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O díficil atendimento no Posto de Saúde do Infulene-A

Os utentes do posto de saúde do Infulene A, município da Matola, estão fartos com a demora no atendimento, que virou prática reiterada naquela unidade sanitária. Para consultar um médico – se existir – às 11 horas da manhã, é preciso fazer-se ao local às 4, uma ginástica que já está afectar a saúde frágil da população.

São 11 horas da manhã de segunda-feira. No pátio do pequeno posto de saúde de Infulene vê-se dezenas de pessoas. Umas sentadas, outras paradas. Na minúscula sala de espera estão ensardinhadas cerca de 50 homens, mulheres e crianças à espera do atendimento, numa prática que se repete todos os dias.

“Esta é a nossa triste sina”, comenta Ivone de aparentemente quarenta anos e residente do mesmo bairro. Visivelmente abatida, a mulher traz ao colo uma criança de quatro anos, enquanto aguarda há cinco horas pela sua vez de atendimento na infindável fila.

A semelhança dela, está Amélia António. “Cheguei às 9 horas. Só espero sair daqui às 14 ou depois”, diz “Estive aqui há uma semana e parei na fila durante quatro horas”. Segundo relatos, os que chegam às 4 horas, geralmente são atendidos às 11. Todos os dias, fica-se em média cinco a seis horas nas filas para consultar o médico, que aparece às vezes.

Todavia, os problemas do posto de saúde do Infulene não se limitam na demora no atendimento, os utentes queixam-se também do atraso na abertura do posto, da falta de respeito dos funcionários e na excassez de medicamentos. “Sou a décima pessoa na fila e só espero ser atendida daqui a cinco horas. O mais caricato é que quando reclamamos, as enfermeiras nos insultam”, contou uma paciente. O horário de atendimento das instituições públicas, vai das 7h30 às 15h30.

Uns com olhares de desalento, desespero e impaciência, aguardando por um atendimento que tarda em chegar, outros estatelam-se no pátio daquela unidade sanitária lamentando a dura realidade por que se encontram votados. Lina Murasse de 45 anos de idade conta que “quando cheguei aqui com a minha neta às 5 horas da manhã era a oitava na fila, mas até agora seis horas depois continuo na mesma. É sinal de que a formatura não anda. O problema é que não posso sair sem os resultados de que estou a espera”.

Tem a palavra a direcção do posto

A responsável do posto, que não quis se identificar, desdramatizou a preocupação dos utentes. “Neste posto não há problemas relacionados com a morosidade. Trabalhamos a todo custo para tornarmos o atendimento um pouco mais célere”, contou a mulher, técnica de medicina geral.

A mesma fonte disse ainda que não obstante estar mais virado para os moradores do bairro do Infulene, há cada vez mais gente oriunda das zonas circunvizinhas a procura dos serviços daquela unidade sanitária.

No entanto, admitiu que as reclamações do não são de todo falsas. Nos últimos tempos, segundo elas, tem havido filas imparáveis de utentes que esperam pelo atendimento. “Nós temos que atender as pessoas consoante a sua posição. A nossa prioridade são os que chegam primeiro, a seguir damos lugar aos últimos”, conta. Mas como não há regra sem excepção, nem sempre o atendimento obedece as filas. Há momentos em que dispensam-se as filas para dar lugar aos pacientes mais graves.

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