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Número de mortos por terremoto na Nova Zelândia chega a 75

Número de mortos por terremoto na Nova Zelândia chega a 75

Agentes de resgate trabalhavam esta quarta-feira em busca de sobreviventes do terremoto que atingiu Christchurch na véspera, guiados por sons de choro e gritos. O número de mortos subiu para 75 e dezenas de pessoas estavam desaparecidas. As equipes tiveram que executar amputações para libertar alguns dos 120 sobreviventes até agora retirados dos destroços após o forte tremor que abalou a segunda maior cidade do país na hora do almoço.

O número de mortos deve aumentar ainda mais. “Estamos a receber mensagens de texto e rastreando sons dos sobreviventes, e esse é o nosso foco no momento”, afirmou o comandante da polícia, Russell Gibson, à rádio New Zealand.

As operações de resgate no prédio que abrigava uma emissora de televisão e uma escola de idiomas foram suspensas, informou a mídia local. Mais cedo, autoridades disseram que 15 pessoas haviam sido encontradas com vida e que os agentes estavam trabalhando para resgatá-las. Porém, a rádio New Zealand informou posteriormente, segundo uma autoridade dos bombeiros, que os relatos não eram verdadeiros e que os funcionários do resgate foram enviados para outro edifício.

Cerca de 300 pessoas estão desaparecidas um dia depois do terremoto, disse o prefeito Bob Parker, mas não estava claro se alguns estariam apenas com dificuldades de entrar em contato com amigos, familiares e autoridades devido às falhas na comunicação. Antes, Parker disse que até 100 poderiam estar sob os escombros.

As autoridades identificaram 55 corpos e ainda há 20 para serem identificados. O número de vítimas fatais certamente aumentará, já que o esforço se concentra na busca frenética de sobreviventes, antes da recuperação e identificação das vítimas fatais. “Há corpos espalhados nas ruas. Eles estão presos nos carros, esmagados sob os escombros”, afirmou o comandante Gibson.

O tremor de magnitude 6,3 – o segundo a atingir a cidade turística em menos de cinco meses– ocorreu na hora do almoço local. Ruas e lojas estavam muito movimentadas, e os escritórios ainda estavam ocupados. Esse foi também o mais letal desastre natural no país desde 1931, quando um sismo em Napier (norte) matou 256 pessoas.

O prefeito Parker descreveu a cidade como uma zona de guerra, decretou estado de emergência e ordenou que o centro fosse isolado. Soldados em blindados patrulham as ruas. Christchurch é considerada um pedaço da Inglaterra no Hemisfério Sul. Tem uma famosa catedral, agora praticamente destruída, e um rio chamado Avon — como na Inglaterra.

A cidade tem muitos edifícios históricos, construídos em pedra, e também é frequentada por estrangeiros que desejam aprender inglês e por turistas que a usam como trampolim para excursões pela Ilha Sul da Nova Zelândia.

Albergues foram instalados em escolas e numa pista de corridas. Helicópteros foram usados para debelar um incêndio em um prédio de escritórios, e um guindaste serviu para ajudar trabalhadores retidos em outro imóvel. “Eu estava na praça bem em frente à catedral – toda a fachada caiu, e tinha gente correndo de lá. Havia gente do lado de dentro também”, disse John Gurr, técnico de câmera que presenciou o tremor.

A cidade foi abalada por mais de 50 réplicas desde o terremoto inicial de magnitude 6,3, derrubando mais edifícios. Imagens aéreas de TV mostraram casas elegantes em ruínas nos subúrbios, e estradas isoladas por barreiras. Estados Unidos e Japão ofereceram ajuda, e a Austrália enviou 148 especialistas em resgates, inclusive com cães farejadores.

A rainha Elizabeth, da Grã-Bretanha, manifestou solidariedade e disse estar “chocada” com o terremoto. Christchurch está edificada num terreno de lodo, areia e cascalho, sobre um aquífero. Num terremoto, a água sobe, misturando-se à areia e transformando o solo em um pântano que engole ruas e carros. Em setembro do ano passado, outro terremoto havia sido mais forte (magnitude 7,1), mas aconteceu num horário de menor movimento e não provocou mortes.

O tremor desta vez foi mais raso, o que o tornou mais devastador. O epicentro foi cerca de 10 quilômetros a sudoeste da cidade. A Nova Zelândia fica entre as placas tectônicas do Pacífico e Indo-Australiana, e tem em média 14 mil terremotos por ano, dos quais cerca de 20 costumam passar da magnitude 5.

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