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Metas da campanha agrícola 2013/2014 comprometidas

A União Nacional dos Camponeses estima em cerca de 345 mil o número de camponeses afectados, directa e indirectamente, pela tensão político-militar que se vive no país desde Abril do ano passado, o que pode comprometer seriamente a campanha agrícola 2013/2014 lançada em Novembro último.

De acordo com esta organização, a situação é mais preocupante nos distritos de Machanga, Chibabava, Marínguè, Gorongosa, Nhamatanda e Dondo (na província de Sofala), Moatize (em Tete), Macossa (em Manica), Rapale e Mecubúri (em Nampula), Homoíne, Funhalouro e Vilanculos (em Inhambane), onde cerca de 69 famílias se viram obrigadas a procurar abrigo em locais seguros, enquanto outras enfrentam condicionalismos de circulação imposto pelo clima de guerra.

O Plano Económico e Social referente a 2014 prevê um crescimento de 7.1 porcento na produção agrícola global, estando prevista a produção de 2.3 milhões de toneladas de cereais, dentre as quais 1 679 de milho e 362 de arroz, porém, a UNAC refere que estas metas podem não ser alcançadas caso esta situação prevaleça até o mês de Março.

“Os distritos de Nhamatanda, Gorongosa, Marínguè, Chibabava, Machanga e Dondo, que contribuem com mais de 50% da produção global a nível da província de Sofala, vêem a produção agrícola comprometida por causa do abandono das machambas e áreas de cultivo pelos camponeses, ou ainda devido ao cultivo limitado de áreas como resultado da incerteza, incluindo o não funcionamento dos serviços de apoio a produção”, diz a UNAC.

Intimidações e perseguições

Por outro lado, esta congregação relata casos de intimidação, perseguição de camponeses durante o exercício das suas actividades protagonizados pelos homens armados da Renamo e Forças de Defesa e Segurança alegadamente por estarem a viver em áreas de conflito, o que faz pensar que pertencem ou colaboram com uma das partes.

Os distritos de Gorongosa e Chibabava, por exemplo, têm registado muitos casos desta natureza. Por outro lado, muitos camponeses têm sido deslocados e alojados em centros de acomodação precários, sem mínimas condições de habitação, água potável, alimentação, etc”, exemplifica.

Para garantir o cumprimento das metas da presente campanha agrícola, esta organização, que congrega diversas associações de camponeses, apela às partes beligerantes a cessação imediata das hostilidades, abandonando a via armada para a resolução das divergências em disputa.

“É imperioso o fim de todos os ataques e confrontos militares que em nada contribuem para o desenvolvimento de agricultura camponesa e soberana, muito menos no bem-estar social dos moçambicanos e moçambicanas. De igual modo instamos às partes para que reestabeleçam o mais urgente possível os mecanismos mais alargados, inclusivos e efectivos de diálogo transparente e democrático”, recomenda.

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