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Nyusi aumenta electricidade pela 4ª vez em Moçambique, mas desta vez só para os seus “patrões”

Nyusi aumenta electricidade pela 4ª vez em Moçambique

Grafismo de Nuno TeixeiraPela quarta vez Filipe Nyusi aumentou o preço da energia eléctrica em Moçambique, paradoxalmente o aumento que vigora desde o passado dia 1 de Março só afecta aos seus “patrões”, são mais 21 por cento na factura do povo e nenhum aumento para as grandes empresas e mega projectos. Desde que tornou-se Presidente o auto intitulado nosso “empregado” já aumentou este serviço básico mais de 125 por cento.

Este aumento, previsto pelo @Verdade como o primeiro desafio do recém empossado Presidente do Conselho de Administração da Electricidade de Moçambique (EDM), Aly Sicola Impija, aconteceu sem nenhuma informação prévia para o povo porém vários factores tornavam-no numa inevitabilidade como Filipe Nyusi deixou claro no seu Estado da Nação “estável”.

“Não podíamos manter, por exemplo, o custo da energia de uma maneira infinita senão depois seria ingovernável o sistema. Ninguém pode ser alfaiate que compre o tecido por 100, depois a linha e todas as despesa somem 200 e depois vender eternamente a camisa por 120, não há de ser possível e não é essa governação que optamos por fazer”, disse o Chefe de Estado na Assembleia da República em Dezembro passado.

Diga-se que este era o único preço básico que não foi revisto em alta no ano passado mas acontece numa altura em que os moçambicanos ainda não recuperaram o poder de compra perdido desde a descoberta das dívidas ilegais.

O paradoxo é que o aumento, tornado público apenas num pequeno anúncio no diário estatal, é só para os “empregados” de Filipe Nyusi.

Os clientes do pós-pago da EDM vão pagar mais 21 por cento em cada uma das 3 categorias em função da quantidade de quilowatt/hora (kWh) que consumirem.

Na categoria de 0 a 300 kWh a tarifa doméstica passa de 5,46 meticais para 6,63 meticais; a tarifa agrícola aumenta de 3,40 para 4,08 meticais; a tarifa geral passa dos 8,24 para 10,30 meticais.

Para os consumos entre 301 a 500 kWh a tarifa doméstica subiu de 7,73 para 9,39 meticais; a tarifa agrícola passa de 4,84 para 5,81 meticais; e a tarifa geral aumenta de 11,77 para 14,71 meticais.

Os clientes que consumirem acima de 500 kWh irão pagar 9,85 meticais, contra os anteriores 8,11, na tarifa doméstica; 6,36 meticais na tarifa agrícola dos anteriores 5,30; e 16,10 meticais na tarifa geral dos anteriores 12,88 meticais.

Importa no entanto notar que os clientes do pós-pago da EDM estão sujeitos a uma taxa fixa que foi agravada em 25 por cento, de 205,70 meticais terão agora de pagar 257,97 meticais.

Os clientes pré-pagos da EDM, vulgarmente conhecida como Credelec, tiveram aumento em percentagem similar passando o custo quilowatt/hora na tarifa doméstica a custar 8,44 meticais, antes era 6,95; na tarifa agrícola 5,65 meticais, antes custava 4,71; e a tarifa geral subiu para 14,75 meticais, dos anteriores 11,80.

Desde 2015 registou-se uma variação do custo quilowatt/hora em 125 por cento só para o povo

Entretanto o @Verdade apurou que as grandes empresas e os megaprojectos, que são os grandes consumidores de Baixa Tensão, Média Tensão, Média Tensão Agricola, e Alta Tensão vão continuar a pagar as mesmas tarifas de 2017 numa decisão que o @Verdade entende estar relacionada com a tentativa do Governo minimizar o impacto destes aumentos na inflação.

É que o preço da energia tem influência directa nos custos de produção que quase todos os sectores e a sua revisão em alta certamente irá originar a inflação de quase todos os produtos e serviços. Aliás o @Verdade perguntou ao Banco de Moçambique se o Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação de Fevereiro de 2019, que prevê um crescimento da inflação até os 6 a 7 por cento, teria levando em conta o aumento do custo da energia para o povo. Nenhuma resposta foi obtida.

Economista explicaram ao @Verdade que a manutenção do preço da energia durante o ano de 2018 influenciou negativamente não só nas contas da Electricidade de Moçambique mas também no desempenho do sector que registou 0 por cento de contribuição para o Produto Interno bruto, relativamente a uma expectativa de 7 por cento.

Grafismo de Nuno Teixeira

Contas feitas pelo @Verdade indicam que com o 4º agravamento do preço da energia desde 2015 registou-se uma variação do custo quilowatt/hora em 125 por cento e da taxa fixa de electricidade em 137 por cento para o povo moçambicano.

Sustentabilidade do preço minada pelos fornecedores privados de energia e dívidas

O @Verdade tentou saber da EDM, sempre solícita para apresentar desculpas pelo mau serviço que presta ao povo, se com este aumento pelo menos a sustentabilidade da empresa já estaria alcançada no entanto até ao fecho desta edição nenhuma resposta foi obtida.

Recorde-se que em 2018 o Administrador Financeiro da eléctrica nacional, Noel Govene, revelou ao @Verdade que a empresa estava “numa tarifa média de 8 cêntimos por Kwh, para um custo de 10 cêntimos, portanto matematicamente sabemos que 8 não pode cobrir 10 e para a sustentabilidade financeira de qualquer negócio é importante que o que nós facturamos consiga cobrir estes custos”.

A EDM admitiu ainda que embora Cahora-Bassa seja “nossa” desde 2007 a EDM apenas pode adquirir 25 por cento da energia que a Hidroléctrica produz pois a restante é vendida preferencialmente a África do Sul e por isso a Electricidade de Moçambique completa as necessidade energéticas dos moçambicanos através da compra a produtores privados que vendem a energia a preços que são mais do que o triplo do que é cobrado pela HCB.

Além disso existem outras ineficiências da Electricidade de Moçambique como é o passivo acumulado por centenas de instituições do Estado, particularmente o Exército e Polícia, que não pagam as suas facturas há vários anos e em 2018 deviam pelo menos 8,3 milhões de meticais, a Rádio Moçambique que não paga os 37,3 milhões de meticais que deve e até mesmo a Mpesa tem a pagar a EDM 297,6 milhões de meticais, de acordo com as Demonstrações Financeiras do exercício de 2017.

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