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Moçambola: Clássico de “fome” mas com um desfecho empolgante

A contar para a 11ª jornada do Moçambola, o Costa do Sol, treinado pelo português Nelson Santos, derrotou o Ferroviário de Maputo por 2 a 1, depois de estar em desvantagem no marcador. A Liga Muçulmana empatou na Beira e as equipas da HCB de Songo e do Ferroviário de Nampula tiraram partido da situação para reduzirem para seis pontos a diferença de pontos que os separava do líder.

O clássico do futebol moçambicano, que envolveu dois chamados “grandes” que lutavam para melhorar a sua posição na tabela classificativa, mas sem fugirem da zona intermediária, teve lugar na tarde do último domingo (15) no mítico e abandonado estádio da Machava.

Foram os donos da casa que expuseramuma melhor abordagem ofensiva e uma boa organização defensiva nos instantes iniciais deste desafio, diante de uma equipa canarinha tímida e tacticamente indecisa mas que, ao mesmo tempo, procurava afirmar o seu futebol baseado no toque e na posse de bola. Aos 12 minutos, Barrigana deu o primeiro aviso à navegação ao desferir um portentoso remate de fora da grande área para as mãos do guarda-redes do Costa do Sol.

Gervásio conseguiu transmitir segurança aos seus colegas até ao primeiro quarto de hora quando, na sequência de um pontapé de canto do lado esquerdo do ataque locomotiva, abandonou os postes para se fazer ao lance, não tendo conseguido desviar a trajectória da bola. Depois de uma confusão no interior da grande área, o esférico foi parar nas pernas de Luís que encostou o esférico que foi parar no fundo das malhas, marcando o primeiro golo da tarde.

Cinco minutos depois, Andro desperdiçou uma soberba oportunidade de ampliar a vantagem, ainda na esteira do claro domínio do Ferroviário de Maputo sobre o Costa do Sol. Com um passe de Timbe, o avançado locomotiva apareceu sem nenhum tipo de marcação na zona central da grande área, mas o remate, esse, passou ao lado do poste esquerdo do guarda-redes. Não surgiram mais golos e a locomotiva abrandou o seu ritmo de jogo apesar de Diogo, depois de uma notável combinação com Luís, ter rematado o esférico que passou por cima da baliza, à passagem do 22º minuto.

O drama que se viveu no estádio da Machava

O “comboio” apagou as luzes e já não se via nada no fundo do túnel, factor explorado pelo “canário” que no decurso do minuto 23, por intermédio de Manuelito II, levou terror à área dos donos da casa, ao disparar com estrondo por cima da baliza.

Os treinados por Nelson Santos galvanizaram-se e, depois de sucessivos lances de ataque que não deram em nada, no minuto 37 restabeleceram a igualdade no marcador. Apesar de ter ficado a dúvida se Rúben partiu, ou não, de uma posição irregular, o certo é que a assistente de Mário Tembe deixou o “10” canarinho cruzar a bola para o interior da grande área, ao encontro de Manuelito II, que cabeceou para a trave. Manuelito I, na emenda, bateu Pinto.

Perto do intervalo, João Mazive centrou rasteiro para Rodrigues, porém o toque deste último jogador fez a bola ganhar altura e sair pela linha do fundo. No reatamento, a turma canarinha entrou demolidora, sem perder nunca as esperanças, sobretudo com a entrada de Parkim, no minuto 47, que deu mais velocidade à sua equipa. Os jogadores do Ferroviário sentiram-se sufocados neste período. Contudo, a primeira oportunidade de golo pertenceu aos donos casa, numa jogada em que Andro desviou a bola, cruzada com muita força, tendo esta saído por cima da baliza de Gervásio.

Aos 75 minutos, o Ferroviário de Maputo reclamou uma grande penalidade pelo facto de Campira ter, manifestamente, travado a bola que seguia para a baliza com a mão. Aliás, Mário Tembe apontou para o grande círculo, mas a sua assistente, Nelsa Jeque, permaneceu estática na linha lateral – quando devia dirigir-se à linha do fundo – dando a entender que o central canarinho estava fora da área.

Os donos da casa protestaram e o lance “morreu” sem levar perigo para Gervásio, apesar de o defesa do Costa do Sol ter sido expulso por acumulação de amarelos. Porque quem não marca sofre, Andro falhou na cara de Gervásio e, na resposta, Rúben centrou para o lateral João Mazive dar a cambalhota no marcador.

A reacção dos intervenientes

Victor Pontes, treinador do Ferroviário de Maputo

Nós fomos claramente superiores quer na primeira, quer na segunda parte. Eu sempre assumi os meus erros e sou o responsável pelas derrotas da minha equipa. Mas penso que a arbitragem devia desempenhar bem o seu papel. Voltámos a assistir a coisas estranhas, nomeadamente o lance que originou o primeiro golo do Costa do Sol, em que Rúben partiu de um fora de jogo claro e uma grande penalidade, a nosso favor, que ficou por ser marcada. Os erros da arbitragem custaram-nos mais uma derrota e é preciso que alguém ponha um basta nisto.

Nelson Santos, treinador do Costa do Sol

Nós viemos com uma boa estratégia para este confronto e os meus jogadores conseguiram materializar tudo aquilo que ensaiámos durante a semana. Há que valorizar a atitude dos meus atletas. Eles foram fantásticos e autênticos guerreiros. Mesmo em desvantagem jogaram com muita alegria e competência. Quanto ao resultado, eu acho que um empate seria justo.

HCB de Ferroviário de Nampula a cinco pontos da Liga Muçulmana

No arranque desta jornada, o HCB de Songo recebeu e derrotou o Desportivo de Maputo por 1 a 0, numa partida em que os alvinegros contestaram a actuação do árbitro Arão Júnior que, à passagem do segundo minuto de compensação depois dos 90, assinalou uma grande penalidade a favor da equipa da casa. Fabrice foi quem converteu em golo o castigo máximo.

No outro confronto, o Clube Ferroviário de Nampula colou-se ao HCB de Songo na segunda posição ao derrotar o Maxaquene por 1 a 0, numa partida também marcada por uma polémica envolvendo a equipa da arbitragem. À semelhança do sucedido no planalto de Tete, no minuto 44 da primeira parte, Amosse Lázaro assinalou uma grande penalidade a favor da turma locomotiva, por Vivaldo ter rematado, à queima-roupa, contra a mão de um adversário no interior da grande área.

Chamado a cobrar, Dondo fê-lo com perfeição e apontou o único golo do encontro, resultado que agravou a crise do Maxaquene, que não vence há quatro jornadas. O Ferroviário de Nampula e o HCB continuam colados na segunda posição da tabela classificativa, ambos com 21 pontos, contra 27 da líder Liga Muçulmana que empatou sem abertura de contagem diante do Estrela Vermelha da Beira, no campo do Ferroviário da Manga, num jogo em que Jerry desperdiçou uma grande penalidade no decurso da segunda parte.

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