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Novo presidente do Egito fez juramento ao povo

O presidente eleito do Egito, o islâmico Mohamed Mursi, fez um discurso de posse informal, esta Sexta-feira (29), diante de dezenas de milhares de apoiantes na Praça Tahrir, no Cairo, numa afronta aos generais que tentam limitar o seu poder. “Juro por Deus que protegerei sinceramente o sistema republicano e que respeito à Constituição e o império da lei”, disse Mursi perante a reacção entusiasmada da multidão, grande parte da qual era de seguidores da sua outrora proibida Irmandade Muçulmana.

“Cuidarei dos interesses do povo e protegerei a independência da nação e a segurança do seu território”, disse o barbudo Mursi, vestindo paletó e camisa aberta no colarinho.

Mursi deve tomar posse oficialmente, este Sábado, diante da corte constitucional, e não diante do parlamento, como de hábito.

Este mês, a corte dissolveu a Câmara baixa, dominada pelos islamistas, como parte de uma série de medidas para garantir que os generais, que assumiram no lugar do líder deposto Hosni Mubarak, manterão pulso firme nos assuntos egípcios mesmo depois de Mursi ter sido empossado.

“Não há poder acima do poder do povo”, disse ele. “Hoje vocês são a fonte deste poder. Vocês dão e retiram este poder de quem quiserem”.

O seu discurso desafiador foi uma clara provocação ao Exército, que também diz representar a vontade do povo. O engenheiro, de 60 anos, dirigiu-se “aos muçulmanos e cristãos do Egito” e prometeu-lhes “um Estado civil, nacionalista e constitucional”.

Mursi também prestou homenagem a um clérigo militante egípcio preso nos Estados Unidos. “Vejo a família de Omar Abdel-Rahman em Tahrir”, disse. “E vejo os cartazes das famílias daqueles que foram encarcerados pelos militares”.

Ele prometeu trabalhar pela soltura dos prisioneiros, incluindo Abdel-Rahman.

Transição intermitente

Dezenas de milhares de egípcios saudaram a chegada de Mursi na praça, o centro nervoso do levante anti-Mubarak. “Falem alto, egípcios, Mursi é o presidente da República”, entoavam. “Uma revolução completa ou nada. Abaixo, abaixo o governo militar. Nós, o povo, somos a linha vermelha”.

O conselho militar que tirou Mubarak do caminho a 11 de Fevereiro de 2011 supervisionou uma transição caótica e intermitente desde então, realizando eleições parlamentares e presidenciais mas na prática negando o seu desfecho para preservar o seu próprio poder.

“Aceitamos que o parlamento esteja dissolvido?”, os agitadores do Partido Justiça e Liberdade (PJL), da Irmandade Muçulmana, indagavam ao aglomerado na Tahrir. “Não”, troavam em resposta os partidários.

Mursi foi declarado presidente, Domingo passado, uma tensa semana depois da segunda volta do pleito na qual derrotou por pouco o ex-chefe da Aeronáutica Ahmed Shafik, último primeiro-ministro de Mubarak.

Depois de ser empossado como primeiro presidente civil democraticamente eleito do mais populoso Estado árabe, Sábado, Mursi falaria na Universidade do Cairo, informou um comunicado presidencial.

Centenas de manifestantes estão acampados na Tahrir há semanas para pressionar o Exército a transferir o poder aos civis.

“Estou aqui para dizer ao conselho militar que nós, o povo, elegemos o parlamento, então somente nós, o povo, podemos dissolvê-lo”, disse Intissar al-Sakka, professora e membro do PJL.

O conselho militar vem prometendo há tempos entregar o poder ao próximo presidente a 1 de Julho, mas as fontes do Exército disseram que a cerimónia foi adiada, sem dar um motivo ou uma nova data.

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