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Moçambola: A paragem prejudicará o rendimento das equipas

Moçambola: Temporada 2013 arranca com um clássico

O Campeonato Nacional de futebol da 1ª divisão, o Moçambola, regressa aos relvados moçambicanos neste fim-de-semana após um mês de interregno para dar lugar à participação dos Mambas nas campanhas de acesso ao Mundial 2014 e ao CAN 2013 no Brasil e na África do Sul respectivamente. Apesar de justificado o interregno, os treinadores acham que o mesmo prejudicará o rendimento e a qualidade das equipas.

O @Verdade contactou alguns treinadores das equipas que militam no Moçambola a fim de ouvir deles a análise que fazem acerca da interrupção de um mês que assistiu o certame para dar lugar à preparação e aos jogos dos Mambas rumo às maiores provas futebolísticas do Mundo e da África ao nível das selecções.

No cômputo geral, os técnicos contactados e que mostraram-se disponíveis ao @Verdade convergiram na ideia de que esta interrupção prejudicará em larga medida o rendimento dos clubes e, em última análise, a qualidade com que vinha o campeonato antes do interregno.

Nacir Armando técnico do Ferroviário de Maputo, equipa que assume a liderança isolada do Moçambola com 21 pontos, três acima do segundo e com menos um jogo, numa abordagem mais generalizada defendeu que a paragem do Moçambola poderá ser prejudicial principalmente para as equipas que tiveram um número considerável de jogadores convocados para a selecção nacional numa clara alusão ao seu Ferroviário.

Sustenta a afirmação pelo facto de, por um lado não terem estado presentes nos treinos e estágios dos clubes alguns dos quais que redefiniram novas filosofias de trabalho e, por outro que denotarão algum desgaste físico.

O drama para Nacir Armando é que todos os seleccionados são os principais titulares das equipas o que poderá haver dificuldades na reintegração dos mesmos. Contudo, a sua equipa reforçou com mais dois jogadores um para o sector mais recuado e outro para o zona do ataque.

Abdul Omar técnico da equipa sensação e que neste momento assume o segundo lugar, Chibuto FC, também concorda que o interregno poderá trazer duras consequências às equipas principalmente para as que vinham com um ritmo acelerado.

O técnico do representante de Gaza apresenta outros fundamentos discordantes com os do líder Nacir. Para ele, o interregno desmantelou toda a estratégia desenhada para o presente ano e que já vinha sendo aplicada de forma positiva. Assim sendo, sentiu-se obrigado a redefinir novas formas de ser e estar em campo visto que as equipas que estão com menos pontos, as mais beneficiadas com esta interrupção, voltarão diferentes. Conta que o rendimento da sua equipa terá baixado consideravelmente até porque não realizou jogos de rodagem.

Abdul Omar não pára só por ai. Diferente de Nacir e numa análise geral, acha que o facto de não se ter convocado à selecção jogadores bons que militam no Moçambola poderá também ser um factor da quebra da qualidade do campeonato visto que não puderam rodar.

O Chibuto reforçou a equipa em todos os sectores com cinco jogadores. Abdul Omar confessa que a sua equipa não voltará ser a mesma, desta para pior. Chiquinho Conde, o treinador do mediático contrato milionário com o Vilankulo FC por um período de dez anos, afirma que a paragem de qualquer campeonato regular no caso vertente o Moçambola, não é benéfica para ninguém. Contudo acha que ajudará às equipas não bem posicionadas na tabela classificativa visto que tiveram tempo suficiente para limar as arestas existentes bem como chamar novos reforços.

No caso específico da equipa que comanda, Chiquinho Conde lamentou o facto de não ter efectuado jogos de rodagem para observação dos jogadores todavia, confirma ter dispensado três jogadores para chamar quatro novos jovens.

Divergências na análise dos Mambas

Abdul Omar não esconde a sua frustração pelo actual estágio do futebol moçambicano e confessa: “A paragem estava programada e apesar de tudo somos moçambicanos. Mas a verdade é chocante: Há falta de organização no nosso futebol”.

No seu entender, há muito ainda por fazer-se para que Moçambique ache na verdade uma selecção. Desapontado, o técnico da equipa sensação do Moçambola diz que não percebe como é que são convocados jogadores estrangeiros (referindo-se aos portugueses) e alguns que militam fora de portas que treinam com a selecção mas que no fim não jogam. Na sua óptica, no Moçambola há jogadores com qualidades e competências suficientes para vergarem a camisola de Moçambique ao que merecem uma oportunidade.

“Repare que os neste país os jornalistas é que são treinadores e verdadeiros dirigentes do nosso futebol pois são eles que com as suas incessantes análises e crónicas de jogo identificam os bons jogadores, os que são realmente treinadores e a filosofias de jogo” comenta Abdul Omar para explicar que neste país só os profissionais da comunicação social é que trabalham em prol do desenvolvimento do futebol.

Nacir Armando de meias palavras, acha que o desempenho dos Mambas nestes três jogos foi dos melhores uma vez que a selecção está numa fase de reestruturação. Porém é da ideia que ainda há muito trabalho por fazer-se para chegar-se ao nível que todos moçambicanos sonham.

“Hipotecamos o sonho de ir ao Mundial mas podemos chegar ao CAN. Só precisamos trabalhar” remata.

Chiquinho Conde afirma que o actual estágio da selecção é deplorável: “Temos visto e registado o ambiente que se vive na nossa selecção. Um ambiente agitado no trabalho da equipa técnica” e atira a culpa ao facto de estar a decorrer o processo de reestruturação do plantel do combinado nacional em plenas competições internacionais. Contudo, o desempenho dos “Mambas” pode ser definido em duas vertentes: Mau porque comprometeu a ida a Brasil e bom porque ainda tem chances de lutar por um lugar na África do Sul.

Abdul Omar sobre o desempenho dos “Mambas” nestes três jogos vai mais longe ao evocar como motivos do insucesso de Moçambique a falta de uma filosofia clara e com base no futebol moçambicano. Na sua opinião sente que a selecção nacional não joga como uma equipa moçambicana e inclusive questiona: Quem é Gert Engels? Que currículo tem? Conhece o nosso futebol? Porque não apostamos no Arnaldo Salvado, Artur Semedo, João Chissano?”. “Por vezes é falta de auto-estima” conclui.

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