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MISA denuncia ameaças contra jornalista do “Notícias” em Tete

O Misa- Moçambique denuncia as ameaças proferidas pelo Governador de Tete, no Centro de Moçambique, Idelfonso Muananthata, contra a integridade física do correspondente do matutino “Notícia” naquela parcela do país, Bernardo Carlos.

Num comunicado enviado à AIM, o MISA-Mocambique diz em dois dias consecutivos (16 e 17 de Março corrente), e em público, o Governador Ildefonso Muananthata insinuou ameaças de morte contra o jornalista Bernardo Carlos, afirmando que poderia acontecer ao correspondente do “Noticias” o mesmo que sucedeu ao editor Carlos Cardoso, assassinado em Maputo em Novembro de 2000.

De acordo com o comunicado, o Governador de Tete proferiu estas ameaças no distrito de Mágoè por se sentir aparentemente contrariado pelo conteúdo das reportagens que Bernardo Carlos produziu recentemente, expondo problemas de gestão da coisa pública e do desempenho do Governo daquela província.

Nas reportagens que desagradaram Ildefonso Muananthata, o jornalista Bernardo Carlos sustentou os seus textos ouvindo o Ministro das Finanças, Manuel Chang, que chefiava uma brigada do Conselho de Ministros em serviço naquela província, que era igualmente composta pelo Administrador de Mutarara, Alexandre Faite, e o chefe do Departamento de Edificação das Obras Públicas em Tete.

Segundo o Misa-Moçambique, na “conversa” dirigida ao jornalista, o governador terá admitido a veracidade dos factos relatados nos artigos em causa, mas acrescentando que, segundo as suas palavras, “a verdade tem o seu preço, tem as suas consequências”.

Em tom enfático, dirigiu-se ao jornalista perguntando: “Queres que um dia eles venham a sofrer pelo resultado do que escreves? Sabes o que aconteceu com o jornalista Carlos Cardoso? Não te admires se um dia acordares sem o braço que estás a usar para me acotovelares”.

“Entre estas denúncias, destacamse informações divulgadas pelo jornalista sobre má qualidade das obras de electrificação das sedes distritais naquela província, a permanência ao relento de vítimas das cheias de 2006 em Mutarara, bem como uma estranha e inexplicada subida dos custos das obras de reabilitação da residência do administrador deste mesmo distrito, em mais de seis milhões de meticais até Fevereiro deste ano”.

Na primeira ocasião em que o Governador Muananthata dirigiu ameaças a Bernardo Carlos, no último dia 16 de Marco, estavam também presentes jornalistas de outros órgãos de comunicação social, nomeadamente Amarildo Romão e Rosário Saide, da TVM, Alberto Camacho, da Rádio Moçambique, e Domingos Pascoal, do “Diário de Moçambique”, que testemunharam o acto insólito. Igualmente, estava presente o administrador de Mágoe, António Mapure.

Já na manhã do dia seguinte (17 de Março), o governador de Tete voltou à “carga”, dirigindo-se aos jornalistas acima referidos, para retomar as ameaças da noite anterior ao correspondente do “Notícias”, segundo conta o Misa-Moçambique.

“Você me acotovelou bem e para saberes bem eu não quis falar-te disso em privado; preferi aqui na presença dos teus colegas e quero ver o que vais escrever depois desta visita. Cuidado com o sabor das verdades”, terá frisado Muananthata, citado pelos jornalistas que presenciaram o facto em contacto com o MISAMoçambique.

Contactado na tarde desta terçafeira pelo Misa-Moçambique para se pronunciar em torno destas ameaças, o director editorial do “Notícias”, Rogério Sitóe afirmou o seguinte: “Estou em conversações com o governador, Ildefonso Muananthata, para perceber melhor o que aconteceu, as conversações estão a bom ritmo e sexta-feira terei um encontro com ele em Tete. Depois disso tomaremos uma posição”.

“O MISA-Mocambique condena sem reservas as declarações intimidatórias do Governador da Província de Tete e lança um veemente apelo a toda a sociedade moçambicana no sentido de se pautar pelo respeito de direitos fundamentais consagrados pela Constituição da República, nomeadamente a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e o direito dos cidadãos a uma informação verdadeira”, sublinha o comunicado.

O Misa-Moçambique defende que a atitude do Governador de Tete denota o espírito de servidores públicos avessos à prestação pública de contas sobre o seu desempenho, confirma as suas denuncias sobre a mitigação crescente da liberdade de imprensa e de informação, à medida que a distancia aumenta em relação à capital do País, Maputo.

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