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Militares egípcios prometem transferir poder aos civis

Sob intensa pressão de protestos nas ruas, o chefe da junta militar egípcia prometeu na terça-feira transferir até julho o poder a um presidente civil, e fez uma oferta condicional para um fim imediato do regime militar. “O Exército está pronto para voltar aos quartéis imediatamente se o povo assim desejar, por meio de um referendo popular se preciso for”, disse o marechal Mohamed Hussein Tantawi, num surpreendente trecho de um pronunciamento pela TV.

A junta militar assumiu o poder no Egito em 11 de fevereiro, substituindo o presidente Hosni Mubarak, deposto após uma rebelião popular que teve como epicentro a praça Tahrir, no Cairo. Nos últimos dias, milhares de pessoas voltaram à praça para exigir rapidez na transição. A violenta repressão aos protestos causou indignação internacional e levou à renúncia do primeiro-ministro Essam Sharaf e do seu gabinete.

Os manifestantes da praça Tahrir zombaram da oferta de Tantawi, gritando “fora, fora” após assistir ao discurso dele. Novos confrontos foram registrados em uma rua próxima, que dá acesso ao Ministério do Interior. Com um ar longe de estar confiante, Tantawi disse que as eleições parlamentares começarão na segunda-feira, conforme previsto anteriormente, e que um novo presidente será escolhido em junho. Originalmente, os militares planeiavam permanecer no poder até o final de 2012 ou começo de 2013.

Tentando esfriar os ânimos da população – tomada por uma ira que lembra o movimento anti-Mubarak -, o marechal disse também que um governo de salvação nacional irá substituir o gabinete de Sharaf. Uma fonte militar disse que o referendo citado por Tantawi será levado a cabo “se o povo rejeitar o discurso do marechal”. Não ficou claro, no entanto, como a reação popular será avaliada. As concessões foram definidas numa reunião entre o Exército e alguns políticos, após cinco dias de protestos na praça Tahrir e em outros pontos do Egito, que deixaram um saldo de 36 mortos e mais de 1.250 feridos.

Os novos protestos começaram depois que o gabinete de Sharaf divulgou um anteprojeto constitucional que blindaria os militares de qualquer supervisão civil. Na terça-feira, os manifestantes que voltaram a enfrentar o gás lacrimogêneo para ocupar a praça continuavam exigindo a saída imediata da junta militar. “É claro que (a oferta de Tantawi) não basta”, disse à Reuters o ativista Shadi el Ghazali Harb, um dos líderes da Coligação Revolucionária Juvenil. “O conselho militar é totalmente responsável pela falência política que o Egito atravessa atualmente. Exigimos uma solução que prive o conselho militar de todos os seus poderes imediatamente.”

Antes do discurso de Tantawi, manifestantes penduraram num poste a imagem do marechal, que passou duas décadas como ministro da Defesa de Mubarak. Em Alexandria, segunda maior cidade egípcia, centenas de manifestantes fizeram uma passeata até um quartel, agitando seus sapatos para simbolizar o descontentamento com o discurso de Tantawi. “Onde está a transferência de poder?”, gritavam. “O discurso de Tantawi é que nem o de Mubarak. Só para nos enganar”, disse Youssef Shaaban, de 27 anos.

Confrontos entre manifestantes e policiais foram registrados depois do discurso de Tantawi na cidade de Ismailia, no leste, segundo testemunhas. A crise tem derrubado os mercados egípcios. O índice de referência da Bolsa local caiu 11 por cento desde quinta-feira, chegando ao seu menor nível desde março de 2009. A libra egípcia registrou sua menor cotação frente ao dólar desde janeiro de 2005. Os Estados Unidos, que fornecem 1,3 bilhão de dólares por ano em ajuda militar ao Egito, pediram o fim da “deplorável” violência, e disseram que as eleições devem ser mantidas. “Estamos profundamente preocupados com a violência. A violência é deplorável. Pedimos a todos os lados que exerçam a moderação”, disse Jay Carney, porta-voz da Casa Branca.

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