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Mulheres dominam o sector informal

A realidade tem demonstrado que a ideia de que o papel das mulheres se circunscreve às tarefas domésticas já está mais do que ultrapassada. Elas figuram nas estatísticas oficiais de forma expressa como a população economicamente mais activa, tanto na zona urbana como na rural.

Só na cidade de Maputo, um pouco mais de 557.2 mil vêem na área informal a maneira de obter rendimentos. O mercado de trabalho informal moçambicano conta com uma marcante presença feminina. São elas que fomentam a economia e contribuem para o crescimento do país ainda que informalmente. A agricultura, o comércio e outros serviços são as áreas onde mais se destacam. Os resultados do primeiro inquérito nacional ao sector informal realizado em 2004 revelam que a população feminina é a que mais participa de forma activa na economia.

Apenas na capital do país são cerca de 557.2 mil mulheres contra 531.4 homens que viram na actividade informal a maneira de ganhar a vida e, em alguns casos, tornando-se empregadoras. Em certos mercados da cidade, na sua maioria, a faixa etária delas anda acima de 25 anos e com baixo grau de escolaridade. “Este é o perfil de grande parte das mulheres moçambicanas e, por essa razão, têm dificuldade em encontrar emprego”, observou o economista Jacinto Ribaué que se referiu ainda ao facto de elas optarem pelo comércio informal, sobretudo a venda de certos produtos nos passeios, como uma forma alternativa de subsistência. “O único objectivo das mulheres no sector informal é ganhar apenas o suficiente para sustentar a família e não estão preocupadas em obter uma formação ou informação para o crescimento dos seus negócios”, comentaram alguns economistas abordados pelo @VERDADE.

Fátima Manjate, de 36 anos de idade, vendedeira de produtos alimentares no mercado do Fajardo, é um exemplo de mulher que há 15 anos busca no informal o sustento da sua família. “É a forma que encontrei para ajudar o meu marido nas despesas da casa”, disse Fátima, mãe de cinco filhos. Segundo ela, é difícil conciliar a tarefa de mãe e dona de casa com a sua actividade comercial, mas a necessidade de contribuir na renda mensal familiar tem sido a sua motivação. “Os meus filhos precisam de alimentos, cadernos para ir à escola, precisamos de pagar água, energia e o que meu marido ganha não chega para isso tudo”, explicou e também afirmou que a falta de clientes é o principal problema do seu negócio.

Ao contrário de Fátima, Josefa Magaia, 43 anos de idade, decidiu pela comercialização de couve e tomate ao longo da Avenida Eduardo Mondlane logo após a morte do seu marido, que era a única pessoa que garantia o sustento da família. “O dinheiro que recebo da empresa do meu falecido marido é pouco”, disse e acrescentou ainda que graças à venda daqueles produtos os seus três filhos continuam a ir à escola. Para Josefa, a sua maior tristeza é ser vista pelas autoridades municipais e a sociedade como poluidora da cidade e não uma pessoa que procura o sustento.

Contudo, o caso de Anabela Jossias difere do das duas últimas entrevistas: “Comecei a fazer negócios quando tinha 12 anos, altura em que os meus pais perderam a vida, desde então nunca mais parei”, comentou. Ela começou por vender bolinhos e hoje, com quase 45 anos de idade, é mukherista e emprega seis pessoas. “Estou feliz com o meu trabalho porque é com ele que sustento a minha família e também ajudo outras famílias”, revelou.

De acordo com a nossa interlocutora, a maior dificuldade da actividade informal tem a ver com os casos de mercadorias apreendidas de forma arbitrária e ilegal pela fiscalização. “Tratam-nos como distribuidoras de produtos de contrabando só porque somos informais”, desabafou. Para além de empregadora, Anabela Jossias é mãe separada e diz que arranja sempre tempo para cuidar dos seus dois filhos. Segundo o economista Jacinto, normalmente a dificuldade no acesso ao crédito tem sido o grande problema apontado pelas mulheres no exercício das suas actividades comerciais. “Há um receio por parte das instituições formais em relação às capacidades das mulheres em gerir negócios, uma vez que na sua maioria não têm nenhuma instrução”, afirmou.

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