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O discreto apaziguador

O discreto apaziguador

Kgalema Motlanthe

Kgalema Petrus Motlanthe, apesar de ser o presidente em exercício da África do Sul, foi das últimas biografias colocadas à disposição no site oficial do ANC. Inquirido sobre essa pecha, um dos elementos do partido para a imprensa, referiu entre risos: “Estive dez anos a tentar elaborar um CV.”

Mesmo o site da presidência, onde Motlanthe serviu como ministro sem pasta nos últimos dois meses, na página que deveria conter a sua biografia vê-se somente uma fotografia do visado transportando um enigmático sorriso. Finalmente, foi só depois da eleição que o ANC disponibilizou online alguns dados biográficos do seu presidente, embora sem qualquer referência às suas habilitações literárias.

Kgalema Motlanthe nasceu a 19 de Julho de 1949, em Alexandra, um township de Joanesburgo, no seio de uma numerosa família – eram ao todo 13 filhos – da classe operária. A sua infância foi passada naquela bairro pobre de grande cidade e a maior parte da vida adulta em Meadowlands, no Soweto. Ainda na juventude é influenciado pelo Movimento de consciência negra que tem em Steve Biko, o seu herói. No início dos anos 70, enquanto trabalhava para o município de Joanesburgo, é recrutado pelo Umkhonto we Sizwe – braço armado do ANC no combate ao apartheid – com a missão de seleccionar camaradas para treinos militares. Algum tempo depois, esta unidade deixa de ter por objectivo treinar gente, passado então a preparar acções de sabotagem. E enquanto alguns membros desta unidade abandonam o país, Motlanthe e Stan Nkosi mantém-se no interior estabelecendo mecanismos de luta contra o apartheid.

A 14 de Abril de 1976 ambos são presos por tráfico de armas a favor do ANC. No ano seguinte, Motlanthe foi acusado de ter perpetrado actos terrorismo e sentenciado a uma pena de dez anos de prisão efectiva, a ser cumprida na mítica ilha de Robben Island, com vista para a Table Mountain.

Após a sua libertação, em 1987, foi-lhe reservada a tarefa de unir as diferentes facções da luta anti-apartheid. Trabalhou na área da formação na União Nacional Mineiros (NUM, sigla em Inglês). Em 1992, foi eleito secretário-geral desta organização.

A sua ascensão política foi lenta mas firme. Em 1990, quando o ANC foi legalizado, Motlanthe foi chamado para estabelecer as estruturas legais do partido. Nessa altura viajou por todo o país na companhia do histórico Walter Sisulu visitando os principais pontos de violência.

Em 1997, ainda com Nélson Mandela na presidência, foi eleito secretário-geral do ANC, substituindo Cyril Ramaphosa. No mesmo ano, entre outras incumbências que lhe são atribuídas, destaca- se o desenvolvimento de relações entre os partidos da região Austral de África e do mundo. Carinhosamente conhecido como “Mkhulu” – padrinho em Zulu -, Motlanthe é respeitado pelos apoiantes das duas facções rivais do partido, a do ex-presidente Thabo Mbeki e a Jacob Zuma. Segundo o periódico South Africa’s Business Day, ele é visto por muito como aquele que “aglutinou a aliança tripartida formada pelo ANC, o Partido Comunista Sul-Africano e a COSATU, a federação dos sindicatos da África do Sul. Reeleito no cargo em 2002, já em Julho corrente ano, foi designado ministro da presidência, e em Setembro de 2008 presidente interino até às eleições de Maio do próximo ano.

Pouco se sabe da vida privada de Motlanthe. No seu perfil elaborado pelo Governo, no espaço reservado ao Estado Civil, lê-se: indisponível. Contudo, sabe-se que é casado, possui três filhos e uma paixão pelo jazz. Há muito que o novo chefe de Estado da África do Sul deu conhecimento aos jornalistas que gosta muito de preservar a sua vida privada. “Quando entrei para a política, tomei a decisão de nunca envolver a minha família na esfera pública”, sentenciou.

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