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Moçambique rota preferencial de imigração ilegal

Moçambique, um dos países mais pobres do mundo, está a ser assolado por uma vaga de imigração ilegal que atravessa o seu território a caminho da África do Sul, mas com custos pesados para o Governo de Maputo.

Na semana passada, o Governo alugou quatro aviões para recambiar mais de 400 imigrantes ilegais asiáticos que a África do Sul tinha devolvido a Moçambique. “Foi uma operação onerosa”, reconheceu o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), Pedro Cossa, sobre as viagens aéreas de repatriamento para a Índia, Paquistão e Bangladesh.

O fluxo integra pessoas de países como a Mauritânia, Burundi e Somália, mas também etíopes, chineses e tailandeses e muitos passaram pelo centro de Maratane, nos arredores de Nampula, Norte, superlotado com vítimas de conflitos e da miséria, misturando- se com genuínos refugiados.

Mortes em Maratane

Na sexta-feira, realizou-se em Maratane o funeral de um etíope vítima de um surto de diarreia que, no mesmo dia, matou mais quatro etíopes e dois somalis, disseram fontes locais. “Fugimos do centro de Maratane porque somos muitos lá e as condições alimentares e higiénicas são deploráveis. Queremos tentar uma nova vida na África do Sul”, disse o etíope Haboro Gagabo, 43 anos, detido em Manica, Centro, com mais 14 compatriotas.

Nenhum tinha documentos e foram apanhados pela PRM em Inchope, o principal cruzamento no coração de Moçambique, a bordo de uma viatura com matrícula estrangeira. O proprietário do veículo, Frew Gemeda, sul-africano de origem etíope, negou integrar uma rede de tráfico humano, mas admitiu ter-se deslocado da África do Sul para Nampula, a muitas centenas de quilómetros a norte. “Saí da África do Sul para ir a Maratane buscar um primo, pois soube que ele estava em Moçambique. Só que um grupo de amigos dele implorou para vir comigo e levei-os para trabalharem no comércio”, disse Gemeda.

Igualmente detido, Tomirat Tiriyo, 34 anos, deixou a família em Hosana (Etiópia), passou meses num barco de pesca, caminhou centenas de quilómetros e quando foi preso ainda estava a uma grande distância do destino – para entrar na África do Sul teria ainda que palmilhar zonas infestadas por perigosos animais selvagens. “A situação da fome é extrema na Etiópia, acordamos e só sabemos que não há nada para fazer nem comida para nos alimentarmos”, disse Tiriyo num inglês soletrado.

O facto de o grupo ter escapado a vários controlos policiais incomoda a PRM, cujo porta-voz no Chimoio, Belmiro Mutadiua, prometeu esclarecer como tal foi possível. Não será muito difícil: pelo menos oito polícias estão detidos por facilitarem a fuga e até escoltar imigrantes.

Há ilegais que pagam até oito mil euros por uma entrada na África do Sul e, como o reconhecem os moçambicanos, este “novo fenómeno” atrai poderosas redes criminosas. Os detidos na penitenciária agrícola de Chimoio serão recambiados para o centro de refugiados de Maratane.

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