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Mensagens de prevenção e combate ao VIH/SIDA continuam desacatadas, mais jovens infectam-se e o preconceito persiste em Moçambique

Celebrou-se na terça-feira (01) o Dia Mundial de Luta contra a Sida, uma efeméride durante a qual todos ergueram-se contra este mal e os prejuízos, sobretudo humanos, que nos impõe. A par dos anos anteriores, pediu-se mais acções aguerridas para travar o contágio de mais gente, reter e melhorar o tratamento daqueles que vivem com a doença e, acima de tudo, exigiu-se mais educação e consciencialização da população, em particular dos jovens. Todavia, o preconceito, que ainda impera no nosso seio, se não for erradicado pode frustrar qualquer estratagema de combate ao vírus.

Em Moçambique, dados recentemente divulgados pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) indicam que dos 1,6 milhões de infetados pelo VIH/SIDA, 640 mil é procuram tratamento e um terço abandonam-no logo no primeiro ano, e o desafio é saber o porquê desta situação.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, deixou transparecer que as estratégias de comunicação para a prevenção da doença têm-se mostrado bem sucedidas mas também fracassadas. “A nossa preocupação incide, particularmente, na taxa elevada de seroprevalência no seio das raparigas, que é três vezes mais alta que nos rapazes (…)”.

Num comunicado da Presidência distribuído por ocasião de 01 de Dezembro, o Chefe de Estado disse que juntos podemos evitar que “os projectos de vida da nossa juventude terminem de forma trágica e abrupta como acontece”. E para contornar tal situação a educação e a consciencialização são fundamentais e é preciso envolver todos os segmentos da sociedade. Ruggero Giuliani, responsável pela área de tratamento e prevenção do VIH/SIDA, considerou que, para além de o nosso país descobrir os fatores que levam à desistência dos enfermos da medicação, há que adoptar políticas que lhes garantam o cumprimento da terapia e sejam controlados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), disse semana passada que no mundo as mortes por VIH/SIDA, nos adolescentes, triplicou nos últimos 15 anos e a maior parte dos doentes ficou infectado quando era bebé, para além de que os casamentos prematuros, que em Moçambique são uma realidade problemática, concorrem para esta situação. “Dentre as populações afectadas pelo VIH, o grupo dos adolescentes é o único no qual os números da mortalidade não estão a diminuir”.

Faces a este problema, Ruggero Giuliani sublinha que “nós precisamos prestar mais atenção aos jovens e adolescentes” e os centros de saúde devem estar abertos durante todo o dia para facilitar o acesso desta camada. “Nós gostávamos que o Governo moçambicano aumentasse o seu contributo orçamental para o combate à sida”. Refira-se que em no Orçamento do Estado deste ano, o Governo aumentou só 1,1% na verba da saúde, o que para muitas agremiações ligadas a este sector é insignificante.

Estima-se que dos 2,6 milhões de crianças menores de 15 anos com VIH, só uma em cada três recebe tratamento. Craig McClure, do UNICEF, responsável dos programas globais da instituição, considerou ser crucial que os jovens seropositivos tenham acesso a tratamento, cuidados e apoio, enquanto os seronegativos devem ter “acesso aos conhecimentos e aos meios que os ajudem a manter-se assim”.

O mesmo organismo entende que “as crianças casadas prematuramente são menos propensas a terminar os seus estudos, são mais susceptíveis de serem vítimas de violência e de serem infectadas pelo VIH. As crianças nascidas de mães adolescentes apresentam um maior risco de nascer prematuramente, morrendo logo após o nascimento, e de ter baixo peso à nascença. As crianças casadas prematuramente muitas vezes não têm as habilidades necessárias para a obtenção de emprego”.

Refira-se que as organizações que actuam na área de combate ao VIH/SIDA debatem-se com escassez de fundos, um problema que se agrava desde 2011, altura em que os doadores internacionais anunciaram o corte drástico do seu apoio aos programas de combate e prevenção a esta pandemia no nosso país, por causa da falta de resultados satisfatórios na sua implementação, e os níveis de contaminação continuavam elevados.

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