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Mulheres ocupam apenas 25% dos cargos decisórios em Moçambique

Apenas 25,7% dos cargos que oferecem poder de decisão em Moçambique são ocupados por mulheres, não obstante o facto de estas constituírem 51% da população deste país.

Esta realidade foi revelada, esta sexta-feira (01), em Maputo, durante a apresentação de um estudo denominado “A Mulher e as Posições de Liderança em Moçambique”, feito pelo Instituto Eleitoral para a Democracia Sustentável em África (EISA), em colaboração com a organização GenderLinks.

A pesquisa abrangeu oito áreas, nomeadamente Assembleia da República (AR), partidos políticos com assento no parlamento, sectores executivo e da administração pública, Justiça, autarquias, sector empresarial público e privado, ensino superior e a comunicação social. Foram ainda analisadas duas mil posições de liderança e de tomada de decisão.

Destes sectores, constatou-se que a AR é onde as mulheres estão representadas de forma mais expressiva com 39.2% dos cargos ocupados por mulheres. O sector com menos representatividade desta camada social é o de ensino superior, com 17. 5% dos postos comandados por mulheres.

Noutros sectores encontramos os partidos políticos (32.9%), Justiça (24.7%), Municípios (22.4%), áreas executiva e da administração pública (21.3%), comunicação social (19.1%), sector privado (17.8%).

A pesquisa, conduzida por Miguel Brito, director do EISA, e Eduardo Namburete, revela que as mulheres estão relactivamente bem representadas nos órgãos colectivos de eleição popular directa (AR e Assembleias Municipais). Porém, o mesmo não acontece nos cargos de nomeação política.

Por outro lado, o topo de liderança política continua de domínio masculino. Ou seja, não há, em Moçambique, partidos políticos liderados ao mais alto nível por mulheres.

Os sectores empresarial, académico e da comunicação social apresentam também poucas mulheres em posições de liderança e tomada de decisão.

Entretanto, como forma de mudar esse cenário, os participantes, embora com alguma relutância por parte de alguns, afirmam que a solução passa por apostar na política de cotas. O cepticismo em relação a esta medida vem do facto de alguns entenderem que ela, em nome da equidade de género, propicia a promoção de pessoas que não reúnem competência para ocuparem determinados cargos.

Os autores dos estudos apontam que as eleições autárquicas, deste ano, e gerais, de 2014, são uma oportunidade para se atingir a paridade na composição da AR e das Assembleias Municipais. “As eleições de 2014 abrem caminho para também haver um maior equilíbrio de género a nível do novo Conselho de Ministro e dos governos provinciais”, defendeu-se no encontro.

Esta pesquisa foi elaborada em Agosto de 2012, mas sofreu algumas actualizações em Setembro e Outubro do mesmo ano. O objectivo era fazer um diagnóstico sobre a situação da representação da mulher nos postos de tomada de decisão e de liderança em instituições dos sectores anteriormente referidos.

 

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