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Moçambique continua em alerta vermelho

Moçambique mantém-se em estado de alerta máximo devido à persistência de inundações em consequência da chuva intensa e do transbordo das bacias de Maputo, Incomáti, Limpopo, Púnguè e Zambeze.

O final e o início de ano no país e em toda a África Austral são marcados pela ocorrência de calamidades naturais, nomeadamente chuvas e ciclones, que provocam milhares de desalojados e avultados danos materiais. Os prejuízos até aqui apurados poderão ser agravados pelos ciclones que já começaram a fustigar algumas regiões do território nacional.

Os distritos de Guijá, Chibuto, Massangena e Chigubo vivem neste momento situações dramáticas devido ao transbordo do rio Limpopo. Esta terça-feira (29), o rio Incomáti também fez estragos no distrito de Marracuene, onde extensas áreas agrícolas ficaram submersas e condutas de água danificadas. Na zona Centro, os distritos de Namacurra, Nicoadala, Chinde, Mopeia, Guruè, Mocuba e cidade de Quelimane estão igualmente a viver mementos críticos. No Norte, os troços Namuno-Montepuez, Namuno- Balama e Namuno-Machoca encontram-se em condições deploráveis devido à chuva intensa.

As províncias de Tete, Zambézia, Niassa, Nampula e Cabo Delgado estão a ser fustigadas por uma nova vaga de chuva. Na Zambézia, os distritos mais afectados são os de Namacurra, Nicoadala, cidade de Quelimane, Chinde, Mopeia, Guruè e Mocuba, com alguns locais a excederem os 50 milímetros de precipitação.

A Direcção Nacional de Águas (DNA) indica que de segunda para terça-feira desta semana, na cidade de Nampula, por exemplo, a precipitação foi de 199,6 milímetros, enquanto em Quelimane foi de 140,1. Por isso recomenda às autoridades locais, agentes económicos e a sociedade em geral para que continuem a cumprir as medidas de precaução, mantenham os equipamentos e bens em zonas seguras e evitem a travessia do leito dos rios, particularmente nas bacias de Maputo, Incomáti, Limpopo, Púnguè e Zambeze.

Por sua vez, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) refere que os níveis das bacias hidrográficas continuam elevados, principalmente os de Zambeze, Púnguè, Incomáti, Limpopo e Maputo, daí a necessidade de as pessoas acatarem os avisos de alerta que estão a ser emitidos.

Entretanto, no geral, de acordo com a DNA, as bacias hidrográficas do país mostram uma tendência de estabilização dos cursos de água e em alguns pontos há uma redução dos seus níveis. A bacia do Zambeze, por exemplo, a tendência é manter-se estacionária devido ao abrandamento dos escoamentos a montante, principalmente em Mutarara, Caia e Marromeu.

Na zona Sul, por exemplo, onde as populações dos distritos de Guijá, Chibuto, Massangena e Chigubo se ressentem da falta de um pouco de tudo, o transporte de alimentos para as vítimas das enxurradas é impossível por via terrestre por causa da degradação das estradas.

As embarcações são igualmente inúteis por causa do nível elevado das águas. O resgate das pessoas sitiadas nas árvores e sobre os tectos das casas está a ser feito por helicópteros, graças ao apoio da vizinha África do Sul, um dos países que também regista chuva intensa e cujas águas inundam Moçambique.

Incalculáveis áreas de culturas e de pastagens ficaram inundadas. Para além de gado morto, em Chibuto fala-se de cerca de 15 mil hectares de culturas diversas e 20 de pastos “engolidos” pela água. Milhares de famílias cujas residências foram invadidas pela água continuam a chegar nos 26 centros de acolhimento instalados em Gaza.

Já foram contabilizados 41 mortos. Na província de Gaza as acções de resgate e assistência das vítimas das cheias nos centros de acolhimento, que neste momento albergam mais de 138.589 pessoas, continuam. Na cidade Chókwè, que há dias viveu momentos críticos devido às inundações, a vida tende a voltar à normalidade.

Pouco a pouco, as famílias estão a retornar às suas residências. Mas o receio de uma nova calamidade é visível no rosto amargurado daqueles que, para além de bens, perderam as suas fontes de rendimento ou de sobrevivência.

Na província de Tete, a transitabilidade está condicionada. O acesso rodoviário à sede distrital de Tsangano, ao longo do Planalto Angónia/Marávia, é feito com sérias dificuldades devido ao facto de o asfalto ser escorregadio ao longo da estrada. As vias terrestres do distrito de Mutarara estão em precárias condições na sequência do aumento dos caudais dos rios.

Na cidade de Nampula, de domingo passado (27) para esta segunda-feira (28), seis pessoas morreram em consequência do desabamento das suas casas e de casos de electrocussão, nos bairros de Natikiri, Muatala e Muhala. Os postos administrativos de Chipe e Lúrio, no distrito de Memba, não se comunicam devido ao desabamento de uma ponte metálica.

A Administração Regional de Águas para a zona Norte indica que nos próximos dias se espera que os rios daquela região continuem a registar níveis oscilatórios com tendências a transbordar por causa da ocorrência de precipitação.

Alerta-se às populações das áreas ribeirinhas para que não atravessem o leito dos rios, apontando-se que seis pessoas perderam a vida e centenas de outras encontram-se desalojadas. Em Cabo Delgado, a intensidade da chuva está a danificar as vias de acesso do distrito de Namuno.

Viajar deste ponto para Montepuez e Balama é um autêntico sacrifício devido à degradação das estradas. Segundo as autoridades locais, os troços mais críticos são de Namuno-Montepuez, Namuno-Balama e Namuno-Machoca. Viajar de Montepuez a Nanumo é muito difícil. Uma distância de cerca de 600 quilómetros que em condições normais é feita em uma hora e meia, agora é percorrida num período de quatro a cinco horas.

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que a época de chuvas ainda não terminou. A zona centro e norte deverão registar mau tempo, na próxima semana, devido ao deslocamento de sistema ciclónico identificado sobre a costa nordeste de Madagáscar em direcção a sueste, que significa a activação da Zona de Convergência Intertropical, responsável por chuvas abundantes.

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