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O despertar de um compositor

O despertar de um compositor

Em vésperas do concerto de lançamento do seu primeiro CD a solo, João Carlos Schwalbach fala da música e do espectáculo que já vem adiando há três anos. O músico e compositor moçambicano antevê algo especial e inovador nos próximos dias 9 e 10 de Dezembro.

Quando se fala de espectáculos em Moçambique a fórmula parece ser esta: o músico a cantar em playback, no tocante à camada juvenil. Ou talvez um pouquinho disso: o artista acompanhado por uma banda sem referência a tentar mostrar ao público de que também pode tocar ao vivo. O músico, compositor, arranjista e produtor João Carlos Schwalbach quer dar a volta a esse lugar-comum. E não é preciso ser adivinho para suspeitar que o concerto será inédito.

 

 

Será um espectáculo para quem gosta de música com tudo no seu lugar, a começar pelo cenário. O palco não vai ser igual aos de grandes artistas internacionais, tão-pouco uma cópia barata de um qualquer megaconcerto. Pelo contrário, poder-se-á testemunhar o produto final de quem leva a música a sério.

João Carlos Schwalbach optará, diga-se, por um excesso de inovação, o que vai dar ao concerto de estreia do seu trabalho discográfi co a solo uma característica peculiar e sem precedentes. Não haverá um aparato técnico, mas uma combinação de imagens, som e luzes – quanto baste – para quem aprecia ambientes calmos, intimistas e cheios de cor. O cenário confundir-se-á com os de filmes hollywoodescos, sobretudo os de ficção. Efeitos visuais, muita luz e som.

Os espectadores sentir-se-ão dentro de uma trilha sonora de uma obra cinematográfica. Ou melhor, será como se de uma viagem a um mundo imaginário se tratasse. O espectador vai sentir como se estivesse a entrar numa outra dimensão. O silêncio será quebrado pela originalidade. E tudo baterá certo no cenário: as personagens, o palco, a luz e o som.

O responsável pela grandiosidade do palco é um pintor espanhol e chega nesta sexta-feira ao país. Terá sensivelmente uma semana para colorir o palco do Centro Cultural Franco- Moçambicano (CCFM). Espera-se nos próximos dias 9 e 10 do mês em curso “um show audiovisual” com uma atmosfera radiante e evocativa.

Estarão envolvidas vinte e cinco pessoas na produção, desde os técnicos de som e imagens até os músicos que vão subir ao palco. O som ambiente será do CCFM e vai ser acrescida mais uma dose de decibéis.

Concerto memorável

Schwalbach vai realizar um concerto honesto e entusiasmante. O mesmo vinha a ser adiado há mais de três anos por falta de fundos mas decidiu avançar, embora não tenha conseguido o apoio desejado, pois pretende “mostrar o que se pode fazer com ou sem muito dinheiro”.

O seu repertório revela-se adequado para apresentar um espectáculo memorável e exuberante. Ouvir-se-ão as mais profundas notas dos treze temas que compõem o seu primeiro álbum a solo, “Despertar Vol. 1”. O show é próprio para um público de ouvido apurado. Não é um concerto para quem só gosta de música, mas para as pessoas que “vivem e sentem esta arte” na alma.

Neste concerto de lançamento do disco, João Carlos Schwalbach será acompanhado por músicos como Paito, Carlitos Gove, José e Mozila. E também vai tocar ao lado do pianista brasileiro nascido em Buenos Aires, Pablo Lapidusas. Aliás, Schwalbach contava com a presença de um trio oriundo da vizinha África de Sul, especificamente da Cidade do Cabo, mas por questões de agenda não será possível.

O lançamento do disco acontecerá em dois dias porque “a produção é cara” é há a necessidade de “recuperar o investimento feito”. O dia 9 é o primeiro momento da festa e será uma noite de gala, na qual quase 80 porcento dos espectadores são convidados. O segundo dia será um espectáculo aberto a todos os apreciadores de boa música e os que pretendem embarcar numa viagem musical nunca antes experimentada.

A expectativa do compositor moçambicano é que seja uma “noite inesquecível”, pois trata-se de uma experiência nova na sua vida. “É sempre complicado tocar ao vivo, mas estou animado”. Despertar Vol.1 O álbum “Despertar Vol. 1” marca uma nova fase do actual director musical dos Ghorwane, e não o seu afastamento daquele agrupamento.

“Tenho trabalho a solo desde miúdo”, diz. O álbum contém treze temas originais, apresentados ao vivo na sua primeira aparição pública antes de integrar a banda Ghorwane, em 1992. O mote de todo disco é a soma de uma experiência de vida.

Grande parte dos temas foi composta para os seus progenitores quando contava os dezoito anos de idade. As músicas reflectem o seu estado de espírito: “Fiz o álbum numa fase animada” e revelam todo o seu virtuosismo.

As músicas do seu primeiro CD são uma fusão de várias influências musicais. Há aqui uma mistura perfeita de música clássica, africana, jazz, electrónica, rock, entre outras, que torna o “Despertar Vol.1” um disco único e de referência obrigatória. A sonoridade sinfónica presente nos temas levanos a outra dimensão.

O disco é, diz, o despertar de um artista como uma pessoa adulta e de um músico a solo. O álbum também marca a sua evolução e uma mudança. “É um salto que dei na música para uma nova fase”. Produziu pessoalmente o CD e, numa primeira fase, o músico vai colocar no mercado nacional mil cópias do disco.

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