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Toma que te dou: Nesta noite que vos dou com peito Também vos dou com alma

Nesta noite em que estou sozinho recebam-me nas vossas almas

Porque estou entre os peixes do mar, como esteve também o Martinho de Avila, o Martinho Davila e o Milton Nascimento, que cantava esta música bonita sobre os peixinhos do mar que lhe ensinaram a nadar.

E ele dizia: quem me ensinou a nadar! E ele próprio respondia: foram os peixinhos do mar. E eu estou aqui. Sem o Mangoba e sem o Pondleka e sem o Matangalane Boby e sem o Tsungu Thsoni, que é o pai do Alípio Cruz, o Otis e sem o Tsungu Max e sem Guisseveni e sem o Babarriba e sem o Nindoi e sem o Zé da Broa e sem o Djeko e sem o Feola e sem todos esses que hoje me castigam a alma com muito amor e carinho.

Lembrei-me de todos esses e de outros de quem não me vou lembrar agora mas que os tenho no peito. E estou sentado aqui, outra vez, agora como sempre, no Toc-Tic, sem ninguém, sem aquela mulher cega, acerca de quem vocês me perguntaram: Alexandre, quem é aquela mulher de quem falaste naquele teu Toma Que Te Dou? E eu não vos respondi, nem vos respondi nada, porque as respostas estão convosco.

Agora dizem-me para ir dormir, porque também, como Jesus Cristo, tenho direito ao sono. E não serão vocês que me vão dizer que Jesus não podia dormir porque era Deus. E replico: Jesus não era Deus, porque se fosse Deus, não veneraria o Seu Pai.

Até porque hoje não vim aqui para falar sobre o Altíssimo, pois, se fosse para isso, havia de me lembrar do dia em que o David, através da sua vertiginosa poesia dizia: o que me magoa é que o Altíssimo já não é o mesmo. E tu não sabes disto, porque não foste iluminado, não és iluminado, e nunca serás iluminado.

És fosco como todos os miseráveis, aliás, és insignificante como todos os cadáveres, que estão à espera, debaixo da terra, das carcaças dos nossos corpos. És como essas minhocas. És uma minhoca. Nunca serás nada. Não existes, porque nunca exististe.

E já te disse muitas vezes que eu não sou daqui. E tu és um nenhumano. Agora deixa-me estar com os meus ídolos. O Fela Kuti e o Hugh Masekela e o Eric Clapton e o B. B. King e o Solomoni Ndlovuy e a Judith Sephuma e o Chico António e o Salimo Muhamed e o Gimo Remane e Zena Bacar e o Salvador Maurício e o meu idolíssomo Tony Django.

Queres mais o quê?! Não tenho tempo para falar contigo porque não tens capacidade, nem para cair para um lado, nem para o outro. Estás numa calçada Divina e nem te apercebes disso e nunca te vais aperceber porque és um nenhumano. Percebeste?

Mas como é que vais perceber sem nem ouves? Ao menos que ouvisses! Tens dois ouvidos, e quem tem dois ouvidos enferma de falta de sabedoria. E eu não tenho mais tempo para ti. Deixa-me, apesar de estar revoltado contigo, apesar de eu te amar muito, deixa- -me ir embora, dormir por debaixo de um dos maiores versos do Salmos: Cap. 27, verso 8

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