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Novos dados indicam 11.5% de seroprevalência no país

Um estudo divulgado, na passada quarta-feira, em Chókwè, Província de Gaza, revela que homens com escolaridade de nível superior têm duas vezes mais parceiras sexuais (12.2%) em relação aos de nível secundário (5.8%). Esta realidade vem comprovar uma alteração no paradigma que se tinha construído em torno do HIV em Moçambique, uma vez que frequetemente associa-se a doença à falta de informação, num país onde 52 por cento, dos seus mais de 20 milhões de habitantes são analfabetos.

Intitulado “Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre o HIV e SIDA em Moçambique (INSIDA 2009)”, o estudo de mais de 300 páginas, constitui o mais recente levantamento nacional de base sobre a situação da epidemia no país. O mesmo revela que a taxa de seroprevalência nacional é de 11.5 por cento, contra os anteriores 15 e 16% que vinham sendo conhecidos nos anos anteriores. Entretanto, estes dados não significam necessariamente que tenha baixado a propagação da doença em Moçambique.

A verdade é que, anteriormente, a informação sobre a pandemia era recolhida em 36 postos-sentinela ao redor do país, e baseava-se em dados de gestantes que faziam pré-natal. O INSIDA-2009 inquiriu e testou voluntariamente 6.232 agregados familiares, dentre homens, mulheres e crianças, dos 0 a 64 anos de idade. Até 2009, 1.9 milhões de moçambicanos com idade entre 15-49 anos de idade viviam com o vírus HIV. As mulheres, com 13.1 por cento do total, são as mais afectadas, contra 9.2 por cento dos homens.

A província de Gaza é a mais atingida, com 25.1% de taxa de seroprevalência – daí que as cerimónias centrais da comemoração do Dia Mundial de Luta contra à Sida tenham decorrido naquela província. Na ocasião, o primeiro-ministro moçambicano, Aires Bonifácio Ali, mostrouse bastante preocupado com estes dados, tendo assegurado que o Governo vai continuar a implementação do III Plano Estratégico Nacional de Combate ao HIV e Sida, e apelou “ao apoio dos principais parceiros de financiamento, apesar da crise financeira mundial que assola as principais economias mundiais.”

Por que Gaza no topo?

O INSIDA 2009 faz uma abordagem dos factores que justificam os elevados índices da doença em alusão na Província de Gaza. A cultura de trabalho nas minas de ouro e diamante na vizinha África do Sul, país de grande seroprevalência; a multiplicidade de parceiros sexuais; e o facto de ser atravessada pelo corredor rodoviário de Maputo são alguns dos pontos. Uma outra prática que propicia a propagação do HIV, não abordado pelo estudo, mas várias vezes referenciado pelos estudiosos, é a prática do “ku tchinga”.

Com base nesta prática, quando um homem morre, a sua esposa casa, automaticamente, com o irmão mais novo do malogrado. Impacto económico O Relatório Nacional de Desenvolvimento Humano, na sua edição de 2007, abordou o impacto do HIV-SIDA no desenvolvimento económico de Moçambique e concluiu que uma vez que a pandemia afecta mais a população economicamente activa (15-19 anos), poderá reduzir o crescimento económico per capita na ordem de 0,3 a 1,0% por ano.

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