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Nobel de economia é de dois americanos, entre eles a primeira mulher

O Prêmio Nobel de Economia foi concedido esta segunda-feira aos americanos Oliver Williamson e Elinor Ostrom, a primeira mulher a ser recompensada, por seus trabalhos distintos mostrando que a empresa e as associações de usuários podem ser mais eficazes que o mercado. Estes estudos são particularmente atuais, em meio ao intenso debate sobre a melhor organização dos mercados financeiros e da economia mundial, além das discussões da proteção do meio ambiente e dos recursos naturais, assunto principal do estudo de Elinor Ostrom.

“Eles querem compreender organizações que não são mercados. Eles mostram como estas instituições resolvem os conflitos”, cumprimentou Tore Ellingsen, membro do comitê Nobel, durante o anúncio do prêmio à imprensa. Estas recompensas confirmam o favoritismo dos americanos no Nobel de Economia, que ficaram com 45 dos 64 totais entregues desde 1969. Em 2009, os americanos receberam 11 dos 13 prêmios do comitê Nobel, entre eles o presidente americano, Barack Obama.

Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana (centro), “demonstrou como a propriedade comum podem ser administrada com eficácia por associações de usuários”, destacou o comitê. Ela questionou “a ideia clássica segundo a qual a propriedade comum é mal administrada e deve ser assumida pelas autoridades públicas ou o mercado”, lembrou o comitê, que dedicou este ano o prêmio pela primeira vez a uma mulher, desde 1969.

Com seus inúmeros estudos sobre a gestão por grupos de usuários dos recursos em peixes, pecuária, florestas ou lagos, a premiada americana mostrou que sua organização era frequentemente melhor do que a teoria econômica acredita, destacou o comitê. “Minha primeira reação foi de uma grande, grande surpresa e de reconhecimento. Ser escolhida para este prêmio é uma grande honra e ainda estou meio chocada”, disse Ostrom, que é mais considerada especialista em ciências políticas, por telefone, ao comitê e à imprensa.

“A recompensa da americana coincide com os problemas atuais enfrentados pelo mundo, sobre a maneira como administrar a exploração desordenada dos oceanos, o aquecimento climático e outros problemas ambientais ligados ao fato de que muitas pessoas usam recursos em demasia”, disse à AFP Timothy Van Zandt, professor de economia da INSEAD, perto de Paris.

Oliver Williamson, da Universidade californiana de Berkeley (oeste) e nascido em 1932, foi recompensado por sua análise da governança econômica, principalmente as fronteiras da empresa. A teoria dele explicou que a empresa se impôs como modelo econômico dominante, porque facilita a gestão dos conflitos e reduz os custos graças à hierarquia, melhor que os mercados onde dominam frequentemente as negociações e os desacordos.

O inconveniente, destacado pela teoria da organização de Williamson, é que a autoridade pode ser abusiva, observou o comitê Nobel. A questão da organização interna das empresas e do bom funcionamento dos mercados foi projetada ao centro da cena pela crise econômica, que relançou o debate sobre a responsabilidade, as remunerações e a medida da eficácia. Estas questões estão, por exemplo, no centro da controvérsia sobre os bônus dos banqueiros e dos traders.

Oficialmente denominado “Prêmio do Banco da Suécia em ciências econômicas em memória de Alfred Nobel”, o Nobel de Economia, é o único que estava previsto no testamento do industrial e filantropo sueco Concedido desde 1969 e financiado pelo banco central sueco, ele funciona exatamente como os demais prêmios com um comitê e uma doação de 10 milhões de coroas (970.000 euros), dividido entre os dois premiados.

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