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Numa cerimónia tumultuada, Maduro toma posse na Venezuela

Nicolás Maduro tomou posse, esta Sexta-feira (19), como presidente da Venezuela, numa cerimónia tumultuada e sem a presença da oposição, que não reconheceu a sua vitória nas apertadas eleições de Domingo.

Maduro, que já era o presidente interino da Venezuela desde a morte do líder socialista Hugo Chávez, a 5 de Março, recebeu a faixa presidencial de uma das filhas do antecessor.

“Juro hoje, 19 de Abril, pelo legado eterno dos Libertadores, por Deus, por Cristo redentor, pelo povo da Venezuela, pela memória eterna do comandante supremo (Chávez), que cumprirei e farei cumprir esta Constituição”, disse Maduro, um ex-motorista de autocarro e ex-sindicalista de 50 anos.

Minuto depois, um desconhecido interrompeu o seu discurso ao subir no palanque e arrancar o microfone da mão do presidente. O jovem de casaco vermelho tentou pedir ajuda a Maduro, mas foi afastado do local.

“A segurança falhou totalmente, podiam ter me dado um tiro aqui facilmente”, queixou-se Maduro, depois de passar por esse momento de tensão diante de 17 dignitários estrangeiros, incluindo a brasileira Dilma Rousseff, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o cubano Raúl Castro.

Maduro venceu as eleições de Domingo com menos de 300 mil votos de vantagem sobre o rival Henrique Capriles, que solicitou uma recontagem total voto a voto, um pedido acatado parcialmente na noite da Quinta-feira pelas autoridades eleitorais.

O clima político continua polarizado na Venezuela. Uma parte dos moradores de Caracas comemorou a posse de Maduro soltando rojões, enquanto outra bateu panelas como forma de protesto. Capriles havia pedido a seus seguidores que, na hora da posse, tocassem salsa a todo o volume, e batessem panelas.

“Que se escute esse ‘salserolaço’ em toda a Venezuela. A voz do Povo! O governo ‘enquanto isso'”, escreveu Capriles no Twitter.

O líder oposicionista, que solicitava uma recontagem total dos votos, acabou aceitando a solução oferecida pelo Conselho Nacional Eleitoral: abrir uma amostra representativa com 12 mil caixas que contêm comprovantes emitidos por urnas electrónicas, e ao mesmo tempo ampliar a auditoria electrónica para 100 por cento das atas de votação.

Capriles solicitava a recontagem de todas as cédulas impressas. O CNE não informou quando a auditoria será iniciada, mas disse que ela irá durar cerca de um mês.

“Temos uma mesma história há 200 anos … com segurança agora vai se aprofundar um trabalho conjunto para o bem dos nossos povos”, disse o presidente boliviano, Evo Morales, ao chegar a Caracas.

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