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NBA: Phil Jackson, o adeus de um maverick.

Em 1975, dois anos depois de ser campeão pela segunda vez nos Knicks (enquanto jogador), Phil Jackson escreveu um livro chamado “Maverick” (“Rebelde”, em português). Nessa altura era assim que se sentia: um rebelde, no basquetebol e na vida. Dizia-se incapaz de alguma vez ser treinador na NBA – os egos dos jogadores eram um problema que não ia ultrapassar.

Parece ironia, até impossível, que o homem que acabaria por levar Michael Jordan e os Chicago Bulls a seis títulos da NBA e Kobe Bryant e os LA Lakers a outros cinco tenha pensado que isto de ser treinador não era vida para ele.

Jackson foi um líder, capaz de gerir um balneário apenas com o silêncio, de se impor pela calma (a alcunha de Zen Master não é coincidência). O gigante nascido no Montana foi isso tudo, mas deixou de o ser no passado domingo (8).

Os Los Angeles Lakers, bicampeões em título, espalharam-se ao comprido nas meias-finais da Conferência Oeste, com os Dallas Mavericks.

Humilhados, arrasados, desgraçados: quase todos os adjectivos menos simpáticos servem para classificar a prestação de Kobe Bryant e companhia nesta série. Pau Gasol foi o principal alvo de adeptos e comentadores: o espanhol, que começou a época a jogar como um MVP, mal apareceu em jogo. Começou aí o colapso de uma era vitoriosa em LA.

Dallas foi mais equipa. Dos líderes Dirk Nowitzki e Jason Kidd aos suplentes Jason Terry, J. J. Barea e Peja Stojakovic (que juntos marcaram 75 pontos no último jogo), tudo funcionou na perfeição. Os Mavs despejaram triplos a um ritmo alucinante.

E os Lakers nada mais conseguiram fazer senão observar. Até que desistiram. Não foi bonito: Lamar Odom deu os primeiros sinais de revolta quando empurrou Nowitzki. E foi excluído. Andrew Bynum fez ainda pior: quando Barea seguia para o cesto deu-lhe uma cotovelada no peito. E também foi excluído.

O campeão saiu vergado, humilhado e mergulhado num mar de vergonha. Resumindo: não saiu como um campeão. A derrota por 122-86 confirmou uma eliminação histórica. Com 0-3 a favor de Dallas, as probabilidades de os Lakers darem a volta à série eram quase nulas. Na história da NBA foram quase 100 as equipas que o tentaram. Nenhuma conseguiu.

O que falhou então desta vez? O cansaço? Desde 2008, os Lakers disputaram 78 jogos nos playoffs. É demasiado. Talvez por isso tenha faltado velocidade a uma equipa já de si envelhecida. Phil Jackson tentou impor- -se, mas a certa altura do jogo de domingo também se rendeu.

Depois de juntar mais um anel de campeão, o 11.º, no ano passado, o técnico mais vitorioso da história da NBA já tinha dito que esta seria a sua última aventura como treinador. Em Dallas saiu do campo conformado, mas sempre calmo.

Na conferência de imprensa até fez rir os jornalistas. Foi um senhor, num contraste evidente face às atitudes de Odom e Bynum. “Sabe bem a época ter chegado ao fim, para ser honesto convosco”, assumiu Jackson.

Esta não é a primeira vez que diz adeus ao basquetebol. Em 2004, depois da derrota na final, com os Detroit Pistons, Phil deixou os Lakers. Mas voltou no ano seguinte. Só que desta vez soa a definitivo. Para trás fica uma carreira difícil de igualar.

Jackson ganhou 70% dos jogos da época regular (69% nos playoffs). É o único treinador em qualquer desporto profissional americano com mais de dez títulos. É um rebelde, um maverick, mas foram os Mavericks de Dallas que lhe prepararam o adeus.

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