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Mesmo com a crise os moçambicanos continuam a beber muita cerveja

Mesmo com a crise os moçambicanos continuam a beber muita cerveja

Foto de ArquivoParece paradoxal que com o custo de vida a agravar, devido a crise que o País está mergulhado, os moçambicanos ainda tenham dinheiro para comprar bebidas alcoólicas mas a verdade é que a empresa Cervejas de Moçambique(CDM) voltou a registar lucros pelo segundo ano consecutivo.

O salário não chega para nada, é o lamento habitual mais comum dos moçambicanos que mais felizes ou mais tristes encontram sempre motivos para beber mais uma “gelada”, mesmo nos locais onde a electricidade não dá para gelar muito, sejam adultos, jovens, mulheres, desportistas e até mesmo menores de idade.

“(…) Apesar do significativo no custo de produção devido ao impacto da desvalorização cambial do Metical sobre materiais importados e serviços” a CDM registou no exercício findo em 31 de Março de 2016 um crescimento no volume de vendas em “12 por cento em relação ao ano anterior, alimentados por cerveja(lager) que foi 15 por cento maior. A receita de vendas foi 17 por cento superior ao ano anterior” e o lucro líquido também aumentou em 18 por cento, indica o Relatório e Contas da empresa monopolista do mercado de cervejas em Moçambique divulgado no jornal Notícias.

Em 2015 o lucro tinha sido de mais de 1,7 mil milhões de meticais e para o exercício findo o lucro ultrapassou os 2 mil milhões de meticais, “apesar da recessão económica que afectou a empresa no último trimestre (Janeiro a Março)”, indica o Relatório e Contas da CDM.

Embora o Ministério da Saúde tenha apontado o consumo excessivo de álcool como “o principal inimigo” durante a quadra festiva do Natal de Fim do Ano o consumo de bebidas alcoólicas é um drama enfrentado todos os dias pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano que vê nos alunos e professores cidadão ébrios que se apresentam aos locais de ensino, ressalve-se nem todos por consumirem os produtos das CDM mas de variadas proveniências, inclusive o fabrico tradicional.

Mas da mesma maneira que não é fácil “separar o trigo do joio” afigura-se difícil identificar que tipo de bebidas consomem os automobilistas que todos os dias derramam sangue nas estradas moçambicanas em acidentes de viação cujas causas principais são a condução em estado de embriaguez, falta de habilitação dos condutores, corrupção na polícia e mau estado das viaturas e da estradas.

Naturalmente que a responsabilidade não é só da CDM, que devido aos seus lucros foi reconhecida pela Autoridade Tributária como o segundo maior contribuinte fiscal de Moçambique, mas deverá ter contribuído para o aumento do volume de vendas os preços acessíveis das várias marcas de cervejas comercializadas. A título ilustrativo, segundo o Índice de Preço no Consumidor do Instituto Nacional de Estatística, enquanto os preço da comida e bebidas não alcoólicas aumentou cerca de 20 por cento, entre Dezembro e Março passados, o custo das bebidas alcoólicas subiu apenas 1,64 por cento no mesmo período.

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