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Milhares de argentinos inundam ruas para protestar contra o governo

Dezenas de milhares de argentinos e opositores saíram, esta Quinta-feira (19), às ruas das principais cidades do país para protestar contra a presidente argentina, Cristina Kirchner, a quem acusam de levar adiante uma gestão autoritária e corrupta.

O protesto foi convocado por meio das redes sociais, assim como foi feito em duas outras vezes, ano passado, com apoio da oposição, meses antes da realização das eleições legislativas, nas quais o governo peronista tentará conservar a sua maioria parlamentar. “

Estou cansado das mentiras e da prepotência. Cansado de que roubem tudo. O protesto é massivo”, disse à Reuters Gabriel Segura, de 28 anos. A elevada inflação no país, que, segundo especialistas, é o dobro dos números oficiais, várias denúncias de corrupção e um recente projecto de lei para modificar a estrutura do Poder Judiciário eram as principais queixas dos manifestantes.

Uma imensa bandeira da Argentina cruzou o centro de Buenos Aires, enquanto as pessoas cantavam contra o governo com o ruído das batidas de panelas ao fundo. Os manifestantes concentraram-se em frente à Casa de Governo, ao Obelisco – símbolo de Buenos Aires – e à residência presidencial de Olivos, no subúrbio da capital.

Além disso, houve marchas massivas nas cidades de todo o país, como Mar del Plata, Rosario e Tucumán, no momento em que a presidente está fora do país, no Peru, para uma reunião de chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A mandatária, que viajará em seguida à Venezuela para participar, Sexta-feira, da posse do presidente eleito Nicolás Maduro, fez declarações por meio da rede social Twitter, mas sem se referir às manifestações. “Temos que nos rebelar pacificamente. Cada vez mais gente comprova que esses políticos (governistas) mentem para nós”, afirmou Rogelio Troche, empregado de 56 anos, em Buenos Aires.

Em meio à multidão, que tinha cartazes que diziam “Basta” e vários tipos de exigências, a TV local mostrou diversos membros da oposição política e sindical. “Alguém tem que responder pelos níveis sem precedentes de corrupção que estamos a ver. Gostaria que os meus companheiros da Frente para a Vitória (governista) viessem à rua e ouvissem as pessoas”, afirmou ao canal C5N Sergio Bergman, do partido opositor PRO.

Depois de ser reeleita em 2011 com 54 por cento dos votos, a aprovação da gestão de Cristina caiu de forma sustentada durante o ano passado. O estilo de confronto da presidente, que chegou ao governo em 2007 sucedendo o seu marido Néstor Kirchner, que morreu em 2010, provocou disputas com diversos grupos e corporações nos últimos anos e também costuma causar mal-estar entre seus opositores.

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