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Nanhupo: Uma localidade entregue à sua sorte

Nanhupo: Uma localidade entregue à sua sorte

A localidade de Nanhupo, no posto administrativo de Namanhumbir, situada a aproximadamente 40 quilómetros da cidade de Montepuez, é, diga-se de passagem, o centro da economia a nível do posto administrativo onde são extraídos os recursos minerais. Mas as comunidades locais não beneficiam dessa riqueza. Das dificuldades enfrentadas pela população, destacam-se a falta de água e infra-estruturas sociais e o desordenamento dos bairros, entre outros problemas.

Cidadãos que falaram ao @Verdade disseram que são obrigadas a caminhar longas distâncias para chegar até ao posto de saúde mais próximo, localizado na sede do posto administrativo de Namanhumbir. A questão de abastecimento de água é uma dor de cabeça para os residentes de Nanhupo. Crianças e mulheres desdobram-se de um lado para outro para conseguirem um bidão de 20 litros para as suas necessidades quotidianas.

À semelhança de outros lugares, em Nanhupo as casas são construídas de forma desordenada devido à falta de um plano de ordenamento territorial. Por isso, assiste-se ao surgimento de estradas estreitas, facto que dificulta a circulação de viaturas.

Os populares dizem que as autoridades locais não estão preocupados em melhorar a situação. As estruturas comunitárias locais fazem vista grossa perante o cenário. Trata-se de situações que acontecem numa localidade onde os recursos minerais são pilhados pelos garimpeiros e comerciantes nacionais e estrangeiros. O saneamento do meio é ineficiente.

Oportunidade para empreender

A actividade de garimpo ilegal naquela parcela do país permitiu aos jovens que se acham incapazes de descer até grandes profundidades nas minas que pudessem empreender. Tal é o caso de Istamil Mamade, de 18 anos de idade, que decidiu fabricar picaretas e vendê-las aos garimpeiros ao preço de 150 meticais, contra os 200 praticados nos estabelecimentos comerciais locais.

O jovem abandonou os estudos para ganhar a vida exercendo aquela actividade. Por semana, em média, ele obtém mil meticais. O dinheiro que amealha através do trabalho que desenvolve serve para a sua alimentação e compra de vestuário. Mamade ajuda também os irmãos mais novos nas despesas da escola. Não é casado e nem sequer pensa nisso.

As mulheres não cruzam os braços

Grande parte das mulheres não se deixa levar pelo desemprego. Elas optam por confeccionar comida e vendem- na aos cidadãos que, devido à natureza do seu trabalho, não têm tempo de ir à casa almoçar ou tomar o pequeno-almoço.

Além dos riscos que a própria actividade impõe, nos últimos tempos, os garimpeiros que trabalham nas minas de Namanhumbir estão entregue à sua sorte, uma vez que o Governo decidiu instalar um contingente policial naquela zona para alegadamente proteger a área mineira concessionada a uma empresa que pretende explorar os recursos naturais.

Segundo revelaram alguns garimpeiros ao @Verdade, além de garantirem a segurança ou fiscalizar a referida área, os agentes da lei e ordem limitam-se a saquear os bens de comerciantes e agridem os garimpeiros e operadores de mototáxi.

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