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Moradores de Mutauanha agastados com a empresa Sumeya em Nampula

Moradores de Mutauanha agastados com a empresa Sumeya em Nampula

A população que vive nas imediações da fábrica de bolachas Sumeya, instalada na Avenida do Trabalho, no bairro residencial de Mutauanha, arredores da cidade de Nampula, está agastada com os proprietários daquela unidade fabril, e ameaça criar barreiras às actividades daquela firma. Na origem do desentendimento está a alegada inobservância do saneamento do meio, facto que periga a saúde dos moradores.

Desde que foi instalada a fábrica de bolachas do grupo Sumeya, pertencentes a cidadãos de origem asiática, no bairro de Mutauanha concretamente na zona da Tipografia, os moradores debatem-se com imensas dificuldades para respirarem ar saudável, devido à poluição do meio por parte daquela empresa, facto que pode causar várias doenças respiratórias.

O que mais preocupa aqueles residentes é o facto de não existir uma vala de drenagem para escoar os resíduos químicos produzidos naquela fábrica de alimentos, causando, desta forma, deficiências no saneamento do meio. Embora a fábrica esteja a gerar lucros, os proprietários não conseguem construir uma manilha que possa evitar aquele mal que prejudica a saúde das famílias que vivem nos arredores.

O @Verdade soube de alguns moradores daquela zona que o problema já tem barbas brancas, tendo sido reportado, incontáveis vezes, às entidades detentoras da fábrica cuja resposta tem sido a mesma: “Sim, já ouvimos e dentro de pouco tempo vamos fazer alguma coisa para pôr fim ao problema”, mas já lá vão anos, e nem água vem, nem água vai.

Os moradores contaram que a tarefa mais difícil de cumprir naquela zona residencial é tomar refeições, pois o cheiro nauseabundo que se faz sentir é de cortar a respiração. Segundo os residentes, ninguém se sente à vontade naquelas condições, uma vez que a imundice tomou conta do espaço, por causa de água estagnada. Anselmo Mário, um dos moradores de Mutauanha, mostrou-se agastado com a atitude daqueles que dirigem aquela unidade fabril que nada fazem para pôr cobro ao problema.

“Este facto é preocupante, porque isso (apontando para a água estagnada) está assim há muito tempo e nós já falámos, por várias vezes, com os donos, mas, infelizmente, não temos tido uma resposta satisfatória”, precisou Mário.

Faizal Eusébio, um outro residente, disse que caso a direcção daquela fábrica não faça nada para colocar um ponto final na situação, ele e os seus vizinhos têm dinheiro para edificar um muro naquele sítio como forma de interromperem a passagem daquela água imunda que escorre por ali. De acordo com o morador, não se justifica que uma empresa com fins lucrativos como a Sumeya não consiga custear a construção de uma vala de drenagem.

“Nós já estamos cansados de falar com eles. Este problema não é de hoje, já apresentámos por várias vezes a nossa preocupação à empresa, mas os gestores limitam-se a dizer que reconhecem o problema e vão resolvê-lo”, lamentou Eusébio. Num outro desenvolvimento, o nosso entrevistado prometeu que “se eles não fizerem alguma coisa desta vez, vamos construir uma barreira para a água não chegar até nós. Sabemos que nos vão procurar e perguntar o porquê da tal decisão e aí daremos uma resposta clara”.

Direcção da Sumeya pronta para solucionar o problema

Quando o @Verdade deixou o local da “imundice” que frustra os citadinos, os residentes e os visitantes da zona vizinha da Sumeya, procurou a todo o custo ouvir a versão da direcção daquela instituição fabril localizada no centro da cidade de Nampula, mas não foi possível entrar em contacto com a pessoa indicada para falar à Imprensa.

Contudo, a chefe dos Recursos Humanos, que não quis revelar a sua identidade, mas soubemos dela que é substituta do gerente do grupo Sumeya, Mohamed Rafike, disse que a reclamação dos populares é legítima, razão pela qual a empresa já manteve contacto com os moradores e prometeu, a curto prazo, solucionar o problema. Embora não assuma a responsabilidade de falar para um órgão de informação, aquela funcionária disse que soube do seu gestor que um plano foi desenhado para o começo da reabilitação daquele sistema de drenagem que se encontra danificado.

É de referir que as fábricas alimentícias, entre outras, criam um caos sempre que são implantadas numa zona residencial, devido aos diversos produtos nelas, usados, causando, assim, poluição, designadamente atmosférica, visual, do solo, da água e sonora, o que pode, de certa maneira, colocar em risco a saúde dos que residem nos arredores e dos transeuntes.

 

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