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Novo BI problemas antigos

No ano passado quando o governo anunciou a entrada dos Bilhetes de identidade biométricos e as facilidades na sua aquisição, a sensação foi de alívio, pelo menos até as primeiras duas semanas das emissões. O resto passou a ser o cenário que se segue.

No pequeno recinto da administração do distrito municipal Kamavota, um dos locais credenciados para tratar os bilhetes de identificação na capital do país, estavam mais de 200 pessoas entre homens, mulheres e crianças. Uns sentados no chão debaixo de uma árvore enorme, outros de pé encostados à parede do edifício, todos exaustos, desesperados e aborrecidos.

“Não é para menos, frequentamos este local desde Novembro passado e ainda não conseguimos obter o documento”, disse um munícipe, num ambiente difícil e que se repete diariamente com mais episódios dramáticos, a mercê da letargia e corrupção do sistema ali instalado.

Diariamente, dizem os utentes, os trabalhos começam quase três horas depois das 7h30 e terminam as 15h3o. Os técnicos demoram muito a chegar e com as máquinas. @Verdade testemunhou a vinda dos peritos as 10h33 desta segunda-feira. Um dos funcionários afirmou, que os aparelhos são trazidos da cidade por uma brigada móvel, dado que os computadores locais sumiram num assalto que aconteceu há dias no posto.

Pelas estimativas, atendem-se menos de 100 pessoas por dia. A directora do posto Kamavota refutou os cálculos, mas não deu outra versão. Disse apenas que existem meios apropriados para tal. “Não faz sentido que comecem a trabalhar tarde e largar cedo. É por essas e outras que nunca se cumprem as metas neste país.

Não há seriedade no trabalho e muito menos cultura de prestação de contas. Todos querem ser chefes”, considera Eduardo Kholoma, um funcionário público que estava no local a pagar impostos. Kholoma já tem o BI biométrico e diz ter tratado no mesmo posto quatro dias depois e demorou um mês para receber.

Enchentes

Enchentes e filas longas são o denominador comum nos postos de emissão dos BI. Nalguns locais chegam a ser três ou quatro. Mas nem todas servem para tratar o documento, outras tem a ver com as fotos para matrículas, bem como o recenseamento militar.

Apesar de nalguns haver a regra de fornecer senhas para facilitar o processo, a organização é difícil por causa da corrupção. “Os funcionários não atendem bem porque dizem querer refresco. Eu tratei o documento depois de pagar 250 meticais a um conhecido dois dias depois”, confessa aliviada Laura Augusto, de 39 anos residente de Laulane.

Quem não tem meios é obrigado a vir cedo. “Vim as três horas e consegui o segundo lugar na fila”, disse outro munícipe, palavras que viemos a confirmar as 11 horas da segunda-feira, quando chegamos no distrito urbano número 3, bairro da Malhangalene, onde uma funcionária aconselhou-nos a regressar no dia seguinte, as quatro horas.

Gente deitada no soalho empoeirado, nos muros em redor, concretamente do outro lado da estrada porque já não há espaço no edifício principal foi o cenário mais visível. “Há uma semana que venho aqui. Só me resta trazer o farnel para o almoço”, afirmou um utente. Tal como noutros pontos de emissão, no posto da Malhangalene é quase impossível obter um BI sem sobressaltos.

“Estamos a recuperar as informações das máquinas roubadas. Paramos de 16 a 23 de Dezembro e frequentemente registamos falta de energia eléctrica. As pessoas que quiserem tratar o BI devem se dirigir a sede do distrito. Fica no bairro Maxaquene “C”, disse um funcionário.

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