registados em vários hospitais do vasto Moçambique e aqui não arrolados. No geral, esta situação poder transparecer, de longe, que os abusadores sexuais, os maus condutores e os protagonistas de violência doméstica deambulam pelos centros urbanos, onde há supostamente maior vigilância em relação à zonas rurais, mas nem com isso este mal refreia.

No que aos abusos sexuais diz respeito, a DNAM entende que não e estranho a PRM não tenha registado estes problemas, porque tratando-se de crimes contra a hora as vítimas têm procurado em primeiro lugar o atendimentos médico. Todavia, tem havido intervenção da Polícia porque as pessoas acusadas de praticar este tipo de crime devem ser encaminhadas ao tribunal e a os agentes da Lei e Ordem encarregam-se disso em articulação com outros sectores. “Não queremos que fiquem impune”.

Refira-se que Inácio Dina, porta-voz do Comando-Geral da PRM, disse, na terça-feira antepassada, que “a violação sexual é um crime contra a honra” e as pessoas submetidas a este horror “têm receio” de se expor, daí que pode ser normal que as unidades sanitárias estejam a par de mais situações similares em relação à Polícia, porque as vitimas optam por não denunciar e buscam assistência médica.

A DNAM explicou ainda que no meio rural, por exemplo, há gente que resolve situações de estupro entre famílias. Mantêm um problema desta natureza em casa, o que “é errado. É preciso denunciar” o violador para que seja responsabilizado pelos seus actos. “Um pai que faz isso com uma filha não é normal. Deve ser denunciado”.

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