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Moçambique quer “explorar” Jimmy Dludlu

Moçambique quer “explorar” Jimmy Dludlu

O ministro da Cultura, Armando Artur, realizou, recentemente, um encontro – a nível do pelouro que dirige – a fim de receber o célebre guitarrista moçambicano, Jimmy Dludlu, no âmbito do seu retorno definitivo a Moçambique. @Verdade aproveitou a ocasião para perceber as intenções do governante bem como as expectativas do artista, em relação às actividades que irá desenvolver no país nos próximos tempos.

@Verdade: De que forma é que o Ministério da Cultura – e não só, o país – pretende explorar, no bom sentido, a experiência de Jimmy Dludlu?

Armando Artur João: Em todos os aspectos: como artista e fazedor de cultura que ele é. Por exemplo, presentemente, nós estamos a preparar o VIII Festival Nacional da Cultura que terá lugar na província da Inhambane, em Agosto. Como se sabe, os festivais nacionais são um verdadeiro centro de encontro e diálogo cultural entre os moçambicanos. Além do mais, a edição deste ano tem uma particularidade que tem a ver com o facto de que irá dar um grande enfoque à área da música tradicional de palco.

Esse arranjo tem como meta inspirar os (nossos) jovens músicos para que criem obras de arte, no âmbito da música, com base na sua própria identidade – a música moçambicana. Também sabemos que nos dias actuais tem havido críticas segundo as quais os nossos artistas não tocam aquilo que é a nossa raiz. Nesse sentido, nós, como Governo, entendemos que é necessário levar aos festivais nacionais de cultura a nossa raiz como moçambicanos, sob o ponto de vista de arte.

Pensamos que a partir daí os nossos jovens músicos se irão inspirar. Jimmy Dludlu tem uma larga experiência em termos de participação em concertos de grande magnitude internacional. Nós, os moçambicanos, também queremos organizar concertos de Jazz baseados nas nossas raízes e tradição moçambicana, de modo que possamos ofertar ao mundo um Jazz tipicamente moçambicano, à semelhança daquilo que o Jimmy tem estado a fazer. O que ele toca possui uma génese de raiz puramente moçambicana.

@Verdade: Que actividades específicas se espera que Jimmy realize em Moçambique?

Armando Artur João: Ele irá dar aulas na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA/UEM) e no Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC). Penso que não existe melhor espaço do que uma escola para Jimmy transmitir a sua experiência como artista. Nós não governamos a cultura porque ela é um bem de todos os moçambicanos. Por isso, não podendo ser governada unilateralmente, convidamos todos os moçambicanos a participarem nesta governação. A nossa cultura tem de ser feita com a participação de todos os moçambicanos. É nesse sentido que convidámos o Jimmy.

@Verdade: Tendo em conta que a grandeza de Jimmy Dludlu foi gerada fora do país, Moçambique estará em condições de manter o seu status social?

Armando Artur João: O país é demasiado grande. A nossa bandeira é imensamente grande. Ela está pronta para formar mais artistas com qualidades similares às de Jimmy Dludlu. O Jimmy é uma das referências culturais moçambicanas. O problema é que no estágio de desenvolvimento cultural actual do nosso país, infelizmente, contam-se aos dedos as referências da dimensão do Jimmy. É por isso que ele voltou para formar mais músicos da sua estirpe para que os possamos ter em centenas. Portanto, ele vai contribuir para o engrandecimento da nossa cultura.

@Verdade: Jimmy, para as pessoas que acompanham a sua carreira – ainda que boa – a notícia do seu retorno definitivo a Moçambique acabou por gerar um contra-senso. Qual é a grande motivação para esta mudança? E qual é sua expectativa em relação às actividades que irá desenvolver?

Jimmy Dludlu: A maior parte dos meus colegas como, por exemplo, o João Cabral, está aqui a dar aulas. Há cinco anos que eu também trabalho como docente. Por isso, quando o pessoal da Escola de Comunicação e Arte? me telefonou a dizer que gostaria que eu voltasse ao país para trabalhar como professor, senti um orgulho muito grande.

Leccionar é uma forma de dar continuidade ao legado que se está a construir na área da cultura e do Afro Jazz, a trabalhar com a juventude. Por outro lado, é uma forma de dar motivação a quem aposta e acredita numa carreira musical, a fim de que – no lugar de imitar os outros – possa ter a sua própria voz. Neste sentindo, pretendo trazer a minha experiência na organização de eventos culturais porque já trabalhei com muitos profissionais nesta área, fora de Moçambique.

@Verdade: Esta decisão não foi tomada da noite para o dia?

Jimmy Dludlu: Não! Já há cerca de dois anos, eu e a Universidade Eduardo Mondlane, incluindo outras pessoas, estamos em conversação.

@Verdade: Na sua opinião, estão criadas as condições para que possa realizar o seu trabalho como o planificou?

Jimmy Dludlu: Tenho as condições mínimas para começar o trabalho. Penso que – com o passar do tempo – as coisas se vão ajustar.

@Verdade: A viver em Moçambique, acredita que irá continuar a conseguir sustentar as suas necessidades?

Jimmy Dludlu: Eu continuarei a cumprir com os meus trabalhos como profissional, sobretudo, no âmbito do meu contrato com a companhia Universal. Sou um artista profissional e vou dar continuidade ao trabalho que faço. Em Moçambique vou trabalhar com a juventude na cultura, apoiando-a na área da organização de eventos. No entanto, não vou deixar de ser o Jimmy Dludlu artista. Eu sou um profissional de arte e docente. Por essa razão, vou continuar a conciliar as actividades que faço, como sempre.

@Verdade: O que irá levar para o Cape Town Jazz Festival em Março?

Jimmy Dludlu: Tenho um projecto protagonizado por cinco guitarristas, incluindo eu. Na verdade, estamos a fazer um tributo a músicos como Hugh Massekela, Brenda Fassie e muitos outros. Estamos a tentar levar a Youth Band e o João Cabral para os festivais da África do Sul. Mas para o de Cape Town já não vamos a tempo de levar artistas moçambicanos.

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